No que creio e tento viver.

Entendo que a verdadeira rendenção espiritual não tem entre os seus agraciados aquelas pessoas que posam de santas e moralmente irrepreensíveis, tampouco aquelas que investem a sua vida em defender a doutrina melhor fundamentada em escritos ancestrais... vejo que ela é alcançada pelo pecador arrependido que, por assim se reconhecer e ciente de sua limitação, ousa não mais negociar com Deus o Seu favor mediante seus esforços pessoais mas, em um passo de fé, acredita na bondade intrínseca de seu Ser e nos méritos do Cristo crucificado e ressurreto respondendo à essa fé com uma nova postura, voltada à Deus e ao próximo sem fanatismos, dando assim sabor à sua vida e a dos que estão à seu redor neste mundo. E tudo isso é possível exclusivamente pela Graça de Deus, fruto de Seu amor por nós.
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Juízo, Graça, Fé e Reconciliação

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo.
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;
Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.
De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.
Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. 
 
2 Coríntios 5:14-21

O fato é que a humanidade já foi perdoada de seus pecados passados, presentes e futuros. Resta a nós, que recebemos essa mensagem e nela cremos, dela usufruímos e por ela somos gratos como portadores do Ministério da Reconciliação, divulgarmos a humanidade que Deus JÁ FEZ as pazes com o homem... que a este é possível livrar-se do jugo do pecado e ter comunhão com aquele que o criou... que é possível experimentar e viver a liberdade plena e a paz que ninguém pode entender... que Ele outorgou aos que assim creem o Seu Espírito, como garantia de que Ele cumprirá a tarefa que, por amor, a Sí mesmo propôs... que somos responsáveis pelas nossas escolhas sejam elas permanecer debaixo do medo imposto pela religiosidade ou da libertinagem hedonista e por elas responderemos somente à Ele que nos perdoou de ambas e de todo espectro que compõe a escala entre esses dois extremos... que se Este decidiu que terá junto de Sí o mais vil de todos os homens em detrimento daqueles que considerávamos o mais “santo” segundo a medida da religiosidade humana, não nos compete arbitrar a vontade d’Aquele que é Absoluto e prescruta os corações do TODOS os homens e não os julga segundo as falíveis percepções humanas... que o inimigo de nossas almas não tem mais autoridade para nos acusar pois o escrito de dívida que havia contra nós, repleta de ordenanças foi resgatada das mãos dele e rasgada pelo Cristo ressurreto, pois tudo foi consumado na cruz... que sabemos quando pecamos quando nossa consciência em Deus nos acusa, influenciado pelo Seu Espírito que em nós habita... que o que é pecado para um pode não ser para outro, portanto cada um anda segundo sua própria consciência em Deus, não sendo juiz de seu irmão, tampouco impondo sua percepção como a medida da espiritualidade ideal, pois somos seres humanos imperfeitos e nada em nós pode ser absoluto para si ou para o próximo... que quem recebe tal mensagem de e em amor não tem outra alternativa -por paradoxal que seja- a não ser voluntariamente submeter-se ao Senhorio de Seu Redentor e por/para Ele viver, transformando sua vida uma resposta prática de amor a Ele, à si mesmo e ao próximo que embora não perceba, está ansioso em ouvir essa mensagem e ver em nós o resultado prático e sobrenatural dela.


Infelizmente o nosso próximo tem ouvido dessa igreja que aí está a mensagem do juízo divino e não da reconciliação. E esse evangelho do juízo é a mensagem “de Jesus” compreendida pela “carne”, segundo o trecho de II Coríntios. Essa igreja não percebeu ainda que a Graça só se manifestou entre a humanidade pois o Cristo cumpriu na cruz as exigências do juízo divino. Quem vem imputando falsamente o juízo divino à humanidade como se tal não tivesse sido cumprido na cruz, está no mínimo desinformado ou sendo desonesto! Só há um que tem o interesse em transformar a vida do homem na terra em um inferno com acusações de juízo divino: o Diabo!

O homem está sim sob outro juízo que não é o divino: o juízo de suas próprias escolhas, o efeito de suas opções equivocadas. Prossegue vítima do pecado imanente com escolhas conduzidas por esta pulsão e do desconhecimento de que outra vida é possível, que o problema do pecado, da falta de comunhão com o Criador e da justiça divina foi resolvido na cruz de uma vez por todas. Que agora há Graça Divina para todos!

A graça não é uma linha de montagem onde todos se parecem... quem cria cópias e clones é a religião, Deus criou seres humanos diferentes entre si e diferentemente por Ele são tratados. Só o pecado e a Graça iguala a todos. E a Graça é superior ao pecado! Por isso Deus tem formas e não fôrmas. E a falta de fôrmas assusta o sistema religioso pois a partir daí, não há mais controle de nada... mas a verdadeira Igreja sabe que Ele está no controle e que à ela importa ser a presença de Jesus na terra, operando a obra d’Ele como se Ele aqui estivesse como estava na plenitude dos tempos.

Enquanto a igreja que aí está continua dando importância àquilo que claramente Ele não deu importância alguma ou que não é de sua conta, temos medo de viver a genuína experiência da fé, a reconciliação pela Graça. A seguir essa cartilha, a do conhecimento carnal de Cristo, não haverá graça para nós, muito menos anunciação da reconciliação para a humanidade!

O convite não é para sistematizar a experiência, é para viver a mensagem! Só assim o medo da libertinagem e da prisão religiosa que antagonizam hoje crentes e descrentes desvanecerá.
 

sábado, 10 de setembro de 2011

Gente que ninguém quer

A propósito da leitura desse artigo da ISTO É, sobre a Igreja Renascer em Cristo...

Tive a oportunidade (e porque não dizer o privilégio) de ter participado desse ministério quando ainda era só um punhado de gente que estava cansada das idiossincrasias religiosas de então e sonhavam com uma vida restaurada à normalidade daquilo que a bíblia mostrava ser... por isso diziam ter a visão de Neemias, da restauração dos muros da cidade santa...

Tempo onde não havia um clero organizado... as pessoas ajudavam porque sentiam-se compelidas a fazê-lo sem esperar reconhecimentos ou imputação de patentes eclesiais quais fossem... só havia gente querendo ajudar àquilo que entendiam ser um movimento genuíno de “amor às vidas” no jargão evangélico... se sentir parte de um movimento que sentiam iria marcar uma geração na igreja brasileira... tempo onde o Estevam e a Sônia desciam do palco para abraçar a quem perto deles chegasse, junto à uma palavra de amor e esperança...

Uma época onde as barreiras do "sagrado" e do "profano" diluíram-se, onde era possível transitar entre uma "Terça-Gospel" no Dama-Xoc e um Show de Rock nas segundas-feiras de evangelismo, que mais se assemelhavam a uma balada qualquer, ainda que o espaço fosse o mesmo dos cultos dominicais... manifestação de demonstração extrema que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens... radicalmente protestante...

O brilho nos olhos de cada um, por mínima que fosse sua contribuição para que tudo se operasse com o fim de restaurar vidas, junto a alegria no coração de ver o resultado que se obtinha na operação da mão forte do Senhor era a recompensa mais que suficiente para nós...

Nada era forçado... tudo que se fazia dava naturalmente resultados pois o ambiente que ali estava instalado era o do comprometimento com uma visão de operar o bem ao próximo, sendo o templo só um local que se prestava a dar espaço às iniciativas que levassem em conta a visão de Neemias que o ministério possuía...

As canções eram fruto desse mover de Deus nos idos tempos da então quase-herética Igreja Renascer em Cristo... Katsbarnéia com o Brother Simion cantando com aquele jeitão de fissurado... Extra, Extra... o mundo acabará amanha de manhã... Atos 2, declarando Ah, eu quero sim, o Teu amor Senhor... e ainda Resgate, Oficina G3 com o Manga e o Túlio mandando ver em músicas com letras inusitadas comparando os cristãos com Naves Imperiais... e o início do Renascer Praise, com cânticos que remetiam a uma pureza e singeleza de sentido tão claro do Evangelho que, se comparadas às letras de hoje das músicas do mercado gospel (invariavelmente mantras, gemidos, sussurros e grunhidos incompreensíveis e sem qualquer relação com a mensagem de Jesus) seriam vistas com reservas pois sua mensagem seria não-vendável.

Mas não tardou, o canto da sereia foi ouvido... e pior, atendido e correspondido. O ministério de Libertação e Cura Interior foi criado sob a influência dos ensinos tresloucados da Neusa Itioka sobre o tema; a Teologia da Prosperidade vinha sendo pregada de maneira bem light, mas depois o “casal apóstólico” abraçou apaixonadamente esse lixo espiritual e colocou o então Pr. Gesher Cardoso para fazer seminários intensivos nas igrejas Renascer ministrando essa doutrina mamônica e anti-bíblica; vieram à reboque o deslumbrado Benny Hinn com sua esquisita unção do cai-cai; as tais "conferências proféticas" com a equipe do pr. Collin Dye, um especialista em profetadas e a Marcha para Jesus, um evento que originalmente visava dar visibilidade à fé cristã e que aqui virou demonstração de força política para promover negociatas em nome de um reino que não é o dos Céus.

Ainda me recordo daqueles tempos da inocência perdida... comparativamente ao crescimento humano, a Renascer optou por seguir seu próprio caminho, longe da singeleza do Evangelho e encantou-se com os sofismas da vida adulta... e ficou empedernida, incapaz de admitir que errou e voltar atrás para iniciar do ponto onde se desviou...

Eu ainda me pego cantando e pedindo para cantar muitas das músicas dessa época... sou grato à Deus por ter vivido o tempo em que o Estevam e a Sõnia eram só o Estevam e a Sônia e não o alter-ego de ambos que acabou carreado a um título após a investidura de uma patente eclesial...

Certamente presenciei ali também coisas que não correspondiam àquilo que a Palavra ensina... vi fogueira das vaidades, desmandos, surtos de autoritarismo, caça às bruxas e todos os chamados "sete pecados capitais" atuando em pleno vigor... não há quem vivendo em um ambiente assim, agüente por muito tempo sem se contaminar. Confesso que por algum tempo surtei com o surto deles... mas em um insight, quando me vi descaracterizado como um filho de Deus, abri-me à correção do Pai em minha vida e a Sua Graça me alcançou, me fazendo sair a tempo antes que eu ficasse pedrado.

Escrevo estas linhas depois de ler o artigo da ISTO É e de chorar movido por um misto de amor, tristeza, pesar e saudade... estaria idealizando um passado que só existiu na minha mente?... talvez... mas não posso negar que a maneira autêntica e ousada pelo qual a Renascer surgiu e andou nos primeiros anos de sua existência impactaram minha vida mais com coisas boas que com ruins...

Possivelmente a Renascer nunca será aquilo que se propôs a ser a 25 anos atrás na sala do pequeno apartamento do Estevam e da Sônia, ainda com o Tid e a Fernanda bem pequenos... uma família que vivia com dinheiro contado, com o Estevam saindo para vender máquinas de Xerox à pé, quando deram abrigo a um bando de gente que a igreja não os queria nem pagando... igualzinho como Jesus acolheu a mulher adúltera, ao fiscal corrupto, ao samaritano e ao guarda romano. Gente que ninguém quer. Assim como todos nós um dia fomos gente que ninguém quis, só o Pai. Quem sabe não seja a hora de acolhermos de alguma maneira ao Estevam e a Sônia pois HOJE eles são a gente que ninguém quer?

domingo, 12 de junho de 2011

Ruídos



Da série Nooma, de Rob Bell

fonte: Caminho da Graça | Oficial on Vimeo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A fé evangélica e a fé de consumo

Os crentes de hoje exarcerbaram nas simbolizações em pról do aumento de adesôes à essa fé dita evangélica, mas pagã em sua essência, com vistas a formar uma massa de manobra objetivando alcançar proeminência política.

Por ser a autêntica fé evangélica "pobre" de elementos simbólicos (o pão e o vinho na ceia são admitidos nessa categoria por serem os elementos assim usados por Cristo e por Ele recomendados que, até Sua volta, fossem assim usados em memória dEle), a alma pagã do homem que hoje se professa cristão ainda precisa dos ritos, mitos e alegorias pagãos para sentir-se seguro em sua religiosidade, bem como da manifestação de sinais exteriores que assegurem para si (e para os outros em especial) que estão trilhando a vereda do caminho correto.

A espiritualidade cristã ocidental é "para fora", nunca "para dentro". As marcas de uma vida interior abundante e que se manifesta na sua forte influência sobre quem vive ao seu redor não é mais o paradigma do verdadeiro cristão. Na lógica cristã contemporânea o que vale são os números, sinais estes que podem ser mensurados pelo homem - limitado em suas percepções à este mundo físico e moral.

Quem tem mais discípulos ou membros; quem tem mais células ou pequenos grupos; quem "converteu" mais gente; quem arrecada mais; quem tem rádio, tv e internet para se comunicar com seus fiéis; quem levou mais gente para os eventos e congressos; quem está mais "organizado"; quem... quem... quem... quem... são esses parâmetros que balizam o exercício da espiritualidade padronizada pelos "revelamentos e profetadas" dos auto-intitulados apóstolos que proliferam em nossa terra, mais que erva daninha no meio da plantação.

A mudança de vida pelo poder de Deus, que é o verdadeiro evangelho (quando este consegue mudar em algum aspecto o interior dos segudores de apóstolos) hoje é visto como fruto de categoria inferior para estes neo-evangélicos. O que vale é quantidade, coisa que sê vê e se projeta na sociedade dentro do contexto do plano político-religioso dessa gente, de tomada do poder temporal. A qualidade da espiritualidade desse povo todo é creditado na conta da responsabilidade divina, segundo esses apóstolos da avareza e do poder humano, justificando o fraco ensino espiritual (mais frequentemente ligado à métodos de crescimento que em direção ao pleno conhecimento pessoal de Deus) que apresentam ao seu "santo" curral eleitoral como A palavra definitiva sobre a vida cristã.

Enquanto isso, àqueles aos quais deveria-se pregar as boas novas de paz pela via do arrependimento e salvação pelo sacrifício do Cordeiro de Deus, são bombardeados pela mídia na pregação do deus da primeira casa, do primeiro carro zero quilômetro, da casa de praia, da viagem ao exterior, da segunda casa, do terceiro carro, da frota de carros, do iate, do jatinho, da restauração profissional, dos shows maniqueístas, do cruzeiro marítimo, da barganha financeira, da clonagem psicológica, da coação espiritual, do seqüestro da alma, da vil tirania.

Esse deus se parece com quem? Com o Deus de amor que JÁ EXECUTOU SUA JUSTIÇA EM CRISTO E CHAMA TODOS AO ARREPENDIMENTO, ou ao deus que, segundo a concepção dos "apóstolos", consideram que valha a pena ser pregado para que seus objetivos de conquista de poder sejam alcançados? Um deus que é segundo a vileza de sua própria imagem e semelhança?

Pobre povo... frequentemente afirmam exultantes, terem deixado sua antiga fé para seguirem à "cristo", quando na verdade só trocaram de Papa, médium ou de pai-de-santo por outros que falam e prometem o que agrada-lhes os ouvidos em nome de "deus"... e estes prosseguem suas vidas tão ou mais iludidos quanto antes.

Minha esperança é que isso só seja uma fase do caminhada individual de cada um no conhecimento de Deus... que esses líderes espirituais que mentem em nome de Deus não colham como resultado de sua negligência a conversão desses que hoje se entregam à seus caprichos em ateus, por acreditarem que eles são oráculos divinos

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Igreja Primitiva x Igreja Atual


A Igreja Primitiva gozava de uma imagem pública positiva; A Igreja Atual tem Igreja primitiva x atual Igreja Primitiva x Igreja Atual uma imagem extremamente negativa diante do povo.
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A Igreja Primitiva fazia muito com pouco; A Igreja Atual com muito não faz nada (ou quase nada).
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A Igreja Primitiva tinha comunhão; A Igreja Atual apenas associação.
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A Igreja Primitiva tinha uma fé capaz de abalar o mundo; A Igreja Atual tem uma fé abalada por qualquer coisinha.
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A Igreja Primitiva tinha uma mensagem Cristocêntrica (por Ele, para Ele e N´Ele); A Igreja Atual tem uma mensagem Antropocêntrica (mensagens que massageiam os nossos egos, desejos e prioridades).
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A Igreja Primitiva não se importava com a concorrência; A Igreja Atual perde para a concorrência e faz concorrência entre si mesma.
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A Igreja Primitiva tinha doutrina; A Igreja Atual, apenas tradições.
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A Igreja Primitiva tinha membros à imagem de Deus; A Igreja Atual tem membros que são caricaturas de uma denominação.
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A Igreja Primitiva era procurada pelas pessoas; A Igreja Atual não é procurada e nem procura as pessoas (a não ser quando tem interesse em encher seus cofres com os “dízimos, primícias e afins” dos pobres fiéis manipulados).
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A Igreja Primitiva era perseguida pelo mundo; A Igreja Atual persegue a si mesma.
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A Igreja Primitiva se ocupava com o essencial (a vida em Cristo, o caráter cristão, o proceder com o semelhante etc); A Igreja Atual, com o trivial (tamanho do vestido, se usa brinco ou não, se o pregador usa terno e gravata – ao invés de se preocupar se o pregador tem vida com Deus e possui bom caráter).
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A Igreja Primitiva se interessava pelas pessoas perdidas fora de suas igrejas (como o nome ‘igreja’, no original, em grego, mesmo se traduz); A Igreja Atual se orgulha com o número de seus membros ($$).
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A Igreja Primitiva tinha culto; A Igreja Atual apenas liturgia ou entretenimento.
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A Igreja Primitiva crescia em qualidade e quantidade; A Igreja Atual, nem em qualidade.
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A Igreja Primitiva incomodava o mundo; A Igreja Atual se acomoda ao mundo e por isso é incomodado por ele.
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A Igreja Primitiva mudou o mundo de sua época; A Igreja Atual tem sido mudada pelo mundo atualmente.
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A Igreja Primitiva contava com membros que tinham vida de cristãos; A Igreja Atual tem apenas o nome de cristãos.
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A Igreja Primitiva tinha a maioria de suas atividades fora dos portões da igreja; A Igreja Atual já nem sabe o que está fazendo dentro dos portões da igreja.
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A Igreja Primitiva era temida pelos demônios; A Igreja Atual teme aos homens.
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A Igreja Primitiva estava disposta a morrer pelo Evangelho; A Igreja Atual não consegue nem viver o Evangelho.
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A Igreja Primitiva era uma tradução da Bíblia; A Igreja Atual tem apenas traduções da Bíblia.
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A Igreja Primitiva transformou a palavra escrita em palavra encarnada!
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Certa feita três teólogos discutiam entre si sobre qual era a melhor tradução da Bíblia, até que um deles disse: “A melhor tradução da Bíblia é minha mãe”; todos se silenciaram, então continuou ele: “Ela traduziu a Bíblia em atitude, em vida, e qualquer analfabeto podia ler e entender”.

Vi no Pavablog

terça-feira, 26 de abril de 2011

Oração de Nietzsche: Ao Deus desconhecido


Texto de Leonardo Boff publicado originalmente no blog dele

Muitos só conhecem de Nietzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana.

Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial.

Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basel na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá. Essa oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Por isso no final indico as fontes em alemão de onde fiz a tradução. No original, com rimas, é de grande beleza.

Oração ao Deus desconhecido

Antes de prosseguir no meu caminho
E lançar o meu olhar para frente
Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,
Na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
Tenho dedicado altares festivos,
Para que em cada momento
Tua voz me possa chamar.

Sobre esses altares está gravada em fogo
Esta palavra: “ao Deus desconhecido”
Eu sou teu, embora até o presente
Me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
Me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
Sinto-me forçado a servi-Te.

Eu quero Te conhecer, ó Desconhecido!
Tu que que me penetras a alma
E qual turbilhão invades minha vida.
Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero Te conhecer e a Ti servir.

Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.

Vi no Pavablog

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sugestões para o novo ano

Ed René Kivitz

#1
Não assuma compromissos do tipo “vou iniciar uma dieta”, “vou começar alguma atividade física”, “vou terminar o curso de inglês”. Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros.

#2
Não acredite nesse pessoal que diz que “sem meta você não vai a lugar nenhum”. Pergunte a eles por que, afinal de contas, você tem que ir a algum lugar. Trate esses “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.

#3
Não pense que você vai conseguir dar uma guinada na vida apenas mudando o seu visual. É a alegria do coração que dá beleza ao rosto, e não a beleza do rosto que dá alegria ao coração.

#4
Não faça nada que vá levar você para longe das suas amizades verdadeiras. Amizades levam um tempão para se consolidar e um tempinho para esfriar, pois assim como a proximidade gera intimidade, a distância fragiliza os vínculos.

#5
Não fique arrumando desculpas nem explicações para as suas transgressões. Quando cometer um pecado, assuma, e simplesmente diga “fiz sim, me perdoe”. Comece falando com Deus e não pare de falar até que tenha encontrado a última pessoa afetada pelo que você fez.

#6
Não faça nada que cause danos à sua consciência. Ouça todo mundo que você confia, tome as suas decisões, e assuma as responsabilidades. Não se importe em contrariar pessoas que você ama, pois as que também amam você detestariam que você fosse falso com elas ou se anulasse por causa delas.

#7
Não guarde dinheiro sem saber exatamente para que o está guardando. Dinheiro parado apodrece e faz a gente dormir mal. Transforme suas riquezas em benefícios para o maior número de pessoas. É melhor perder o dinheiro que ocupa seu coração, do que o coração que se ocupa do dinheiro.

#8
Não deixe de se olhar no espelho antes de dormir. Caso não goste do que vê, não hesite em perder a noite de sono para planejar o que vai fazer na manhã seguinte. Ao se olhar no espelho ao amanhecer, lembre que com o sol chega também a misericórdia de Deus: a oportunidade de começar tudo de novo.

#9
Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano novo. Leve pessoas. Sendo necessário, perdoe ou peça perdão. Geralmente as duas coisas serão necessárias, pois ninguém está sempre e totalmente certo. Respeite as pessoas que não quiserem fazer a mesma viagem com você.

#10
Não deixe de se perguntar se existe um jeito diferente de viver. Não acredite facilmente que o jeito diferente de viver é necessariamente melhor do que o jeito como você está vivendo. Concentre mais energia em aprender a desfrutar o que tem do que em desejar o que não tem.

#11
Não deixe o trabalho e a religião atrapalharem sua vida. Cante sozinho. Leia poesias em voz alta. Participe de rodas de piada. Não tenha pressa de deixar a mesa após as refeições. Pegue crianças no colo. Ande sem relógio. Fuja dos beatos.

#12
Não enterre seus talentos. Nem que seu único tempo para usá-los seja da meia noite às seis. Ninguém deve passar a vida fazendo o que não gosta, se o preço é deixar de fazer o que sabe. Útil não é quem faz o que os outros acham importante que seja feito, mas quem cumpre sua vocação.

#13
Não crie caso com a mulher ou com o marido. Nem com o pai nem com a mãe. Nem com o irmão nem com a irmã. Caso eles criem com você, faça amor, não faça a guerra. O resto se resolve.

#14
Não jogue fora a utopia. Ninguém consegue viver sem acreditar que outro mundo é possível. Faça o possível e o impossível para que esse outro mundo possível se torne realidade.

#15
Não deixe a monotonia tomar conta do seu pedaço. Ninguém consegue viver sem adrenalina. Preste bastante atenção naquilo que faz você levantar da cama na segunda-feira: se for bom apenas para você, jogue fora ou livre-se disso agora mesmo. Caso não queira levantar da cama na segunda-feira, grite por socorro.

#16
Não deixe de dar bom dia para Deus. Nem boa noite. Mesmo quando o dia não tiver sido bom. Com o tempo você vai descobrir que quem anda com Deus não tem dias ruins, apenas dias difíceis.

#17
Não negligencie o quarto secreto onde você se encontra com seu eu verdadeiro e com Deus – ou vice-versa. Aquele quarto é o centro do mundo – o mundo todo cabe lá dentro, pois na presença de Deus tudo está e tudo é.

#18
Não perca Jesus de vista. Não tente fazer trilhas novas, siga nos passos dEle. O caminho nem sempre será tão confortável e a vista tão agradável, mas os companheiros de viagem são inigualáveis.

#19
Não caia na minha conversa. Aliás, não caia na conversa de ninguém. Faça sua própria lista. Escolha bem seus mestres e suas referências. Examine tudo. Ouça seu coração – geralmente é ali que Deus fala. Misture tudo e leve ao forno.

#20
Não fique esperando que sua lista saia do papel. Coloque o pé na estrada. Caso não saiba por onde começar, não tem problema. O sábio disse ao caminhante que “não há caminho, faz-se caminho ao andar”.

[Publicado pela primeira vez em Dezembro de 2005, mas ainda valendo]

Fonte: Blog do Ed René Kivitz, via Pavablog

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

FIM DE ANO



Estamos a poucos dias para o início de 2011.

Normalmente a correria das festas de fim de ano nos vários círculos de relacionamento (família, trabalho, igreja, escola) sorvem de nós o tempo para refletirmos sobre o ano que está findando. Acabamos por deixar para fazer isso depois que os eventos previstos foram realizados, durante as férias de início de ano ou em um momento público de contrição (missas, cultos ou encontros) convenientemente planejados para tal, onde todos fazem o mesmo em busca de um ambiente propício para tal introspecção.

O volume de informações para ser processado acaba sendo grande para tão pouco tempo, então acabamos por fazer uma “geral”, com os fatos mais marcantes tanto positiva como negativamente e, sobre isso, damos nosso veredicto: foi bom ou foi ruim e com isso planejar o ano que se inicia.

Tendemos a esquecer os fatos corriqueiros do da a dia e que nem percebemos que nos fazem tão bem: o beijo do cônjuge, o abraço dos filhos, o companheirismo dos amigos, a presença de nossos pais. Acabamos por enfatizar o carro novo, a casa reformada, o novo emprego, a promoção na empresa, o aumento de salário. São coisas boas também, mas uma nota de R$100,00 já te consolou na frustração? Seu carro novo tirou uma boa nota na escola e veio correndo alegre para repartir sua conquista contigo? Seu apartamento novo te consolou na perda do emprego?

E se à vista disso tudo nos propusermos a fazer uma retrospectiva que valha à pena mesmo, não essa coisa “vapt-vupt” tradicional do fim de ano? Que tal pegar seus álbuns de fotografias e lembrar daquela viagem -que foi dura de pagar- que te deixou tão feliz? Ou recordar da visita daquele amigo querido que à anos não se viam? Daquela aventura -loucura até- que te deu frio na barriga mas depois viu o bem que te deixou? Do encantamento com o pôr-do-sol ou com ondas do mar arrebentando nas pedras? E, ainda, apreciar mais uma vez aquele CD ou DVD que você gosta tanto?

E à vista de tudo isso, lembrar que o usufruto de tudo isso é dom de Deus: “Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim. Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; e também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.”- Eclesiástes 3:9-13.

Tendemos à glorificar à Deus pela conquistas que acreditamos serem as maiores de nossas vidas. Até agradecemos “por tabela” por aquilo que sabemos ser vindo das mãos d’Ele, mas que de tão corriqueiros não damos importância. Mas são exatamente as pequenas coisas que fazem a diferença e trazem sabor à vida. A bênção de acordar todo dia com quem se ama ao lado, de sair para tomar sorvete com a família, de encontrar gente que se gosta. O resto é bônus da misericórdia do Pai.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Aos Crentes na Dúvida sobre Jesus...



Fico vendo o comportamento dos cristãos considerados cult, psicologicamente sensíveis...

Quem e como são?...

São necessariamente conflitados, recomendavelmente duvidosos, crentes em estado de permanente descrença; sem discernimento, mas muito críticos; evasivos quanto à eficácia do testemunho da Palavra pura e simples, embora cheio de opiniões negativas em relação a quem pregue sem angustia, conflito ou crise de fé; conhecedores teóricos das discussões da fé e dos dilemas teológicos, ainda que vivendo sem nenhum interesse prático/real no Evangelho que seja para além da informação e da discussão viciada...

Em geral são sempre descrentes de milagres [até nos da Bíblia], embora muito capazes de usá-los como alegorias ou lindas metáforas da vida...

Ou seja: quase sempre existindo como aquele que nem trepa e nem sai de cima; que nem chove e nem molha; que não é, mas não deixa de ser...

Ora, o que vejo é que estes, diferentemente dos falsos profetas e dos lobos, fazem seu próprio mal; posto que sejam mornos, sem intrepidez, sem disposição para além do discurso...

Portanto, sendo educados, parecem ganhar pela polidez de suas dúvidas o direito de existir em crise; sendo cavalheiros e finos, parecem poder caminhar em descrença aceitável; estando sempre em dúvida acerca de algo [...] mesmo assim continuam a discutir sobre o “tema Jesus”...

E, com isso..., se fazem passar por gente que duvida em razão de serem íntegros em relação à própria fé... Posto que sendo articulados, tornam seus conflitos elogiáveis, pois são ditos com benditas palavras psicológicas e filosóficas; e, sendo humanos no expressar seu sentir, ganham o direito de existir em dor, pois, sem dor de crise parece não existir real humanidade; tendo cultura, aparentemente dão aos demais crentes, menos instruídos, a sensação de que eles, os cult, os cultos, os sensíveis, são assim em razão de seu saber, da profundidade do seu sentir, e das angustias decorrentes de sua humanidade superior a dos demais...

Assim, estão e nunca são; dizem, mas jamais provam; pregam, e nunca aproveitam; sabem e não experimentam; poetizam, mas não amam para além das belas palavras; discutem a fé, e nunca a abraçam; falam de Deus, embora sempre em estado de dúvida devota...

Quando pastoreiam é antes de tudo em razão de suas próprias angustias...

Sendo assim [...] desconfiam de quem sendo humano não vive em angustia; de quem sendo pensante [...] não exista em dúvida; de quem crendo [...] busque viver conforme a fé; de quem confessando [...] não tema as implicações; de quem conhecendo a Deus [...] não se iniba quanto a afirmar...

Fico imaginando o que aconteceria, se tais deles, vivendo como discípulos de Jesus nos evangelhos, trouxessem tais devoções eternamente duvidosas a Jesus...

O que Jesus diria?...

Sim, se Ele disse que aquele que põe a mão no arado e olha para trás não é digno do reino de Deus [...] o que Ele diria a esses discípulos da dúvida?...

Ora, Ele não teve pudores jamais...

Aos Seus discípulos duvidosos Ele jamais disse que duvidar fosse parte de um processo normal de crenças [...], muito menos da fé...

Em Jesus não há elogios a duvida, mas tão somente à fé!

Não! Ele lhes pergunta: “Homens de pouca fé, por que duvidastes?”

Ante suas “impossibilidades” decorrentes da descrença..., Ele apenas disse: “Não pudestes expulsar o demônio por causa da pequenez da vossa fé!” E acrescentou: “Mas esta casta não sai senão por meio de jejum e oração”.

Sim, essa casta de crença sem fé, de fé que é apenas crença, e que se distrai discutindo a fé — de fato não sai senão mediante a sua quebra pela oração e pelo jejum.

Esta é a casta presente na maior parte dos pensadores da fé, mas que nunca se deixam pensar pela fé.

Sim, pois quem pensa a fé não é pensado pela fé...

Afinal, tal coisa somente acontece mediante a entrega em razão da confiança que faz a descrença morrer..., e que, ao mesmo tempo, introduz a pessoa no ambiente no qual “Deus não existe”, posto que em tal ambiente de fé não haja lugar para o Deus que existe, mas apenas para o Deus que É.

A descrença é relativa ao Deus que existe...

A fé decorre do Deus que É!

Portanto, brincar de crer sem crer é coisa de menino, e não de homem segundo o que Jesus considere um homem que anda mediante a fé, na alegria de não duvidar.

Leia os evangelhos e veja se Jesus acha legal viver sem as implicações de fazer da existência uma constante afirmação de fé...

Nos evangelhos você não encontrará este lugar..., embora encontre Jesus mostrando compaixão e amor também por esses, mas sem deixar de prosseguir em Seu caminho, vindo o candidato a discípulo após Ele ou não...

Nele, que não elogia a duvida como estado sadio de uma fé em crise permanente,


Caio

sábado, 27 de novembro de 2010

Indústria do Testemunho



Certamente Cristo continua libertando e curando vidas, também através da ação de Sua igreja no nosso planeta. Mas nem a igreja, nem ser humano algum é o validador dos milagres de Jesus. Ele mesmo é quem afiança a veracidade de Sua operação, intra e extra-igreja. Isso por si, basta para quem crê.

Tenho visto como Deus usa o ser humano -apesar de suas limitações- e a sua interdependência, incluindo aí gente que a "igreja" classifica como "ímpia", para serem canais de Suas bençãos uns aos outros em ações simples no dia-a-dia. O acionamento de uma simples rede de contatos aliado a um sentimento de solidariedade, pode trazer rápida resposta à uma oração.

Quantos testemunhos já se ouviu de respostas de oração através de alguém que conhecia não sei quem, que pôde agir nos limites de sua habilidade e relacionamentos para fazer o bem ao suplicante? Ou outros testemunhos onde anonimamente alguém fez algo por um desconhecido que o livrou?

Por isso vejo que Deus usa muito mais as capacidades naturais do ser humano para operar milagres que as alegadas intervenções sobrenaturais -que, sim ocorrem quando Lhe apraz!- , contrariamente ao que a igreja evangélica tem alardeado na mídia.

Na minha vivência pelo circuito evangélico/goshpél, não só aprendi como constatei que freqüentemente quem testemunha de uma libertação pessoal jactando-se da suposta maldade sua vida pregressa potencializando o poder da libertação recebida/testemunhada (normalmente sempre à luz do fundamentalismo religioso e quase nunca sob o ponto-de-vista do Evangelho) acaba se tornando um "testemunheiro profissional" que recebe um cachê da igreja/comunidade para contar seu "poderoso" testemunho -muitas vezes sem qualquer comprovação da veracidade do que diz- ou então, apesar do testemunho, a pessoa ainda não está plenamente convicta de sua libertação.

No primeiro caso o irmão até começa essa história de contar seu testemunho com sinceridade... mas quando percebe que as ofertas vindas desse seu ato de testemunhar ajuda -e muito- suas finanças, acaba aderindo à "malandragem evangélica" e começa a agir profissionalmente com direito a agente e agenda, pois descobriu que o crente sensibilizado pela experiência com o divino via de regra é ingênuo e crédulo, portanto fácil de enganar.

A evolução (na realidade, "involução") disso –e conseqüentemente com maiores ganhos- é quando além de “testemunheiro” o ser se apresenta como “profeteiro”, “reveleiro” ou “missionário”. Hoje muitos líderes evangélicos carismáticos em evidência, começaram sua carreira religiosa assim e tornaram-se em meio de sobrevivência para muitos. E assumem na cara-de-pau que as coisas sempre foram e sempre serão assim e não tem porque mudar.

No segundo caso, a necessidade de testemunhar sobre a “libertação” tem mais a ver com um mecanismo de auto-convencimento que de libertação objetiva. O cara tem até uns sinais de que a intensidade da coisa que o atormentava diminuiu muito ou que sumiu por algum tempo após ter “aceitado Jesus”, o que supostamente lhe daria “autoridade” para testemunhar sobre o seu caso específico de libertação.

No entanto é muito comum o caso de recorrência nos vícios e pecados anteriormente testemunhados como coisas do passado. Estas “quedas” são silenciosas, rotineiras e, se o “testemunheiro” já é uma pessoa relativamente conhecida e com um “ministério” (ou seja, já rola grana e tem gente se sustenta através disso), abafadas a todo custo.

Esse tipo de "ministério" se retroalimenta de testemunhos: dos do fundador -normalmente um mais fantástico que o outro, no afã de manter em alta a atratividade de seu "ministério"- e daqueles dos que se dizem atingidos pelo efeito de seus testemunhos em um processo de retrolimentação onde chega um ponto onde não mais se discerne a realidade da fantasia religiosa. Quando não interpretam a bíblia de modo a respaldar esse processo catártico, nunca a utilizando como aferidor da legitimidade de suas práticas dentro dos princípios espirituais lançados pelo próprio Senhor Jesus.

O vídeo acima é um exemplo disso. Não coloco em dúvida a palavra da senhora que alega que a cura de sua prisão de ventre seja um milagre de Deus. Se ela disse, porque eu a contestaria? Acredito que alguém pode ter sido edificado com esse testemunho. No entanto apesar de lícito, convém o modo e a maneira que foi utilizado pela instituição?

O Senhor Jesus alerta aos seus discípulos quando enviados a pregar o evangelho e operar maravilhas -com especial prioridade aos da casa de Israel- que estes procurassem ter em seu ser a simplicidade das pombas aliada à prudência das serpentes. Veja-se que Jesus não excluiu que tal maneira de agir devesse ser abolida ao encontrarem aqueles que pela lei eram considerados filhos de Deus.

Por isso entendo que convém à igreja como comunidade da fé cristã e também terapêutica no desenvolvimento de habilidades e envolvimento do ser humano, acompanhar com zelo, amor, compreensão e apoio em casos de recaída os casos de libertação para que não se perpetuem no futuro como um meio espúrio de ganhar a vida no meio cristão, tampouco um escape psicológico, ambos com possibilidades de se tornarem um aparato religioso que perverte a vida comunitária da Igreja.

Paz!

domingo, 24 de outubro de 2010

A graça de Deus

Ed René Kivitz

Contam que certa vez C. S. Lewis adentrou ao auditório de um congresso religioso e observou acalorada discussão. Perguntou a quem estava sentado ao lado qual a razão de tanto palavrório. Estão discutindo qual é a distinção do Cristianismo em relação às outras religiões, esclareceu o homem. Simples, comentou Lewis, sem hesitar: a graça de Deus.

De fato, todas as religiões estão baseadas no esforço pessoal e no princípio da justiça retributiva. Somente o Cristianismo apresenta a possibilidade de um relacionamento entre Deus e os homens além das fronteiras do mérito e demérito.

Infelizmente, as palavras de Lewis, dos pais do protestantantismo e, pior, uma das afirmações mais categóricas e fundamentais do Novo Testamento, se perderam na poeira do fenômeno religião de consumo, onde os deuses disputam melhores lugares nas prateleiras do mercado religioso. Poucos cristãos, ou que se dizem cristãos, compreendem o que seja a graça de Deus. Arrisco, portanto, algumas sugestões.

A graça de Deus é o favor imerecido de Deus para com a humanidade. [Mateus 5.45; Efésios 2.8-10; Tiago 1.17,18; 2Pedro 1.3]

A graça de Deus é a disposição de Deus em tratar bem aqueles que o rejeitam e dar coisas boas a quem não lhe quer bem ou mesmo sequer reconhece sua existência. [Mateus 5.41-48]

A graça de Deus é a boa vontade de Deus, a predisposição positiva de Deus, o desejo de abençoar, a intenção constante de fazer o bem e agir com bondade em relação ao universo criado e a humanidade. [Êxodo 33.19; Salmo 100.5; 2Crônicas 16.9; Jeremias 29.11; 33.3; Hebreus 4.16]

A graça de Deus é a interpelação, o apelo, o chamamento, o convite, a insistente convocação de Deus para que a humanidade se renda à sua bondade. [Hebreus 1.1,2; 3.7; 3.15; 4.7; Atos 14.16,17; 26.14]

A graça de Deus é o fluxo constante de amor e vida divinos que sustentam o universo e a humanidade. [Isaías 18.4; Atos 17.28; Romanos 11.33-36; Hebreus 1.3]

A graça de Deus é a energia ativa, o poder abençoador, a força, o empurrão que Deus imprime no universo e na humanidade para que o bem e o bom possam existir. [1Coríntios 15.10; Filipenses 2.13,14; Colossenses 1.29]

A graça de Deus é a ação e o trabalho de Deus em favor do universo e da humanidade. [Salmo 37.5; Isaías 64.4; Mateus 6.25-34; Filipenses 4.19; 1Pedro 5.7]

A graça de Deus é a oportunidade, chance, concessão, permissão, autorização que Deus concede à humanidade para que experimente sua bondade e participe de seus atos bondosos. [Isaías 55.6; 2Coríntios 8.1]

A vida não se explica sem a graça de Deus: Deus tudo criou, tudo sustenta e a todos concede vida e fôlego para que existam, inclusive em rebeldia e de maneira contrária ao seu caráter três vezes Santo. O Deus cristão é o Deus de toda a graça [Isaías 6.1-5; Atos 17.24,25; 1Pedro 5.10]

A graça de Deus está presente inclusive onde a igreja ainda não está e onde o evangelho ainda não chegou. [Atos 10.31; 14.16,17]

O mundo, a humanidade e o futuro são viáveis pelo fato de estarem sob a graça de Deus. Vale a pena fazer o bem, vale a pena semear para a justiça e a paz, pois a mão de Deus está promovendo e agindo em cooperação para trazer à existência o que é bom. [Romanos 8.28-30]

Toda e qualquer experiência humana do amor; todos os atos de justiça, compaixão, e solidariedade; todas as expressões da ética e da estética; a arte e a cultura; a ciência, a tecnologia e o trabalho; as filosofias e sabedorias; a ordem, a estrutura inteligente e a coerência lógica da realidade física, orgânica e social; o prazer, a alegria e o contentamento; a superação, a possibilidade de começar de novo, e a inovação; a rebeldia contra a morte e tudo quanto a promove, sustenta ou representa; as possibilidades utópicas em relação ao futuro; a fé, a esperança e a paz, se explicam pela graça de Deus.

A expressão máxima da graça de Deus é a presença de Jesus Cristo no mundo, e tudo quanto com ele irrompe como possibilidade para a natureza criada e a humanidade como fruto de sua vida, morte e ressurreição. Como bem disse o apóstolo João [1.14], Jesus é a verdade cheia de graça.

Fonte: Ibab, via Pavablog

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Marina: um novo ícone evangélico?



E vamos para o segundo turno. Há alguns dias atrás postei uma reflexão do Marcelo Quintela no Pavablog que representa bem o efeito “Marina” no meio evangélico.

Tendo em perspectiva o texto que citei, deixemos de lado por um momento as paixões e os ideais políticos. Nem que fosse só para a “igreja” perceber a enorme distância entre sua prática e a mensagem do evangelho, a campanha presidencial deste ano já teria valido. Isso se ela tivesse "semancol" suficiente para perceber que está em palpos de aranha, o que não parece ter ocorrido ainda.

Marina, apesar dos predicados que possui como coerência, firmeza e caráter, ainda pode frustrar quem vê nela o ícone de algo que só o Evangelho pode traduzir. Longe de juízos pessoais, mas lastreado na verdade da Palavra, Marina tal como nós está sujeita à lei do pecado e à misericórdia da graça. Seu caráter não pode afastar de nós a lembrança de que tal como nós, ela pode nos surpreender com suas decisões tanto favoravelmente como negativamente. A prosseguir o modo como o meio evangélico a vem incensando, isso no futuro só pode terminar de um jeito: com decepção. Esse é o roteiro iconoclasta cristão.

Não transformemos Marina em um ícone político-religioso. Que a vejamos como alguém que aprouve ao Senhor levantar nesses dias, para que o Seu propósito se estabeleça dentro de um regime democrático de governo pela força do voto popular -independente de suas virtudes, frágeis por excelência, como é com qualquer um de nós. E que a cubramos com nossa intercessão pelas decisões que deverá tomar nestes dias respaldada pelos quase vinte milhões de votos que recebeu.

Apesar de na opinião de muitos de que agora o pleito se resumirá à escolha do candidato menos ruim, não cedamos aos apelos assombrosos ou profeteiros, muito menos à argumentações sem consistência em favor ou contra algum dos candidatos –muito menos mentiras e boatos. Esse turno exige de nós muito mais que simpatia ou fé nas promessas feitas: exige redobrado cuidado na escolha de nosso voto, lastreado em premissas que permitam à nossa consciência estar pacficada com a opção de candidatura escolhida.

E, como cristãos, procurarmos ser sempre sensíveis às percepções pessoais que o Espírito Santo nos leve a ter nessa questão, colhendo informações confiáveis sobre os candidatos, lançando fora o medo e levando nosso voto em oração à Deus permitindo que Ele nos guie nessa decisão. Somente Ele e mais ninguém.

sábado, 25 de setembro de 2010

Política, Votos e Profecias

Venho recebendo nestes ultimos dias uma boa quantidade de e-mails com links e relatos sobre os desdobramentos de um suposto erro em quem formos votar, alardeando as "terríveis" conseqüencias em se votar em um ou outro partido.

Particularmente intriga-me aquelas mensagens com esse tipo de conteúdo baseado em manifestações carismáticas de revelações e profecias. Não são poucas as mensagens que recebo com esse tipo específico de conteúdo, inclusive com irmãos que vem me questionar sobre esse tipo de mensagem.

É interessante observar que esse tipo de mensagem aparece com freqüência em épocas de eleição para demonizar candidatos e induzir o voto do cristão de maneira utilitarista, como se o Brasil fosse uma monarquia teocrática à semelhança do Israel do velho testamento.

As coisas deixaram de ser assim desde que Cristo morreu, ressuscitou e deu-nos de Seu Espírito para que NÓS fôssemos a manifestação do Reino em meio à humanidade. Sozinhos ou em comunidade (igreja). Hoje cada um deveria gozar da liberdade em Cristo e do Seu Santo Espírito para seremos guiados em toda a verdade. A igreja não é um novo Israel com a missão de implantar um governo teocrático onde quer que esteja, por mais que vejamos o esforço da igreja institucional (especialmente as de linha pentecostal e neopentecostal) afirmarem que essa tomada de poder é "plano de Deus".

Se fosse para isso que a igreja existisse, seria fácil ser o “novo Israel”: bastaria um ofício sacerdotal constituído e regras de conduta e moral impostas para serem obedecidas, facilitando classificar gente entre salva e não-salva baseando-se na observação de seu cumprimento (ops, acho que já vimos isso...), mas não é. O chamado para cada um, que é o da Igreja -sendo esta a comunidade dos chamados individualmente- é para amarmos uns aos outros e anunciarmos à humanidade que “Deus em Cristo, reconciliou o mundo” e nos comissionou para o exercício do ministério da reconciliação. O resto -mudança de comportamento ou o novo nascimento- é o Espírito quem opera em cada um segundo Seu querer e tempo.

A tática da “Teoria da Conspiração” espiritual no meio evangélico sempre deu resultado, pela estrutura hierárquico-espiritual calcada na manifestação dos dons como aferidor de uma maior espiritualidade, conseqüentemente alguém que as orientações devem ser seguidas por supostamente virem de alguém mais próximo do divino que os outros. Esse tipo de estratégia tem eficácia especialmente se vêm com uma roupagem de “revelação”, sonhos, respaldo em experiências missionárias e outros tipos de manifestação classificadas como “sobrenaturais”. O povo cristão majoritariamente dá mais ouvidos à esse tipo de coisa que o uso da sabedoria (dadas por graciosamente Deus conforme Sua Palavra) que engloba a capacidade de compreensão e da percepção para entender o mundo à sua volta e fazer opções com a consciência em paz.

Esse tipo de coisa contamina nosso entendimento. Infelizmente o uso dos dons espirituais perdeu o foco, transformando-se de elemento acessório (lembremos que Paulo classifica essas manifestações do carisma divino como adornos de Cristo à Sua noiva – ou seja para deixá-la mais bonita e apta ao chamado do Rei) em algo extremamente relevante à percepção humana (contaminada pelo pecado) e instrumento de manipulação. O povo passou a olhar mais para o lindo colar de esmeraldas do que para a noiva. Isso é manifestação da vil perversão humana.

Se nosso modelo é Cristo, sigamos o seu exemplo:
- não O vejo demonizando gente;
- não O vejo tomando partido por alguma doutrina política como Rabi que era, portanto com poder de influenciar quem O seguia;
- não O vejo descuidando das responsabilidades pessoais como um ser humano que era: pagou imposto inclusive!
- não O vejo conspirar pela conquista de algum tipo de poder temporal, antes o vejo afirmando que tudo que existe está submetido a autoridade do Pai.

Jesus sabia que o Império Romano era o “satanás” de seu tempo, que Herodes era o verdugo e que Pilatos era um fantoche do mal em Sua história . Ele reconhecia a malignidade na falsa piedade e na descrença da casa sacerdotal de sua época. Mas em momento algum Ele demonizou gente que nitidamente estava a serviço do inimigo: o máximo que fez foi alertá-los que o que faziam não era da parte de Deus e sim do inimigo –e ainda assim para aqueles que supostamente O representavam!

Entre um relato baseado na 'sobrenaturalidade' e a polêmica manifestação do Pr. Piragine, sou mais pelo segundo, mesmo que seu discurso resvale na concepção de a igreja ser o Israel de Deus na terra com a “missão” de pregar uma mensagem moral, portanto algo dissonante da mensagem de reconciliação. Com isso não avalizo seu pronunciamento na íntegra, mas pelo menos ele argumenta com fontes passíveis de averiguação de suas premissas, com uma linha clara de concepção. E apela à consciência individual de cada um pela decisão do voto e, logicamente quem tem consciência vai avaliar se o pronunciamento dele tem sutentação ou não a ponto de influenciá-lo em sua opção na hora de votar.

Vale lembrar que Paulo enfatizava a questão de andar na vida cristã com consciência limpa (que não significa só confessar os pecados, mas viver em paz com a dicotomia instalada no interior de cada ser), em suas cartas na prática de uma vida cristã- embora eu não despreze que Deus possa usar de instrumentos como esse, da revelação e da profecia em casos específicos, e que TUDO deve ser julgados com base na Palavra.

Não simpatizo com o modus operandi do atual partido no poder, na minha percepção de características facistas e especialmente das atitudes de narcisismo, leniência e frouxidão moral de nosso presidente. O aparelhamento do governo e o conseqüente inchaço na máquina administrativa, o aumento da dívida pública e a farra consumista que vem se fazendo, não apontam para horizontes espirituais e sociais mais pacíficos à frente.

Não nego os avanços nem os resultados palpáveis do governo atual, em especial na melhoria de vida de parte da população antes miserável e pobre, mas isso é desdobramentos das conquistas não creditadas ao governo anterior, onde o que mais se lembra são os frágeis resultados econômicos. O ser humano é pragmático: se pôs dinheiro no seu bolso, pouco importa o partido, os escândalos políticos e as conseqüências no futuro. Quem prometer mais e tiver como respaldo bons resultados anteriores (mesmo que sejam falácias marqueteiras), leva o prêmio. Assim Maluf elegeu Pitta em São Paulo e assim Itamar Franco elegeu FHC. E é assim que Lula certamente elegerá Dilma. Veremos no futuro se o resultado será o mesmo dos dois casos anteriores.

Eu sei que tudo isso faz parte do plano de implantação do governo do anticristo, não estou alheio a essa futura ocorrência. O que eu entendo disso tudo? Que meu voto pode ajudar postergar isso que é o que vai ocorrer mais cedo ou mais tarde. E, quanto mais tarde isso acontecer, melhor.

E dia a dia vamos caminhando, fazendo nossa jornada por trechos fáceis ou sofridos, fruto de nossas escolhas pessoais. O que determina o nosso futuro são as escolhas que fazemos agora. E se fazemos escolhas sem consciência dos desdobramentos futuros baseados somente em profecias e revelações (sabendo que hoje mais são instrumentos de manipulação humana que instrumentos efetivos de manifestação de Deus para nós), estaremos terceirizando nossa capacidade de avaliação e decisão à quem não tem direito algum para intervir em nossa consciência:. Só o Espírito Santo pode fazer isso em nós, sem risco de manipulações e sem qualquer espírito corporativista religioso envolvido.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Religião e cidadania


Ed René Kivitz

Igreja não vota. Igreja não faz aliança política. Igreja não apoia candidato. Igreja não se envolve com política partidária. Há pelo menos cinco razões para este posicionamento.

Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.

Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.

Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.

Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.

Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.

Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça.

Comparecer às urnas é um ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.

fonte: Pavablog

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Fim dos Tempos

foto de Pixação


A questão da maior intensidade e quantidade das mazelas no mundo é notória.

Entretanto estas sempre estiveram na história da humanidade.

Hoje com o acesso à informação que possuímos, sabemos destes eventos em um piscar de olhos... ou melhor, de um click de mouse...

Ainda assim se formos em alguns povoados ribeirinhos... ou quilombos... ou até mesmo nos rincões nordestinos veremos que o acesso à informação é escassa em muitos lugares ainda. Essa hecatombe de sinais ainda é uma realidade distante para quem tem que tirar da terra ou do rio sua subsistência.

Certamente nós, que vivemos em cidades com tanta gente em volta e acesso às mais variadas informações culturais e científicas, nos deixamos influenciar pelas notícias dando à elas as cores de nossas percepções.

Esquecemos o porquê da origem das cidades: fugir de Deus! (Gn. 4:13-24). Por isso somos assolados em nossa alma pela intensidade do mal que aflige as concentrações humanas. Onde há mais gente, mais maldade em potencial existe. Mas em compensação, podemos ser brindados com uma cura proporcionada pela ciência ou então pelo prazer de uma boa música ou boa amizade... os dois lados da mesma moeda.

Hoje em dia, a ciência se tornou a mais cabal voz profética dos antigos. Atesta que nosso planeta não aguenta mais ser objeto de saque desmensurado, onde para se ganhar eleições se prometa o padrão de vida do chamando "primeiro mundo" que já dilapidou seus recursos naturais. Por isso a terra "geme", "treme" e pede/toma de volta o que o homem em sua volúpia provocada e alimentada pelo pecado sacou.

A criação sofre em conjunto por causa do pecado. Não é mais preciso recorrer às profecias bíblicas para advertir a humanidade. Ironicamente a ciência, da qual o homem tanto jacta-se como sua legítima opositora à metafísica, une sua voz àquelas da antiguidade que em atos antes considerados de loucura advertiam ao homem que um dia as coisas que eram conhecidas teriam um fim.

sábado, 10 de julho de 2010

Sobre Deus

O Dedo de Deus - RJ


Não sei explicar as razões de minha fé. Não sei dizer os porquês de minha devoção. Sinto-me inadequado para convencer os indiferentes. Como fazer que desejem o mesmo sal que tempera o meu viver? Limitado, reconheço que tudo o que sei sobre o Divino é provisório. Não tenho como negar, minhas convicções vacilam. As certezas que me comovem são, decididamente, vagas.

Sei tão somente que Ele se tornou a minha meta, o meu norte, a minha nostalgia, o meu horizonte, o meu atracadouro. Empenhei o futuro para seguir os seus passos invisíveis. No dia em que o chamei de Senhor, a extensão do meu meridiano se alongou e os fragmentos de meu mapa existencial se encaixaram. Ao seu lado, caíram os tapumes da minha estrada e o ponteiro da minha bússola se imantou.

Sei tão somente que Ele se fez residente no campus dos meus pensamentos. Presente nos vôos da minha imaginação, transformou-se no mais doce ponto de minhas interrogações. Causa de toda inquietação, tornou-se a fonte de minha clarividência.

Sei tão somente que Ele se desfraldou como flâmula sobre meus ombros. Por amar tanto e tão formidavelmente, cilício, purgações, sacrifícios, tudo foi substituído por desassombro. No porão da tortura, nos suplícios culposos, achei um ambulatório, o seu regaço.

Livros contábeis, que registravam meus erros, foram rasgados. Encaro a eternidade com a sensação de que as sentenças estão suspensas. Já não fujo dEle como de um Átila. Eu o chamo de Clemente.

Sei tão somente que Ele ardeu o delicado filamento que acendeu a luz dos meus olhos. Ele foi o mourão que marcou o outeiro de minha alma; sou um jardim fechado. Ele é o badalo que dobra o sino do meu coração e o alforje onde guardo acertos e desacertos do meu destino.

Sei tão somente que Ele me fascina com a sua luz refratada em muitos matizes. Dele vem o encarnado que tinge a minha face com o rubor do sol. Seu amarelo me brinda com o açafrão do mistério transcendental. Vejo um roxo que me colore de púrpura real. Seu branco é lunar e me prateia. Seu preto me imprime de um nanquim celeste. Por sua causa, a minha alma espelha o azul dos oceanos virgens.

O que dizer de Deus? Tão pouco! Calado, só espero que o meu espanto celebre o tamanho da minha reverência.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

quinta-feira, 24 de junho de 2010

As contradições da prosperidade

Escrever sobre a teologia da prosperidade me deixou desconfortável e inquieto; não por achar o assunto irrelevante ou meu próprio tratamento dele impertinente, mas pela intuição de alguma contradição oculta que demorei quatro ou cinco dias para saber precisar.

A primeira coisa que me inquietou, e disso eu tinha consciência mesmo enquanto escrevia contra ela, foi ver o quanto a teologia da prosperidade é fácil de refutar. O testemunho da Bíblia como um todo e do Novo Testamento em particular pesam irresistivelmente contra todos os pressupostos dessa doutrina e contra todas as suas conclusões, com uma ênfase que espero ter sido capaz de pelo menos sugerir.

Mais difícil, e tenho pensado nisso nesses últimos dias, é explicar de que modo uma doutrina tão desconcertantemente contrária ao espírito cristão (e uso a expressão no sentido de “espírito de Jesus”) alcançou a popularidade que alcançou dentro de tantas facções da igreja formal. Nada é mais avesso à postura do Filho do Homem, como apresentado nos evangelhos, do que a ganância proposta por homens, justificada em nome de Deus e usada como ferramenta de manipulação.
Já foi observado que a teologia da prosperidade é manifestação de um cristianismo estelionatário populista; tudo nela foi projetado para atingir, manipular e defraudar as camadas mais pobres da população com a promessa de riqueza. Todos querem ficar ricos, mas em geral são os pobres ingênuos o bastante para comprar a promessa da riqueza incondicional – e parecem tornar-se especialmente vulneráveis à aquisição se a promessa vem embalada e adoçada com o discurso da devoção.

O que em geral deixamos de enxergar é que a teologia da prosperidade é apenas a versão menos sofisticada – e portanto mais honesta – de uma ideologia tão entranhada na postura da igreja ocidental que tornou-se em muitos sentidos indistinguível dela. Porque, numa igreja absolutamente rendida aos ideais do liberalismo econômico, todos querem ser ricos e não veem nada de errado nisso. Se de um lado as vítimas pobres da teologia da prosperidade perseguem a riqueza crendo que ela virá sem escalas da mão divina, os ricos e burgueses perseguem precisamente a mesma riqueza – apenas recusam-se a rebaixar-se à ilusão ou à fé de que ela virá de Deus e não de sua própria performance.

Nós que condenamos a imaturidade do mecanismo toma-lá-dá-cá da teologia da prosperidade buscamos sem cessar o mesmo resultado por outros meios. A maioria de nós nem perde o seu tempo associando a riqueza a Deus; estamos ocupados demais perseguindo uma e ignorando o outro. Da expressão “teologia da prosperidade” os mais articulados dentre nós sentem-se preparados para invalidar a parte da teologia, mas nosso modo de vida endossa sem equívoco a parte da prosperidade.

Dito de outra forma, a teologia da prosperidade só alcançou penetração entre os pobres porque a ideia subjacente – de que para um cristão ser rico é coisa honrosa, desejável e reverte em glória a Deus – estava há muito (digamos, desde a Reforma) presente na postura e nos discursos dos cristãos ricos e de classe média. Com nosso modo de vida fornecemos o fim; a teologia da prosperidade limita-se a vender os meios.

Porque não há como esconder: grosso modo, há duas posturas na relação do ser humano com a riqueza. A primeira é acumulativa, e pressupõe isolamento e escassez; a segunda é distributiva, e pressupõe comunhão e abundância. Se enxergamos com clareza a mesquinharia dos que seguem e propõem a teologia da prosperidade, não temos como negar que nossa postura é pelo menos tão acumulativa quanto a deles. Os cristãos mais ricos fornecem o modelo elitista e dinheirista que a teologia da prosperidade vem oferecer aos mais pobres.

Em conformidade com isso, há duas maneiras de se ler o Novo Testamento; a primeira finge encontrar nele justificativa para o modo acumulativo de viver e de lidar com a riqueza. Sua modalidade mais comum enfatiza a sabedoria e a soberania de Deus. Quem é rico, sustenta essa visão de mundo, não deve absolutamente sentir-se culpado por não participar da miséria do mundo; ao contrário, quem acontece de estar rico foi agraciado pelo favor insondável de Deus e incorre em grave erro se sentir-se inclinado a repartir o que tem. A tentação de abrir mão dos privilégios da riqueza equivale à tentação de resistir à vontade de Deus.

Segundo essa linha de pensamento, nenhum privilégio é injusto, porque são todos patrocinados pela soberania divina. Em vista disso, não cabe aos ricos assumir uma postura distributiva em relação à riqueza1, porque isso denotaria falta de fé na divina capacidade de transformar o mal em bem. Não sabemos os motivos da miséria do mundo, mas não devemos duvidar da bondade divina. É portanto por razões de devoção e fé, sustentam esses proponentes da prosperidade calvinista, que é necessário abrir mão de qualquer tentativa de corrigir o mundo. Mudar o mundo é, na verdade, rebeldia contra a divindade. Talvez pareça injusto que você seja rico e o seu próximo pobre, mas quem é você para julgar? Quem é você para questionar a soberania divina, que estabeleceu a distinção em primeiro lugar?

Em absoluto contraste com esse pensamento, o modo genuíno de se ler o Novo Testamento é encontrando nele um apelo constante e incontornável para que abracemos um modo distributivo de lidar com a riqueza. Assim falaram os profetas antes dele (“reparta o seu pão com o faminto, e cubra ao nu com vestido”), assim falou João Batista (“quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma”), assim falou Jesus (“tive fome e não me destes de comer”), assim fizeram os pioneiros do reino no livro de Atos (“tinham tudo em comum; e vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um”). Em cada caso e em todos os casos, a posição neo-testamentária com relação à riqueza é distributiva; que no Novo Testamento essa distribuição seja voluntária apenas contribui para confirmar a sua centralidade.

Semelhantemente, no Novo Testamento o impulso de reformar a sociedade não é jamais visto como rebeldia contra a vontade de Deus. Ao contrário; como vimos há pouco, o sentido mais essencial de “arrependimento” em Lucas/Atos é o de abraçar a vocação de mudar o mundo, no sentido de corrigir suas injustiças e anular os seus mecanismos de exclusão e de manipulação. A vocação do reino está em que somos enviados para corrigir a miséria do mundo com a mesma paixão que Jesus mostrou-se disposto a corrigir a nossa: esvaziando-se, repartindo-se, distribuindo-se – de modo a estar sempre conosco na mesa universal. Nossa conformidade com o espírito de Jesus corresponde rigorosamente à nossa disposição em seguir o trajeto dele em direção à generosidade e à pobreza. O Apóstolo disse-o da seguinte forma:

Vocês, que destacam-se em tudo, vejam que passem também a destacar-se na generosidade. Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vocês se fez pobre, para que pela sua pobreza fossem enriquecidos.

O que encontramos nesse “enriquecidos” diz absolutamente tudo sobre nós.

Paulo Brabo