No que creio e tento viver.
Entendo que a verdadeira rendenção espiritual não tem entre os seus agraciados aquelas pessoas que posam de santas e moralmente irrepreensíveis, tampouco aquelas que investem a sua vida em defender a doutrina melhor fundamentada em escritos ancestrais... vejo que ela é alcançada pelo pecador arrependido que, por assim se reconhecer e ciente de sua limitação, ousa não mais negociar com Deus o Seu favor mediante seus esforços pessoais mas, em um passo de fé, acredita na bondade intrínseca de seu Ser e nos méritos do Cristo crucificado e ressurreto respondendo à essa fé com uma nova postura, voltada à Deus e ao próximo sem fanatismos, dando assim sabor à sua vida e a dos que estão à seu redor neste mundo. E tudo isso é possível exclusivamente pela Graça de Deus, fruto de Seu amor por nós.
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sábado, 6 de agosto de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Igreja Primitiva x Igreja Atual
A Igreja Primitiva gozava de uma imagem pública positiva; A Igreja Atual tem Igreja primitiva x atual Igreja Primitiva x Igreja Atual uma imagem extremamente negativa diante do povo.
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A Igreja Primitiva fazia muito com pouco; A Igreja Atual com muito não faz nada (ou quase nada).
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A Igreja Primitiva tinha comunhão; A Igreja Atual apenas associação.
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A Igreja Primitiva tinha uma fé capaz de abalar o mundo; A Igreja Atual tem uma fé abalada por qualquer coisinha.
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A Igreja Primitiva tinha uma mensagem Cristocêntrica (por Ele, para Ele e N´Ele); A Igreja Atual tem uma mensagem Antropocêntrica (mensagens que massageiam os nossos egos, desejos e prioridades)..
A Igreja Primitiva fazia muito com pouco; A Igreja Atual com muito não faz nada (ou quase nada).
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A Igreja Primitiva tinha comunhão; A Igreja Atual apenas associação.
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A Igreja Primitiva tinha uma fé capaz de abalar o mundo; A Igreja Atual tem uma fé abalada por qualquer coisinha.
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A Igreja Primitiva não se importava com a concorrência; A Igreja Atual perde para a concorrência e faz concorrência entre si mesma.
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A Igreja Primitiva tinha doutrina; A Igreja Atual, apenas tradições.
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A Igreja Primitiva tinha membros à imagem de Deus; A Igreja Atual tem membros que são caricaturas de uma denominação.
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A Igreja Primitiva era procurada pelas pessoas; A Igreja Atual não é procurada e nem procura as pessoas (a não ser quando tem interesse em encher seus cofres com os “dízimos, primícias e afins” dos pobres fiéis manipulados).
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A Igreja Primitiva era perseguida pelo mundo; A Igreja Atual persegue a si mesma.
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A Igreja Primitiva se ocupava com o essencial (a vida em Cristo, o caráter cristão, o proceder com o semelhante etc); A Igreja Atual, com o trivial (tamanho do vestido, se usa brinco ou não, se o pregador usa terno e gravata – ao invés de se preocupar se o pregador tem vida com Deus e possui bom caráter).
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A Igreja Primitiva se interessava pelas pessoas perdidas fora de suas igrejas (como o nome ‘igreja’, no original, em grego, mesmo se traduz); A Igreja Atual se orgulha com o número de seus membros ($$).
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A Igreja Primitiva tinha culto; A Igreja Atual apenas liturgia ou entretenimento.
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A Igreja Primitiva crescia em qualidade e quantidade; A Igreja Atual, nem em qualidade.
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A Igreja Primitiva incomodava o mundo; A Igreja Atual se acomoda ao mundo e por isso é incomodado por ele.
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A Igreja Primitiva mudou o mundo de sua época; A Igreja Atual tem sido mudada pelo mundo atualmente.
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A Igreja Primitiva contava com membros que tinham vida de cristãos; A Igreja Atual tem apenas o nome de cristãos.
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A Igreja Primitiva tinha a maioria de suas atividades fora dos portões da igreja; A Igreja Atual já nem sabe o que está fazendo dentro dos portões da igreja.
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A Igreja Primitiva era temida pelos demônios; A Igreja Atual teme aos homens.
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A Igreja Primitiva estava disposta a morrer pelo Evangelho; A Igreja Atual não consegue nem viver o Evangelho.
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A Igreja Primitiva era uma tradução da Bíblia; A Igreja Atual tem apenas traduções da Bíblia.
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A Igreja Primitiva transformou a palavra escrita em palavra encarnada!
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Certa feita três teólogos discutiam entre si sobre qual era a melhor tradução da Bíblia, até que um deles disse: “A melhor tradução da Bíblia é minha mãe”; todos se silenciaram, então continuou ele: “Ela traduziu a Bíblia em atitude, em vida, e qualquer analfabeto podia ler e entender”.
Vi no Pavablog
A Igreja Primitiva não se importava com a concorrência; A Igreja Atual perde para a concorrência e faz concorrência entre si mesma.
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A Igreja Primitiva tinha doutrina; A Igreja Atual, apenas tradições.
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A Igreja Primitiva tinha membros à imagem de Deus; A Igreja Atual tem membros que são caricaturas de uma denominação.
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A Igreja Primitiva era procurada pelas pessoas; A Igreja Atual não é procurada e nem procura as pessoas (a não ser quando tem interesse em encher seus cofres com os “dízimos, primícias e afins” dos pobres fiéis manipulados).
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A Igreja Primitiva era perseguida pelo mundo; A Igreja Atual persegue a si mesma.
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A Igreja Primitiva se ocupava com o essencial (a vida em Cristo, o caráter cristão, o proceder com o semelhante etc); A Igreja Atual, com o trivial (tamanho do vestido, se usa brinco ou não, se o pregador usa terno e gravata – ao invés de se preocupar se o pregador tem vida com Deus e possui bom caráter).
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A Igreja Primitiva se interessava pelas pessoas perdidas fora de suas igrejas (como o nome ‘igreja’, no original, em grego, mesmo se traduz); A Igreja Atual se orgulha com o número de seus membros ($$).
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A Igreja Primitiva tinha culto; A Igreja Atual apenas liturgia ou entretenimento.
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A Igreja Primitiva crescia em qualidade e quantidade; A Igreja Atual, nem em qualidade.
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A Igreja Primitiva incomodava o mundo; A Igreja Atual se acomoda ao mundo e por isso é incomodado por ele.
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A Igreja Primitiva mudou o mundo de sua época; A Igreja Atual tem sido mudada pelo mundo atualmente.
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A Igreja Primitiva contava com membros que tinham vida de cristãos; A Igreja Atual tem apenas o nome de cristãos.
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A Igreja Primitiva tinha a maioria de suas atividades fora dos portões da igreja; A Igreja Atual já nem sabe o que está fazendo dentro dos portões da igreja.
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A Igreja Primitiva era temida pelos demônios; A Igreja Atual teme aos homens.
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A Igreja Primitiva estava disposta a morrer pelo Evangelho; A Igreja Atual não consegue nem viver o Evangelho.
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A Igreja Primitiva era uma tradução da Bíblia; A Igreja Atual tem apenas traduções da Bíblia.
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A Igreja Primitiva transformou a palavra escrita em palavra encarnada!
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Certa feita três teólogos discutiam entre si sobre qual era a melhor tradução da Bíblia, até que um deles disse: “A melhor tradução da Bíblia é minha mãe”; todos se silenciaram, então continuou ele: “Ela traduziu a Bíblia em atitude, em vida, e qualquer analfabeto podia ler e entender”.
Vi no Pavablog
domingo, 20 de fevereiro de 2011
John Piper fala sobre a Teologia da Prosperidade
Tenho ressalvas quanto algumas posições do John Piper -especialmente quanto ao "cristianismo" que ele defende- mas não posso negar que foi muito preciso em expor de maneira tão clara e consistente a falácia da teologia da prosperidade, da qual eu fui vítima. As seqüelas dessa perversão teológica que elencou são verdadeiras. Faltou somente expor o lento e dolorido processo de cura para quem se submeteu à essa armadilha diabólica.
Ví o vídeo no Genizah
Ví o vídeo no Genizah
sábado, 27 de novembro de 2010
Indústria do Testemunho
Certamente Cristo continua libertando e curando vidas, também através da ação de Sua igreja no nosso planeta. Mas nem a igreja, nem ser humano algum é o validador dos milagres de Jesus. Ele mesmo é quem afiança a veracidade de Sua operação, intra e extra-igreja. Isso por si, basta para quem crê.
Tenho visto como Deus usa o ser humano -apesar de suas limitações- e a sua interdependência, incluindo aí gente que a "igreja" classifica como "ímpia", para serem canais de Suas bençãos uns aos outros em ações simples no dia-a-dia. O acionamento de uma simples rede de contatos aliado a um sentimento de solidariedade, pode trazer rápida resposta à uma oração.
Quantos testemunhos já se ouviu de respostas de oração através de alguém que conhecia não sei quem, que pôde agir nos limites de sua habilidade e relacionamentos para fazer o bem ao suplicante? Ou outros testemunhos onde anonimamente alguém fez algo por um desconhecido que o livrou?
Por isso vejo que Deus usa muito mais as capacidades naturais do ser humano para operar milagres que as alegadas intervenções sobrenaturais -que, sim ocorrem quando Lhe apraz!- , contrariamente ao que a igreja evangélica tem alardeado na mídia.
Na minha vivência pelo circuito evangélico/goshpél, não só aprendi como constatei que freqüentemente quem testemunha de uma libertação pessoal jactando-se da suposta maldade sua vida pregressa potencializando o poder da libertação recebida/testemunhada (normalmente sempre à luz do fundamentalismo religioso e quase nunca sob o ponto-de-vista do Evangelho) acaba se tornando um "testemunheiro profissional" que recebe um cachê da igreja/comunidade para contar seu "poderoso" testemunho -muitas vezes sem qualquer comprovação da veracidade do que diz- ou então, apesar do testemunho, a pessoa ainda não está plenamente convicta de sua libertação.
No primeiro caso o irmão até começa essa história de contar seu testemunho com sinceridade... mas quando percebe que as ofertas vindas desse seu ato de testemunhar ajuda -e muito- suas finanças, acaba aderindo à "malandragem evangélica" e começa a agir profissionalmente com direito a agente e agenda, pois descobriu que o crente sensibilizado pela experiência com o divino via de regra é ingênuo e crédulo, portanto fácil de enganar.
A evolução (na realidade, "involução") disso –e conseqüentemente com maiores ganhos- é quando além de “testemunheiro” o ser se apresenta como “profeteiro”, “reveleiro” ou “missionário”. Hoje muitos líderes evangélicos carismáticos em evidência, começaram sua carreira religiosa assim e tornaram-se em meio de sobrevivência para muitos. E assumem na cara-de-pau que as coisas sempre foram e sempre serão assim e não tem porque mudar.
No segundo caso, a necessidade de testemunhar sobre a “libertação” tem mais a ver com um mecanismo de auto-convencimento que de libertação objetiva. O cara tem até uns sinais de que a intensidade da coisa que o atormentava diminuiu muito ou que sumiu por algum tempo após ter “aceitado Jesus”, o que supostamente lhe daria “autoridade” para testemunhar sobre o seu caso específico de libertação.
No entanto é muito comum o caso de recorrência nos vícios e pecados anteriormente testemunhados como coisas do passado. Estas “quedas” são silenciosas, rotineiras e, se o “testemunheiro” já é uma pessoa relativamente conhecida e com um “ministério” (ou seja, já rola grana e tem gente se sustenta através disso), abafadas a todo custo.
Esse tipo de "ministério" se retroalimenta de testemunhos: dos do fundador -normalmente um mais fantástico que o outro, no afã de manter em alta a atratividade de seu "ministério"- e daqueles dos que se dizem atingidos pelo efeito de seus testemunhos em um processo de retrolimentação onde chega um ponto onde não mais se discerne a realidade da fantasia religiosa. Quando não interpretam a bíblia de modo a respaldar esse processo catártico, nunca a utilizando como aferidor da legitimidade de suas práticas dentro dos princípios espirituais lançados pelo próprio Senhor Jesus.
O vídeo acima é um exemplo disso. Não coloco em dúvida a palavra da senhora que alega que a cura de sua prisão de ventre seja um milagre de Deus. Se ela disse, porque eu a contestaria? Acredito que alguém pode ter sido edificado com esse testemunho. No entanto apesar de lícito, convém o modo e a maneira que foi utilizado pela instituição?
O Senhor Jesus alerta aos seus discípulos quando enviados a pregar o evangelho e operar maravilhas -com especial prioridade aos da casa de Israel- que estes procurassem ter em seu ser a simplicidade das pombas aliada à prudência das serpentes. Veja-se que Jesus não excluiu que tal maneira de agir devesse ser abolida ao encontrarem aqueles que pela lei eram considerados filhos de Deus.
Por isso entendo que convém à igreja como comunidade da fé cristã e também terapêutica no desenvolvimento de habilidades e envolvimento do ser humano, acompanhar com zelo, amor, compreensão e apoio em casos de recaída os casos de libertação para que não se perpetuem no futuro como um meio espúrio de ganhar a vida no meio cristão, tampouco um escape psicológico, ambos com possibilidades de se tornarem um aparato religioso que perverte a vida comunitária da Igreja.
Paz!
Tenho visto como Deus usa o ser humano -apesar de suas limitações- e a sua interdependência, incluindo aí gente que a "igreja" classifica como "ímpia", para serem canais de Suas bençãos uns aos outros em ações simples no dia-a-dia. O acionamento de uma simples rede de contatos aliado a um sentimento de solidariedade, pode trazer rápida resposta à uma oração.
Quantos testemunhos já se ouviu de respostas de oração através de alguém que conhecia não sei quem, que pôde agir nos limites de sua habilidade e relacionamentos para fazer o bem ao suplicante? Ou outros testemunhos onde anonimamente alguém fez algo por um desconhecido que o livrou?
Por isso vejo que Deus usa muito mais as capacidades naturais do ser humano para operar milagres que as alegadas intervenções sobrenaturais -que, sim ocorrem quando Lhe apraz!- , contrariamente ao que a igreja evangélica tem alardeado na mídia.
Na minha vivência pelo circuito evangélico/goshpél, não só aprendi como constatei que freqüentemente quem testemunha de uma libertação pessoal jactando-se da suposta maldade sua vida pregressa potencializando o poder da libertação recebida/testemunhada (normalmente sempre à luz do fundamentalismo religioso e quase nunca sob o ponto-de-vista do Evangelho) acaba se tornando um "testemunheiro profissional" que recebe um cachê da igreja/comunidade para contar seu "poderoso" testemunho -muitas vezes sem qualquer comprovação da veracidade do que diz- ou então, apesar do testemunho, a pessoa ainda não está plenamente convicta de sua libertação.
No primeiro caso o irmão até começa essa história de contar seu testemunho com sinceridade... mas quando percebe que as ofertas vindas desse seu ato de testemunhar ajuda -e muito- suas finanças, acaba aderindo à "malandragem evangélica" e começa a agir profissionalmente com direito a agente e agenda, pois descobriu que o crente sensibilizado pela experiência com o divino via de regra é ingênuo e crédulo, portanto fácil de enganar.
A evolução (na realidade, "involução") disso –e conseqüentemente com maiores ganhos- é quando além de “testemunheiro” o ser se apresenta como “profeteiro”, “reveleiro” ou “missionário”. Hoje muitos líderes evangélicos carismáticos em evidência, começaram sua carreira religiosa assim e tornaram-se em meio de sobrevivência para muitos. E assumem na cara-de-pau que as coisas sempre foram e sempre serão assim e não tem porque mudar.
No segundo caso, a necessidade de testemunhar sobre a “libertação” tem mais a ver com um mecanismo de auto-convencimento que de libertação objetiva. O cara tem até uns sinais de que a intensidade da coisa que o atormentava diminuiu muito ou que sumiu por algum tempo após ter “aceitado Jesus”, o que supostamente lhe daria “autoridade” para testemunhar sobre o seu caso específico de libertação.
No entanto é muito comum o caso de recorrência nos vícios e pecados anteriormente testemunhados como coisas do passado. Estas “quedas” são silenciosas, rotineiras e, se o “testemunheiro” já é uma pessoa relativamente conhecida e com um “ministério” (ou seja, já rola grana e tem gente se sustenta através disso), abafadas a todo custo.
Esse tipo de "ministério" se retroalimenta de testemunhos: dos do fundador -normalmente um mais fantástico que o outro, no afã de manter em alta a atratividade de seu "ministério"- e daqueles dos que se dizem atingidos pelo efeito de seus testemunhos em um processo de retrolimentação onde chega um ponto onde não mais se discerne a realidade da fantasia religiosa. Quando não interpretam a bíblia de modo a respaldar esse processo catártico, nunca a utilizando como aferidor da legitimidade de suas práticas dentro dos princípios espirituais lançados pelo próprio Senhor Jesus.
O vídeo acima é um exemplo disso. Não coloco em dúvida a palavra da senhora que alega que a cura de sua prisão de ventre seja um milagre de Deus. Se ela disse, porque eu a contestaria? Acredito que alguém pode ter sido edificado com esse testemunho. No entanto apesar de lícito, convém o modo e a maneira que foi utilizado pela instituição?
O Senhor Jesus alerta aos seus discípulos quando enviados a pregar o evangelho e operar maravilhas -com especial prioridade aos da casa de Israel- que estes procurassem ter em seu ser a simplicidade das pombas aliada à prudência das serpentes. Veja-se que Jesus não excluiu que tal maneira de agir devesse ser abolida ao encontrarem aqueles que pela lei eram considerados filhos de Deus.
Por isso entendo que convém à igreja como comunidade da fé cristã e também terapêutica no desenvolvimento de habilidades e envolvimento do ser humano, acompanhar com zelo, amor, compreensão e apoio em casos de recaída os casos de libertação para que não se perpetuem no futuro como um meio espúrio de ganhar a vida no meio cristão, tampouco um escape psicológico, ambos com possibilidades de se tornarem um aparato religioso que perverte a vida comunitária da Igreja.
Paz!
domingo, 24 de outubro de 2010
A graça de Deus
Ed René Kivitz
Contam que certa vez C. S. Lewis adentrou ao auditório de um congresso religioso e observou acalorada discussão. Perguntou a quem estava sentado ao lado qual a razão de tanto palavrório. Estão discutindo qual é a distinção do Cristianismo em relação às outras religiões, esclareceu o homem. Simples, comentou Lewis, sem hesitar: a graça de Deus.
De fato, todas as religiões estão baseadas no esforço pessoal e no princípio da justiça retributiva. Somente o Cristianismo apresenta a possibilidade de um relacionamento entre Deus e os homens além das fronteiras do mérito e demérito.
Infelizmente, as palavras de Lewis, dos pais do protestantantismo e, pior, uma das afirmações mais categóricas e fundamentais do Novo Testamento, se perderam na poeira do fenômeno religião de consumo, onde os deuses disputam melhores lugares nas prateleiras do mercado religioso. Poucos cristãos, ou que se dizem cristãos, compreendem o que seja a graça de Deus. Arrisco, portanto, algumas sugestões.
A graça de Deus é o favor imerecido de Deus para com a humanidade. [Mateus 5.45; Efésios 2.8-10; Tiago 1.17,18; 2Pedro 1.3]
A graça de Deus é a disposição de Deus em tratar bem aqueles que o rejeitam e dar coisas boas a quem não lhe quer bem ou mesmo sequer reconhece sua existência. [Mateus 5.41-48]
A graça de Deus é a boa vontade de Deus, a predisposição positiva de Deus, o desejo de abençoar, a intenção constante de fazer o bem e agir com bondade em relação ao universo criado e a humanidade. [Êxodo 33.19; Salmo 100.5; 2Crônicas 16.9; Jeremias 29.11; 33.3; Hebreus 4.16]
A graça de Deus é a interpelação, o apelo, o chamamento, o convite, a insistente convocação de Deus para que a humanidade se renda à sua bondade. [Hebreus 1.1,2; 3.7; 3.15; 4.7; Atos 14.16,17; 26.14]
A graça de Deus é o fluxo constante de amor e vida divinos que sustentam o universo e a humanidade. [Isaías 18.4; Atos 17.28; Romanos 11.33-36; Hebreus 1.3]
A graça de Deus é a energia ativa, o poder abençoador, a força, o empurrão que Deus imprime no universo e na humanidade para que o bem e o bom possam existir. [1Coríntios 15.10; Filipenses 2.13,14; Colossenses 1.29]
A graça de Deus é a ação e o trabalho de Deus em favor do universo e da humanidade. [Salmo 37.5; Isaías 64.4; Mateus 6.25-34; Filipenses 4.19; 1Pedro 5.7]
A graça de Deus é a oportunidade, chance, concessão, permissão, autorização que Deus concede à humanidade para que experimente sua bondade e participe de seus atos bondosos. [Isaías 55.6; 2Coríntios 8.1]
A vida não se explica sem a graça de Deus: Deus tudo criou, tudo sustenta e a todos concede vida e fôlego para que existam, inclusive em rebeldia e de maneira contrária ao seu caráter três vezes Santo. O Deus cristão é o Deus de toda a graça [Isaías 6.1-5; Atos 17.24,25; 1Pedro 5.10]
A graça de Deus está presente inclusive onde a igreja ainda não está e onde o evangelho ainda não chegou. [Atos 10.31; 14.16,17]
O mundo, a humanidade e o futuro são viáveis pelo fato de estarem sob a graça de Deus. Vale a pena fazer o bem, vale a pena semear para a justiça e a paz, pois a mão de Deus está promovendo e agindo em cooperação para trazer à existência o que é bom. [Romanos 8.28-30]
Toda e qualquer experiência humana do amor; todos os atos de justiça, compaixão, e solidariedade; todas as expressões da ética e da estética; a arte e a cultura; a ciência, a tecnologia e o trabalho; as filosofias e sabedorias; a ordem, a estrutura inteligente e a coerência lógica da realidade física, orgânica e social; o prazer, a alegria e o contentamento; a superação, a possibilidade de começar de novo, e a inovação; a rebeldia contra a morte e tudo quanto a promove, sustenta ou representa; as possibilidades utópicas em relação ao futuro; a fé, a esperança e a paz, se explicam pela graça de Deus.
A expressão máxima da graça de Deus é a presença de Jesus Cristo no mundo, e tudo quanto com ele irrompe como possibilidade para a natureza criada e a humanidade como fruto de sua vida, morte e ressurreição. Como bem disse o apóstolo João [1.14], Jesus é a verdade cheia de graça.
Fonte: Ibab, via Pavablog
Contam que certa vez C. S. Lewis adentrou ao auditório de um congresso religioso e observou acalorada discussão. Perguntou a quem estava sentado ao lado qual a razão de tanto palavrório. Estão discutindo qual é a distinção do Cristianismo em relação às outras religiões, esclareceu o homem. Simples, comentou Lewis, sem hesitar: a graça de Deus.
De fato, todas as religiões estão baseadas no esforço pessoal e no princípio da justiça retributiva. Somente o Cristianismo apresenta a possibilidade de um relacionamento entre Deus e os homens além das fronteiras do mérito e demérito.
Infelizmente, as palavras de Lewis, dos pais do protestantantismo e, pior, uma das afirmações mais categóricas e fundamentais do Novo Testamento, se perderam na poeira do fenômeno religião de consumo, onde os deuses disputam melhores lugares nas prateleiras do mercado religioso. Poucos cristãos, ou que se dizem cristãos, compreendem o que seja a graça de Deus. Arrisco, portanto, algumas sugestões.
A graça de Deus é o favor imerecido de Deus para com a humanidade. [Mateus 5.45; Efésios 2.8-10; Tiago 1.17,18; 2Pedro 1.3]
A graça de Deus é a disposição de Deus em tratar bem aqueles que o rejeitam e dar coisas boas a quem não lhe quer bem ou mesmo sequer reconhece sua existência. [Mateus 5.41-48]
A graça de Deus é a boa vontade de Deus, a predisposição positiva de Deus, o desejo de abençoar, a intenção constante de fazer o bem e agir com bondade em relação ao universo criado e a humanidade. [Êxodo 33.19; Salmo 100.5; 2Crônicas 16.9; Jeremias 29.11; 33.3; Hebreus 4.16]
A graça de Deus é a interpelação, o apelo, o chamamento, o convite, a insistente convocação de Deus para que a humanidade se renda à sua bondade. [Hebreus 1.1,2; 3.7; 3.15; 4.7; Atos 14.16,17; 26.14]
A graça de Deus é o fluxo constante de amor e vida divinos que sustentam o universo e a humanidade. [Isaías 18.4; Atos 17.28; Romanos 11.33-36; Hebreus 1.3]
A graça de Deus é a energia ativa, o poder abençoador, a força, o empurrão que Deus imprime no universo e na humanidade para que o bem e o bom possam existir. [1Coríntios 15.10; Filipenses 2.13,14; Colossenses 1.29]
A graça de Deus é a ação e o trabalho de Deus em favor do universo e da humanidade. [Salmo 37.5; Isaías 64.4; Mateus 6.25-34; Filipenses 4.19; 1Pedro 5.7]
A graça de Deus é a oportunidade, chance, concessão, permissão, autorização que Deus concede à humanidade para que experimente sua bondade e participe de seus atos bondosos. [Isaías 55.6; 2Coríntios 8.1]
A vida não se explica sem a graça de Deus: Deus tudo criou, tudo sustenta e a todos concede vida e fôlego para que existam, inclusive em rebeldia e de maneira contrária ao seu caráter três vezes Santo. O Deus cristão é o Deus de toda a graça [Isaías 6.1-5; Atos 17.24,25; 1Pedro 5.10]
A graça de Deus está presente inclusive onde a igreja ainda não está e onde o evangelho ainda não chegou. [Atos 10.31; 14.16,17]
O mundo, a humanidade e o futuro são viáveis pelo fato de estarem sob a graça de Deus. Vale a pena fazer o bem, vale a pena semear para a justiça e a paz, pois a mão de Deus está promovendo e agindo em cooperação para trazer à existência o que é bom. [Romanos 8.28-30]
Toda e qualquer experiência humana do amor; todos os atos de justiça, compaixão, e solidariedade; todas as expressões da ética e da estética; a arte e a cultura; a ciência, a tecnologia e o trabalho; as filosofias e sabedorias; a ordem, a estrutura inteligente e a coerência lógica da realidade física, orgânica e social; o prazer, a alegria e o contentamento; a superação, a possibilidade de começar de novo, e a inovação; a rebeldia contra a morte e tudo quanto a promove, sustenta ou representa; as possibilidades utópicas em relação ao futuro; a fé, a esperança e a paz, se explicam pela graça de Deus.
A expressão máxima da graça de Deus é a presença de Jesus Cristo no mundo, e tudo quanto com ele irrompe como possibilidade para a natureza criada e a humanidade como fruto de sua vida, morte e ressurreição. Como bem disse o apóstolo João [1.14], Jesus é a verdade cheia de graça.
Fonte: Ibab, via Pavablog
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Marina: um novo ícone evangélico?
E vamos para o segundo turno. Há alguns dias atrás postei uma reflexão do Marcelo Quintela no Pavablog que representa bem o efeito “Marina” no meio evangélico.
Tendo em perspectiva o texto que citei, deixemos de lado por um momento as paixões e os ideais políticos. Nem que fosse só para a “igreja” perceber a enorme distância entre sua prática e a mensagem do evangelho, a campanha presidencial deste ano já teria valido. Isso se ela tivesse "semancol" suficiente para perceber que está em palpos de aranha, o que não parece ter ocorrido ainda.
Marina, apesar dos predicados que possui como coerência, firmeza e caráter, ainda pode frustrar quem vê nela o ícone de algo que só o Evangelho pode traduzir. Longe de juízos pessoais, mas lastreado na verdade da Palavra, Marina tal como nós está sujeita à lei do pecado e à misericórdia da graça. Seu caráter não pode afastar de nós a lembrança de que tal como nós, ela pode nos surpreender com suas decisões tanto favoravelmente como negativamente. A prosseguir o modo como o meio evangélico a vem incensando, isso no futuro só pode terminar de um jeito: com decepção. Esse é o roteiro iconoclasta cristão.
Não transformemos Marina em um ícone político-religioso. Que a vejamos como alguém que aprouve ao Senhor levantar nesses dias, para que o Seu propósito se estabeleça dentro de um regime democrático de governo pela força do voto popular -independente de suas virtudes, frágeis por excelência, como é com qualquer um de nós. E que a cubramos com nossa intercessão pelas decisões que deverá tomar nestes dias respaldada pelos quase vinte milhões de votos que recebeu.
Apesar de na opinião de muitos de que agora o pleito se resumirá à escolha do candidato menos ruim, não cedamos aos apelos assombrosos ou profeteiros, muito menos à argumentações sem consistência em favor ou contra algum dos candidatos –muito menos mentiras e boatos. Esse turno exige de nós muito mais que simpatia ou fé nas promessas feitas: exige redobrado cuidado na escolha de nosso voto, lastreado em premissas que permitam à nossa consciência estar pacficada com a opção de candidatura escolhida.
E, como cristãos, procurarmos ser sempre sensíveis às percepções pessoais que o Espírito Santo nos leve a ter nessa questão, colhendo informações confiáveis sobre os candidatos, lançando fora o medo e levando nosso voto em oração à Deus permitindo que Ele nos guie nessa decisão. Somente Ele e mais ninguém.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Religião e cidadania

Ed René Kivitz
Igreja não vota. Igreja não faz aliança política. Igreja não apoia candidato. Igreja não se envolve com política partidária. Há pelo menos cinco razões para este posicionamento.
Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça.
Comparecer às urnas é um ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.
fonte: Pavablog
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Respondendo à questões - 2
questão proposta em um fórum de debate sobre Malaquias 3:10:
O contexto de aplicação de Malaquias 3:10 é a vigência da velha aliança, onde a obediência à lei era o parâmetro de relacionamento espiritual entre os homens e Deus.
Manter a tribo de Levi era obrigação das demais tribos de Israel conforme a lei mosaica, uma vez que esta foi designada por Deus para serem uma linhagem de sacerdotes da aliança em vigor e sem direito à possessão de terra, sendo que sua única herança era o Senhor.
Segundo a cronologia bíblica o profeta Malaquias viveu e exerceu seu chamado na época de Neemias e a reconstrução dos muros de Jerusalém ou em momento imediatamente posterior a esse. Como o povo israelita havia sido disperso, os cuidados com a manutenção do templo e dos levitas foram relaxados e essa infidelidade à manifestação expressa por Deus na lei mosaica foi denunciada por Malaquias.
Neemias criou um sistema centralizado de coleta e distribuição das ofertas aos levitas, visando a restauração do sacerdócio levítico e a conseqüente manutenção da ordem da aliança em vigor, que dependia da existência e do exercício do oficio sacerdotal para subsistir. Esse sistema centralizado em Jesusalém era a "Casa do Tesouro", onde todas as ofertas eram coletadas e distribuidas pelo país todo aos levitas conforme a necessidade de cada família sacerdotal visando a restauração do ofício sacerdotal no período pós-exílio.
Se voltarmos à lei mosaica veremos que Deus apresenta ao povo de Israel dois caminhos dentro da aliança ali pactuada: a bênção para quem obedecer a Seus estatutos e a maldição para quem desobedecê-los. Se era obrigação das demais tribos sustentar a tribo de Levi e estes não estavam cumprindo com sua obrigação mediante a aliança que fizeram com Deus, obviamente estavam recebendo como recompensa a maldição.
E, segundo essa mesma aliança, se eles se arrependessem e voltassem a sustentar a tribo sacerdotal, eles seriam alvo de bênçãos. Nada além daquilo que já vigorava como prática.
Portanto, quando Deus CONVIDA (e, veja bem, não OBRIGA) a que se volte a sustentar o oficio sacerdotal conforme o modelo de custeio divino expresso na lei, Ele nada mais do que reafirma que Sua Palavra é verdadeira e que o tempo não apagou de Sua memória que Ele prometeu recompensar com bens aquele que age em obediência à lei no quesito manutenção do ofício sacerdotal.
Lembrando sempre que isso era o contexto da velha aliança, onde havia uma lei expressa e um sacerdócio constituído para cuidar de que esta fosse obedecida.
Mas e agora com a Nova Aliança?
Também existe uma lei, agora não mais escrita nas tábuas, mas no coração; e um sacerdócio não mais constituído externamente, mas pessoal.
Portanto, à priori, o modelo de custeio sacerdotal da velha aliança não mais tem razão de existir. O Espírito de Deus foi derramado sobre todos os que O receberam em Cristo, para que todos sejam sacerdotes de si mesmos e guiados diretamente por Deus. ALELUIA!!!!
Entretanto, reconhecemos que esse mesmo Espírito reparte dons e ministérios aos homens e muitos deles dedicam-se diligentemente e integralmente ao ministério da palavra. E Paulo recomenda que esses homens sejam honrados pela igreja com a manutenção de sua família, pois digno é o trabalhador de seu salário.
Paulo mesmo apresenta o modelo de custeio das atividades da igreja na nova aliança, que era o mesmo que Jesus utilizava tendo Judas como administrador: a liberalidade em contribuir dos atingidos pela Graça do Evangelho.
Jesus era sustentado pelas ofertas voluntárias de seus seguidores. Os apóstolos também. A questão é que como nos primórdios da igreja não havia ainda os textos do NT organizados e conhecidos como hoje, a igreja lançou mão dos escritos do VT como base para elaborar suas doutrinas, o que gerou dissonâncias entre a doutrina concebida e a palavra pregada pelos apóstolos, a ponto de surgirem rusgas ente Paulo e Pedro, bem como inúmeros alertas de Paulo em suas cartas sobre o perigo do retorno à lei, sendo que a partir de Cristo vigora-se a lei da Graça.
Daí vermos enraizado nos costumes da igreja desde seu início uma série de limbos doutrinários, incluindo esse do condicionamento do recebimento da benção material a uma contribuição, que pela nova aliança segundo Paulo já nos foi dada graciosamente junto com Cristo pelo Pai das luzes.
Ainda que se dizime ou oferte a pedido da igreja (o que lhe é lícito assim proceder visto a recomendação de Paulo no tocante à manutenção dos ministros e das despesas de manutenção), essa doação deve ser feita com coração liberal e com alegria no valor que voluntariamente se proponha no coração (nada dessa história de "deixa Deus dizer quanto você deve dar", indução psicológica de massas), sabendo que a contribuição é meio de manifestação de gratidão pela tão grande salvação obtida por Cristo para nós. Não meio de se obter as bênçãos que já nos foram dadas pelo Pai. Esse papo de promessa de Malaquias 3 na igreja é como querer vender ao caipira incauto a ponte Rio-Niterói sob a promessa de que não precisará mais pagar pedágio para atravessá-la.
Esse é meu entendimento.
Paz!
O contexto de aplicação de Malaquias 3:10 é a vigência da velha aliança, onde a obediência à lei era o parâmetro de relacionamento espiritual entre os homens e Deus.
Manter a tribo de Levi era obrigação das demais tribos de Israel conforme a lei mosaica, uma vez que esta foi designada por Deus para serem uma linhagem de sacerdotes da aliança em vigor e sem direito à possessão de terra, sendo que sua única herança era o Senhor.
Segundo a cronologia bíblica o profeta Malaquias viveu e exerceu seu chamado na época de Neemias e a reconstrução dos muros de Jerusalém ou em momento imediatamente posterior a esse. Como o povo israelita havia sido disperso, os cuidados com a manutenção do templo e dos levitas foram relaxados e essa infidelidade à manifestação expressa por Deus na lei mosaica foi denunciada por Malaquias.
Neemias criou um sistema centralizado de coleta e distribuição das ofertas aos levitas, visando a restauração do sacerdócio levítico e a conseqüente manutenção da ordem da aliança em vigor, que dependia da existência e do exercício do oficio sacerdotal para subsistir. Esse sistema centralizado em Jesusalém era a "Casa do Tesouro", onde todas as ofertas eram coletadas e distribuidas pelo país todo aos levitas conforme a necessidade de cada família sacerdotal visando a restauração do ofício sacerdotal no período pós-exílio.
Se voltarmos à lei mosaica veremos que Deus apresenta ao povo de Israel dois caminhos dentro da aliança ali pactuada: a bênção para quem obedecer a Seus estatutos e a maldição para quem desobedecê-los. Se era obrigação das demais tribos sustentar a tribo de Levi e estes não estavam cumprindo com sua obrigação mediante a aliança que fizeram com Deus, obviamente estavam recebendo como recompensa a maldição.
E, segundo essa mesma aliança, se eles se arrependessem e voltassem a sustentar a tribo sacerdotal, eles seriam alvo de bênçãos. Nada além daquilo que já vigorava como prática.
Portanto, quando Deus CONVIDA (e, veja bem, não OBRIGA) a que se volte a sustentar o oficio sacerdotal conforme o modelo de custeio divino expresso na lei, Ele nada mais do que reafirma que Sua Palavra é verdadeira e que o tempo não apagou de Sua memória que Ele prometeu recompensar com bens aquele que age em obediência à lei no quesito manutenção do ofício sacerdotal.
Lembrando sempre que isso era o contexto da velha aliança, onde havia uma lei expressa e um sacerdócio constituído para cuidar de que esta fosse obedecida.
Mas e agora com a Nova Aliança?
Também existe uma lei, agora não mais escrita nas tábuas, mas no coração; e um sacerdócio não mais constituído externamente, mas pessoal.
Portanto, à priori, o modelo de custeio sacerdotal da velha aliança não mais tem razão de existir. O Espírito de Deus foi derramado sobre todos os que O receberam em Cristo, para que todos sejam sacerdotes de si mesmos e guiados diretamente por Deus. ALELUIA!!!!
Entretanto, reconhecemos que esse mesmo Espírito reparte dons e ministérios aos homens e muitos deles dedicam-se diligentemente e integralmente ao ministério da palavra. E Paulo recomenda que esses homens sejam honrados pela igreja com a manutenção de sua família, pois digno é o trabalhador de seu salário.
Paulo mesmo apresenta o modelo de custeio das atividades da igreja na nova aliança, que era o mesmo que Jesus utilizava tendo Judas como administrador: a liberalidade em contribuir dos atingidos pela Graça do Evangelho.
Jesus era sustentado pelas ofertas voluntárias de seus seguidores. Os apóstolos também. A questão é que como nos primórdios da igreja não havia ainda os textos do NT organizados e conhecidos como hoje, a igreja lançou mão dos escritos do VT como base para elaborar suas doutrinas, o que gerou dissonâncias entre a doutrina concebida e a palavra pregada pelos apóstolos, a ponto de surgirem rusgas ente Paulo e Pedro, bem como inúmeros alertas de Paulo em suas cartas sobre o perigo do retorno à lei, sendo que a partir de Cristo vigora-se a lei da Graça.
Daí vermos enraizado nos costumes da igreja desde seu início uma série de limbos doutrinários, incluindo esse do condicionamento do recebimento da benção material a uma contribuição, que pela nova aliança segundo Paulo já nos foi dada graciosamente junto com Cristo pelo Pai das luzes.
Ainda que se dizime ou oferte a pedido da igreja (o que lhe é lícito assim proceder visto a recomendação de Paulo no tocante à manutenção dos ministros e das despesas de manutenção), essa doação deve ser feita com coração liberal e com alegria no valor que voluntariamente se proponha no coração (nada dessa história de "deixa Deus dizer quanto você deve dar", indução psicológica de massas), sabendo que a contribuição é meio de manifestação de gratidão pela tão grande salvação obtida por Cristo para nós. Não meio de se obter as bênçãos que já nos foram dadas pelo Pai. Esse papo de promessa de Malaquias 3 na igreja é como querer vender ao caipira incauto a ponte Rio-Niterói sob a promessa de que não precisará mais pagar pedágio para atravessá-la.
Esse é meu entendimento.
Paz!
domingo, 23 de agosto de 2009
9,5 Teses contra as indulgências do Neo-evangicalismo
1. Não aceite bençãos, curas e milagres em troca de um "sacrifício" financeiro, seja ele de R$1,00 ou R$1.000,00... Cristo já fez o Sacrifício... conforme o cristianismo bíblico, todo o que se "sacrifica" ou paga penitência para conquistar algo em Deus, seja da forma que for, nega o sacrifício de Cristo na cruz. Cristianismo é descansar em Deus e não se sacrificar por Ele. Aquele que se sacrifica faz algo inútil e repulsivo aos olhos de Deus. (Oséias 6.6 / Hebreus 10.8)
2. Não existem objetos consagrados, óleos ungidos, orações fortes ou qualquer prática litúrgica que possa produzir um milagre. O cristianismo rejeita qualquer objeto ou forma visível para se chegar a Deus. O único caminho é a Fé em Cristo Jesus (que é o Caminho, a Verdade e a Vida), pois como diz a Bíblia: o justo viverá por Fé. (Romanos 1.17) Diz também: Ora a Fé é a certeza das coisas que não se vêem (Hebreus 11.1)... portanto, se você está vendo e nisso está sua certeza... isso não é Fé... isso não é cristianismo.
3. Não existem lugares santos para o cristianismo, nem Jerusalém, nem Israel, nem o monte Sinai, nem mesmo as igrejas (o mesmo serve para símbolos, sagrado somente o corpo, pois é Templo do Espírito Santo)... você não precisa ir a um lugar específico, enviar uma carta para uma fogueira em Israel ou para um morro na sua cidade... Deus não habita em lugares contruídos por mãos humanas. Igreja é sim, um lugar de reunião daqueles que servem, buscam e relacionam-se com Deus, não a Casa Dele, portanto, ninguém é obrigado a ir a uma igreja, mas na igreja você conhece aqueles que têm a mesma fé. (João 4.21-23 / Atos 7.48, 17.24)
4. Não acredite naqueles que afirmam ser sua igreja melhor que a outra... igreja não leva a Deus, religião alguma leva a Deus, pastor algum tem esse poder... o que leva a Salvação é o reconhecimento de que Deus é Deus, Cristo é seu filho e foi ressucitado por Ele... ser cristão é ser fiel a Deus e sua Palavra (Bíblia), não à instituições religiosas. (João 14.6)
5. Não acredite em pastores que podem "exigir" e "determinar" que Deus faça alguma coisa por você e que pedem algo em troca para fazer isso... Deus não obedece a homens. Deus ama o homem, não o explora. Nunca dê o que você não tem para dar... Cristo já deu a vida por você nada que você der poderá pagar isso.
6. Não é errado o dízimo nem a oferta, mas isso não pode servir de extorsão religiosa... o dízimo e a oferta devem ser voluntárias e para manutenção da igreja e dos necessitados (está na Bíblia e na Constituição Federal Brasileira, distorcer isso é crime e pecado)... se alguém dá oferta ou dízimo porque espera receber alguma coisa em troca é ignorante, pois conforme ensina o genuíno cristianismo, aquele que dá, dê sem nada esperar (o que tua mão direita der, a esquerda não veja)... o que assim não pensa, não conhece a Cristo nem a Bíblia... se algum pastor diz que você precisa ser "fiel" na oferta e no dízimo para que Deus seja "fiel" com você... é porque lhe nega a palavra que diz: o homem pode ser infiel, mas Deus permanece fiel pois não pode ir contra sua natureza. (2 Timóteo 2.13), a fidelidade de Deus não fundamenta-se num relacionamento de troca de favores, Deus o ama, independente de quem você é, como você é de quanto você tem.
7. Nenhum homem está livre de errar, inclusive os pastores, se algum pastor diz não ter pecados ou garante estar com ele toda a razão e que somente a ele Deus ouve... é mentiroso, a própria Bíblia o condena por tal atitude. (Romanos 3.23). A Palavra de Deus liberta o homem e não o aprisiona em doutrinas e ordenanças que de nada servem para aproximar o homem de Deus, mas sim, reduzí-lo a uma condição de escravidão a líderes que parecem ovelhas, mas que na verdade são lobos. Deus não se agrada daqueles que o temem seguindo apenas doutrinas humanas.... agrada-se daqueles que fazem a Sua vontade.
8. Uma pessoa não é abençoada porque é rica, é abençoada porque tem a Cristo... se algum pastor lhe promete riquezas sem fim e ainda utiliza-se de passagens bíblicas para isso... é mentiroso, vendedor da graça e maldito. O genuíno cristianismo NÃO promete riquezas nessa vida, mas sim, vida eterna e na glória do porvir. Se algum pastor só prega riquezas ele não serve a Deus, mas a Mamom*. (Mateus 6.24 / Marcos 10.23-24)
*deus do dinheiro; daquele que ama o dinheiro.
9. Não acredite em pastores que dizem que se você for para a igreja dele você nunca mais terá problema, pois disse Jesus: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, pois eu já venci o mundo. (João 16.33) Aceitar a Cristo não é garantia de que nada de mal vai lhe ocorrer, mas a garantia de que você tem a vida eterna, se algum cristão julga serem as coisas do mundo mais preciosas que a vida eterna não é cristão... é nada... pois ainda que fosse ateu haveria mais misericórida para ele, mas pelo contrário, diz crer em Deus e rejeita toda Sua glória incorruptível por uma glória corruptível e passageira.
0,5. Para não ser enganado por um vendedor, leia o contrato, Para não ser enganado por um "pastor", que não liga muito para as suas ovelhas, leia a Bíblia. (Mateus 22.29)
Daniel Clós Cesar, via blog Bereianos
2. Não existem objetos consagrados, óleos ungidos, orações fortes ou qualquer prática litúrgica que possa produzir um milagre. O cristianismo rejeita qualquer objeto ou forma visível para se chegar a Deus. O único caminho é a Fé em Cristo Jesus (que é o Caminho, a Verdade e a Vida), pois como diz a Bíblia: o justo viverá por Fé. (Romanos 1.17) Diz também: Ora a Fé é a certeza das coisas que não se vêem (Hebreus 11.1)... portanto, se você está vendo e nisso está sua certeza... isso não é Fé... isso não é cristianismo.
3. Não existem lugares santos para o cristianismo, nem Jerusalém, nem Israel, nem o monte Sinai, nem mesmo as igrejas (o mesmo serve para símbolos, sagrado somente o corpo, pois é Templo do Espírito Santo)... você não precisa ir a um lugar específico, enviar uma carta para uma fogueira em Israel ou para um morro na sua cidade... Deus não habita em lugares contruídos por mãos humanas. Igreja é sim, um lugar de reunião daqueles que servem, buscam e relacionam-se com Deus, não a Casa Dele, portanto, ninguém é obrigado a ir a uma igreja, mas na igreja você conhece aqueles que têm a mesma fé. (João 4.21-23 / Atos 7.48, 17.24)
4. Não acredite naqueles que afirmam ser sua igreja melhor que a outra... igreja não leva a Deus, religião alguma leva a Deus, pastor algum tem esse poder... o que leva a Salvação é o reconhecimento de que Deus é Deus, Cristo é seu filho e foi ressucitado por Ele... ser cristão é ser fiel a Deus e sua Palavra (Bíblia), não à instituições religiosas. (João 14.6)
5. Não acredite em pastores que podem "exigir" e "determinar" que Deus faça alguma coisa por você e que pedem algo em troca para fazer isso... Deus não obedece a homens. Deus ama o homem, não o explora. Nunca dê o que você não tem para dar... Cristo já deu a vida por você nada que você der poderá pagar isso.
6. Não é errado o dízimo nem a oferta, mas isso não pode servir de extorsão religiosa... o dízimo e a oferta devem ser voluntárias e para manutenção da igreja e dos necessitados (está na Bíblia e na Constituição Federal Brasileira, distorcer isso é crime e pecado)... se alguém dá oferta ou dízimo porque espera receber alguma coisa em troca é ignorante, pois conforme ensina o genuíno cristianismo, aquele que dá, dê sem nada esperar (o que tua mão direita der, a esquerda não veja)... o que assim não pensa, não conhece a Cristo nem a Bíblia... se algum pastor diz que você precisa ser "fiel" na oferta e no dízimo para que Deus seja "fiel" com você... é porque lhe nega a palavra que diz: o homem pode ser infiel, mas Deus permanece fiel pois não pode ir contra sua natureza. (2 Timóteo 2.13), a fidelidade de Deus não fundamenta-se num relacionamento de troca de favores, Deus o ama, independente de quem você é, como você é de quanto você tem.
7. Nenhum homem está livre de errar, inclusive os pastores, se algum pastor diz não ter pecados ou garante estar com ele toda a razão e que somente a ele Deus ouve... é mentiroso, a própria Bíblia o condena por tal atitude. (Romanos 3.23). A Palavra de Deus liberta o homem e não o aprisiona em doutrinas e ordenanças que de nada servem para aproximar o homem de Deus, mas sim, reduzí-lo a uma condição de escravidão a líderes que parecem ovelhas, mas que na verdade são lobos. Deus não se agrada daqueles que o temem seguindo apenas doutrinas humanas.... agrada-se daqueles que fazem a Sua vontade.
8. Uma pessoa não é abençoada porque é rica, é abençoada porque tem a Cristo... se algum pastor lhe promete riquezas sem fim e ainda utiliza-se de passagens bíblicas para isso... é mentiroso, vendedor da graça e maldito. O genuíno cristianismo NÃO promete riquezas nessa vida, mas sim, vida eterna e na glória do porvir. Se algum pastor só prega riquezas ele não serve a Deus, mas a Mamom*. (Mateus 6.24 / Marcos 10.23-24)
*deus do dinheiro; daquele que ama o dinheiro.
9. Não acredite em pastores que dizem que se você for para a igreja dele você nunca mais terá problema, pois disse Jesus: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, pois eu já venci o mundo. (João 16.33) Aceitar a Cristo não é garantia de que nada de mal vai lhe ocorrer, mas a garantia de que você tem a vida eterna, se algum cristão julga serem as coisas do mundo mais preciosas que a vida eterna não é cristão... é nada... pois ainda que fosse ateu haveria mais misericórida para ele, mas pelo contrário, diz crer em Deus e rejeita toda Sua glória incorruptível por uma glória corruptível e passageira.
0,5. Para não ser enganado por um vendedor, leia o contrato, Para não ser enganado por um "pastor", que não liga muito para as suas ovelhas, leia a Bíblia. (Mateus 22.29)
Daniel Clós Cesar, via blog Bereianos
sábado, 15 de agosto de 2009
Entidades autônomas
Na última apresentação do querido e exímio músico Stênio Marcius, na Estação Vila Mariana, do Caminho da Graça, pedi a ele que cantasse “O Sonho” - uma das musicas dele preferida por mim -, e comentei que está música é a preferida daqueles que tenho mostrado o trabalho dele. E ele respondeu que as músicas se tornam entidades autônomas, “deixam” de ser propriedades do autor. Contra-argumentei que era relativo porque as músicas nascem das profundezas da alma do autor, tem o seu dna. Minha réplica foi no sentindo da importância de não desconsiderarmos a importância do autor, e interpretarmos a letra ao bel-prazer do ouvinte. Mas ele sabiamente treplicou que embora isso fosse verdade, as músicas chegam uma hora que extrapolam o sentido dado pelo autor.
Pensei rápido e concordei com ele. Para o bem ou para o mal, esta é a verdade, uma mesma semente pode produzir diferentes frutos a depender do estado do solo em que ela vai ser lançada. Frequentemente minha alma é irrigada de beleza, meu coração é nutrido de luminosidade espiritual e minha consciência no Evangelho é ampliada por intermédio de músicas de autores que, até onde eu saiba, não partilham a mesma Fé que a minha e aparentemente não tiveram a intenção de produzir o efeito que em mim produziu, mas “paradoxalmente” por intermédio de suas letra eles produziram efeitos do Evangelho no meu ser. E creio que é assim porque, “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança (Tiago 1.17)”. Isto independentemente do portador da boa dádiva crer nisso.
Braulia Ribeiro, missionária da Jocum (Jovens com uma Missão) Bque gosta de tocar “Índio”, do Caetano Veloso, e “Maria, Maria”, do Milton Nascimento, nos congressos em que prega, conta que num encontro nacional desta missão enquanto à equipe de louvor tocava - a seu pedido - para adorar a Deus com intimidade, “Velha Infância” dos Tribalistas, composta por Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, um espírito doce e especialmente terno envolveu o ambiente, e encheu a boca e o coração dos jovens presentes de alegria, a despeito de ter deixado muita gente escandalizada.
“Seus olhos meu clarão/Me guiam dentro da escuridão/Seus pés me abrem o caminho/Eu sigo e nunca me sinto só...”. Seria profano louvar com essas palavras a Luz do mundo, o Caminho, a Verdade e a Vida, Àquele que prometeu estar conosco todos os dias até a consumação do século? Haveria alguém mais digno de receber esse tributo de louvor do que Jesus? Creio que não.
“Se o mundo for desabar sobre a sua cama/E o medo se aconchegar sob o seu lençol/E se você sem dormir/ Tremer ao nascer do sol/Escute a voz de quem ama/Ela chega aí (...)Você pode estar tristíssimo no seu quarto/Que eu sempre terei meu jeito de consolar/É só ter alma de ouvir/E coração de escutar/Eu nunca me canso do uníssono com a vida”.
Esses versos proféticos do Caetano já foram e são Palavra de Deus na minha vida. Deus através do seu Espírito sempre, independente da magnitude da dor, do tamanho e da inexplicabilidade da tragédia, tem um jeito especial de consolar, exclusivo de elucidar mistérios e de decifrar enigmas existenciais. A “voz de quem ama” não tem distância, altura ou profundidade que a limite, ela sempre aí, aqui ou lá. Para isto basta não endurecer o coração e silenciar, ou no dizer, da música ter “a alma de ouvir e o coração de escutar”.
Sempre que escuto “A Cura”, de Lulu Santos além de me sentir encorajado no enfrentamento positivo da vida - “Enquanto isso/Não nos custa insistir/Na questão do desejo/Não deixar se extinguir/Desafiando de vez a noção/Na qual se crê/Que o inferno é aqui” - e de minhas esperanças escatológicas ficarem animadas começo a indagar: A quem ele se refere quando diz que se vira, será quando menos se esperar e de onde ninguém imagina? Alguma semelhança com aquele de quem disseram: “De Nazaré pode vir alguma coisa boa”? E que prometeu que virá repentinamente como o ladrão da noite?
Que certeza vã é essa, que esse “certo alguém” quando entrar no caminho e mudar a direção demolirá, reduzirá a pedra sobre pedra? Qual é a cura que toda raça experimentará para todo o seu mal?
Quando ouço Beto Guedes em “Sol de Primavera” dizer, “Já choramos muito/Muitos se perderam no caminho”, lembro-me daqueles que começaram tão bem, na simplicidade do Evangelho, apaixonados por Jesus, com um coração missionário, com um espírito voluntarioso, e que se perderam nos caminhos de suas vaidades. Uns se tornando astros e estrelas do “Mamon gospel”, outros burocratas da religião e outros tantos cultuadores da tradição, da doutrina, da moral, e do próprio ventre.
Porém a tristeza é logo dissipada, e meu coração é alentado e encorajado quando ele diz, “Mesmo assim não custa inventar/Uma nova canção/Que venha nos trazer/(...)Sol de primavera/Abre as janelas do meu peito”. Lembro-me de tanta gente consciente ou inconsciente do Evangelho, a semelhança de Daniel, não se contaminou com “as finas iguarias do poder” e de Elias não se ajoelhou aos “Baals” contemporâneos.
Creio assim porque creio na total soberania de Deus e na subversiva e ilimitada liberdade do seu Espírito para consagrar a seu serviço todas as coisas, quer sobre a terra quer sobre o céu, porque, em Cristo, Ele reconciliou consigo todas elas (Colossenses 1.20). Quem crê assim, tem a consciência convencida assim como a de Paulo, o apóstolo, “de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim o considera; para esse é impura (Romanos 14.14)”. E que, por isso, como ele diz Tito, um jovem pastor, “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes (Tito 1.15a)”.
Por fim, ofereço um vídeo de um verdadeiro hino à vida, a sacralidade do amor; que celebra e louva de forma sublime a comunhão Criador e criatura.
Julio César, Psicólogo e mestrando em Ciências da Religião, escreve para o Bibliaworldnet.
Pensei rápido e concordei com ele. Para o bem ou para o mal, esta é a verdade, uma mesma semente pode produzir diferentes frutos a depender do estado do solo em que ela vai ser lançada. Frequentemente minha alma é irrigada de beleza, meu coração é nutrido de luminosidade espiritual e minha consciência no Evangelho é ampliada por intermédio de músicas de autores que, até onde eu saiba, não partilham a mesma Fé que a minha e aparentemente não tiveram a intenção de produzir o efeito que em mim produziu, mas “paradoxalmente” por intermédio de suas letra eles produziram efeitos do Evangelho no meu ser. E creio que é assim porque, “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança (Tiago 1.17)”. Isto independentemente do portador da boa dádiva crer nisso.
Braulia Ribeiro, missionária da Jocum (Jovens com uma Missão) Bque gosta de tocar “Índio”, do Caetano Veloso, e “Maria, Maria”, do Milton Nascimento, nos congressos em que prega, conta que num encontro nacional desta missão enquanto à equipe de louvor tocava - a seu pedido - para adorar a Deus com intimidade, “Velha Infância” dos Tribalistas, composta por Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, um espírito doce e especialmente terno envolveu o ambiente, e encheu a boca e o coração dos jovens presentes de alegria, a despeito de ter deixado muita gente escandalizada.
“Seus olhos meu clarão/Me guiam dentro da escuridão/Seus pés me abrem o caminho/Eu sigo e nunca me sinto só...”. Seria profano louvar com essas palavras a Luz do mundo, o Caminho, a Verdade e a Vida, Àquele que prometeu estar conosco todos os dias até a consumação do século? Haveria alguém mais digno de receber esse tributo de louvor do que Jesus? Creio que não.
“Se o mundo for desabar sobre a sua cama/E o medo se aconchegar sob o seu lençol/E se você sem dormir/ Tremer ao nascer do sol/Escute a voz de quem ama/Ela chega aí (...)Você pode estar tristíssimo no seu quarto/Que eu sempre terei meu jeito de consolar/É só ter alma de ouvir/E coração de escutar/Eu nunca me canso do uníssono com a vida”.
Esses versos proféticos do Caetano já foram e são Palavra de Deus na minha vida. Deus através do seu Espírito sempre, independente da magnitude da dor, do tamanho e da inexplicabilidade da tragédia, tem um jeito especial de consolar, exclusivo de elucidar mistérios e de decifrar enigmas existenciais. A “voz de quem ama” não tem distância, altura ou profundidade que a limite, ela sempre aí, aqui ou lá. Para isto basta não endurecer o coração e silenciar, ou no dizer, da música ter “a alma de ouvir e o coração de escutar”.
Sempre que escuto “A Cura”, de Lulu Santos além de me sentir encorajado no enfrentamento positivo da vida - “Enquanto isso/Não nos custa insistir/Na questão do desejo/Não deixar se extinguir/Desafiando de vez a noção/Na qual se crê/Que o inferno é aqui” - e de minhas esperanças escatológicas ficarem animadas começo a indagar: A quem ele se refere quando diz que se vira, será quando menos se esperar e de onde ninguém imagina? Alguma semelhança com aquele de quem disseram: “De Nazaré pode vir alguma coisa boa”? E que prometeu que virá repentinamente como o ladrão da noite?
Que certeza vã é essa, que esse “certo alguém” quando entrar no caminho e mudar a direção demolirá, reduzirá a pedra sobre pedra? Qual é a cura que toda raça experimentará para todo o seu mal?
Quando ouço Beto Guedes em “Sol de Primavera” dizer, “Já choramos muito/Muitos se perderam no caminho”, lembro-me daqueles que começaram tão bem, na simplicidade do Evangelho, apaixonados por Jesus, com um coração missionário, com um espírito voluntarioso, e que se perderam nos caminhos de suas vaidades. Uns se tornando astros e estrelas do “Mamon gospel”, outros burocratas da religião e outros tantos cultuadores da tradição, da doutrina, da moral, e do próprio ventre.
Porém a tristeza é logo dissipada, e meu coração é alentado e encorajado quando ele diz, “Mesmo assim não custa inventar/Uma nova canção/Que venha nos trazer/(...)Sol de primavera/Abre as janelas do meu peito”. Lembro-me de tanta gente consciente ou inconsciente do Evangelho, a semelhança de Daniel, não se contaminou com “as finas iguarias do poder” e de Elias não se ajoelhou aos “Baals” contemporâneos.
Creio assim porque creio na total soberania de Deus e na subversiva e ilimitada liberdade do seu Espírito para consagrar a seu serviço todas as coisas, quer sobre a terra quer sobre o céu, porque, em Cristo, Ele reconciliou consigo todas elas (Colossenses 1.20). Quem crê assim, tem a consciência convencida assim como a de Paulo, o apóstolo, “de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim o considera; para esse é impura (Romanos 14.14)”. E que, por isso, como ele diz Tito, um jovem pastor, “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes (Tito 1.15a)”.
Por fim, ofereço um vídeo de um verdadeiro hino à vida, a sacralidade do amor; que celebra e louva de forma sublime a comunhão Criador e criatura.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
A INUSITADA VISITA DE DOIS PREGADORES A SUA VELHA MESTRA
Levi Bronzeado SantosEles tinham sido amigos de infância e de igreja, além de companheiros nos primeiros anos de estudo. Encontraram-se recentemente, por acaso, na feira de rua da pequena cidade de Brejo da Várzea no sertão Paraibano, onde nasceram e foram criados. Após terem terminado o curso ginasial, cada um tomou seu rumo, e só agora, por obra do acaso, é que estavam se vendo frente a frente
Após as saudações de praxe, os dois se alegraram muito, riram e se abraçaram pela grata coincidência: ambos eram agora pastores de duas igrejas evangélicas. Armando Pedreira estava com sessenta anos de idade, e Amadeus dos Santos já passava dos sessenta e dois.
Armando Pedreira tinha vindo à sua cidadezinha natal para um encontro especial com a velha Deolinda, professora dos dois pastores nos tempos do curso ginasial. Amadeus viera visitar sua única irmã, que se encontrava muito enferma, e resolveu atender o convite do seu companheiro de profissão para irem juntos à casa da antiga mestra de Moral e Cívica.
Diante da varanda da casa de Deolinda, ficaram por algum tempo estáticos e desorientados como duas crianças assustadas, pois não se viam desde o término do curso ginasial. Uma torrente de pensamentos e fatos vividos atordoava as suas mentes. A professora amavelmente convidou-os a entrar, mas eles acharam por bem ficar na varanda ao sabor do vento úmido daquela tarde de outono. Um odor de eucalipto e capim santo exalava por aquele ambiente, é que D. Deolinda tinha ao redor de casa uma horta medicinal, para feitura de seus prediletos chás, que afirmava ser um santo remédio para suas cólicas e enxaquecas freqüentes. Naquele momento, bem acomodada em sua cadeira de balanço, Deolinda imaginou por alguns segundos: “Será que seus ex-alunos continuavam como antes, após todos esses anos decorridos?” Já tinha ouvido por terceiros que eles eram dois ministros protestantes. Continuava a pensar: “Armando Pedreira pregaria um Deus conservador, tradicional?. Amadeus pregaria um Deus mais tolerante, como era a sua maneira de ser, quando estudante?”.
A velhinha estava ansiosa por aquela oportunidade, em que poderia conferir se as suas tão saudosas e barulhentas aulas tinham deixado algo no espírito daqueles dois homens já bem maduros. “O que teria ficado de indelével em suas personalidades, em razão dos velhos ensinamentos e diálogos do tempo de ginásio?” ─ perguntava para si mesmo.
Passado o nervosismo dos primeiros instantes, os dois pregadores conversaram bastante sobre fatos engraçados da época de estudante. Recordaram alguns embates no grêmio literário da escola. Entretanto, na cabeça de Armando Pedreira reverberava algo que o deixava impaciente. Ele pensava: “nesta disputa eu não poderei perder de jeito nenhum”. “Mostrarei a força da minha instituição”. Algo falava em seu ser: “Tente rápido ganhar essa alma para o seu rebanho! Caso contrário a perderá para a igreja de Amadeus”.
Pedreira atribuía essa voz que saia de dentro dele, a alguma coisa vindo da parte de Deus, sem, no entanto, refletir que tudo aquilo que sentia era fruto de um forte e insano desejo de ganhar uma disputa contra seu arqui-rival de estudos escolares, Amadeus. Achara então, que tinha chegado à oportunidade de encerrar aquele entrevero um tanto fútil, e, percebendo o adiantado da hora, dirigiu-se a velha professora, já aparentando impaciência:
─ A senhora permite, neste momento, entregar-lhe algo que Deus está ordenando que eu fale?
─ A palavra é toda sua, caro Pedreira. Sou toda ouvidos ─ responde Deolinda.
Pedreira faz então uma rápida oração. Em seguida abre gulosamente a sua Bíblia e lê o que está escrito em Salmos (9.17): “...Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus”.
Amadeus reflete: “Meu Deus, o Pedreira continua duro como nos tempos de estudante?. Mal começou a conversa e já entra falando de uma maneira constrangedora!”.
Cabisbaixo, Amadeus ouve todo aquele discurso de “ganhadores de almas”, que culmina com o pedido para a professora aceitar Jesus como seu Salvador. O próprio Amadeus foi constrangido por Pedreira, a cantar bem baixinho o hino quinze da Harpa Cristã, enquanto ele reforçava o apelo, tudo feito de uma maneira pré-estabelecida, um verdadeiro “clichê”.
A professora, bem educadamente, olhando nos olhos de Armando Pedreira, fala:
─ Bem senhor Pedreira, eu não ia incluir em nossa conversa o lado religioso, mas vamos debater como fazíamos na sala de aula. Vamos argumentar:
─ Por que o senhor me considera uma ímpia e me convida de modo tão extremado para aceitar Jesus a fim de poder escapar do fogo do inferno?
─ D. Deolinda! ─ responde Pedreira, alvoroçado: Eu lhe conheço bem desde aquele tempo. A senhora sempre teve uma queda para o ateísmo. Lembro-me bem dos seus monólogos, e das suas inserções um tanto perigosas sobre a mensagem cristã.
D. Deolinda pede licença ao Pedreirinha ─ como era chamado pelos seus colegas de classe ─ abre a sua velha bíblia encardida pelo tempo, mas cheia de grifos e lê em João (Cap 8:15): “...vós julgais segundo os padrões humanos, eu a ninguém julgo ( palavras de Jesus)”.
Senhor Pedreira! ─ fala a professora, como se estivesse na sua antiga sala de aula ─ Refresque bem a sua memória e procure lembrar-se daquela palestra que discorríamos sobre o “julgar”, quando eu afirmava que o mesmo é sempre produto de premissas falsas. Esse julgamento não corresponde à verdade, pois é resultado de uma avaliação que se faz pelo que se vê, pelo exterior! Você não está a ver o que há no meu coração. Você parece que esqueceu o que eu dizia em minhas preleções no ginásio: “tenham cuidado ao abordarem uma pessoa, e nunca pensem, de início, que ela é o pior elemento. É preciso muito ouvir, para depois falar”.
─ Mas professora, não sou eu quem diz, é a “palavra”. Não tenho culpa ─ retruca Pedreira, já com a camisa empapada de suor.
Vamos ler juntos, Marcos 7:13: “...invalidais, assim a palavra de Deus pela vossa tradição que vós mesmos transmitistes”. Essa fórmula vazia, esse clichê ou slogan que já é uma tradição no seu meio, anula o Evangelho de Cristo ─ conclui a velha professora.
A esta altura, o Sr. Amadeus dos Santos, agradecia a Deus pelo que estava presenciando. Com os dedos das mãos contraídos, dizia para si mesmo: só falarei na ocasião propícia. Ali mesmo, passavam em sua mente, como um filme, as competições do grêmio literário de quarenta e cinco anos atrás.
─ E o senhor, o que faz atualmente? ─ pergunta a professora, dirigindo-se agora para Amadeus.
─ Dou apoio espiritual a um pequeno número de pessoas em minha igreja, mostrando para elas a graça e a misericórdia infinita de Deus para com todos, sem acepção, ensinando os princípios éticos cristãos, a moderação e tolerância, em suma o amor dirigido também aos que não são do nosso grupo.
Armando Pedreira não se contendo, levanta-se furioso e fala:
─ Está vendo Dona Deolinda! ─ Começamos a pastorear nossos rebanhos na mesma época. A minha igreja conta com seiscentos membros, e a do Sr. Amadeus, segundo me contaram, tem quarenta membros. Se a igreja dele não cresce, algo vai mal. Para Deus não existe coração duro, existe pregador frouxo. Na certa ele não está usando o método correto.
Qual o método que você usa bem, para fazer adeptos? ─ pergunta a professora, voltando-se para Amadeus.
Com aquela voz miudinha e de tonalidade baixa, corpo já envergado pelo peso da idade, e sofrido pela angústia ao ver tantas injustiças e incompreensões por parte daqueles que em nome de Cristo deveriam trazer alívio para as pessoas, mas ao contrário colocavam mais fardos pesados nos ombros delas, Amadeus começa lentamente a falar:
─ Meu rebanho é pequeno, não resta dúvida, porém, acredito que o pouco com Deus é muito. Estamos sempre mostrando por onde passamos, que Deus é perdão e misericórdia; procurando levar a verdadeira paz aos que estão em desarmonia. Sabe Dona Deolinda, eu considero a pregação do evangelho como uma prestação de socorro a uma vítima de afogamento, como exemplo. Não procuro saber quem é a pessoa que está em perigo de morte, e jamais eu posso numa situação como esta, pregar o medo, pois eu irei fazê-la afogar-se mais rápido ainda.
Pedreira não se contendo, pede licença a professora e intervém intempestivamente:
─ Está vendo porque sua igreja não cresce? ─ dispara arrogantemente. ─ Este povo é de dura cerviz. Olha, se não for com a ameaça de castigo, de destruição não se converte ninguém. Fale do fogo do inferno que arde mil vezes mais do que o nosso fogo de lenha, e isto eternamente. Eu quero ver quem resiste! Deus há alguns anos, me confiou uma grande missão: pregar nas cerimônias fúnebres. Deixo de comparecer, por este motivo até as festas de casamento e de aniversário. É lá nos cemitérios, que Deus me usa poderosamente. Ali, as pobres almas estão fragilizadas, e, mesmo que elas não estejam entendendo o que estou pregando, não deixo nunca de bradar no final de minha preleção: “Quem sabe, se não pedirão a tua alma hoje? Se não aceitares Jesus, irás direto para o inferno onde há choro e ranger de dentes!. É quando muitos, com medo da condenação eterna se rendem chorando ajoelhados”.
Dona Deolinda não se agüentando mais, pede a palavra, iniciando assim os seus argumentos:
─ Como você diz que é o medo que traz as suas pobres almas ao rebanho, eu quero ler aqui em I João (4:18): “... no amor não há medo. Antes o perfeito amor lança fora o medo, porque o medo produz tormento. Aquele que teme não é aperfeiçoado no amor”.
A velha professora sabia de suas leituras de pedagogia infantil, que a criança herda da paternidade a submissão rigorosa e a arrogância. Ela entendia perfeitamente que o modo de agir dos pais, como eles se comportam, o que eles dizem, o que eles valorizam, estruturam a personalidade da criança.
Deolinda permaneceu silenciosa por alguns segundos, pensando com os seus botões, o tempo bastante para chegar à conclusão, de que a maneira de agir do seu ex-aluno e agora pregador Armando Pedreira, tinha muito a ver com a educação recebida do seu pai. Ela fez uma rápida retrospectiva dos tempos de criança daqueles seus dois ex-pupilos e, chegou à seguinte racionalização: “a rigidez doutrinária e a insistência paterna em forma de cobranças repetitivas, tinham marcado fortemente a personalidade, do agora adulto, Pedreira. Não é assim que acontece com o bebê, que em seu desenvolvimento absorve e apreende tudo que é insistentemente repetido, quer em gestos, quer em palavras”?
Deolinda pode enfim perceber que a pressão psicológica que Pedreira sofrera de seu pai, influíra decididamente no seu modo de ser e de ver as coisas. Foi nessa hora que veio à sua lembrança, as palavras de Natã a Davi: “...agora portanto a espada jamais se afastará de tua casa”. Esse versículo despertou Deolinda para compreender com mais nitidez o que possivelmente acontecera com o seu ex-aluno: A espada do pai passara para o filho. Era com ela, que ele de maneira doentia, manejava para ganhar almas. Ele estava em nome do pai, carregando um fardo pesado, e o passando a outras pessoas, inconscientemente. Não soube se desligar do pai idealizado, justamente com medo do castigo. Aprendera quando criança, a obedecer através da ameaça de castigo, que num círculo vicioso produzia cada vez mais tensão e medo. Mas a professora entendia que Pedreira jamais poderia incriminar os pais por ele ter herdado àquela maneira de ser, pois com o advento de Cristo, cada um torna-se responsável por si mesmo. Deolinda compreendia que foi para aliviar esse jugo, que Cristo viera ao mundo fazer-se maldição por nós, e, achava que toda aquela resistência e arrogância do Pedrerinha ─ agora pregador do evangelho ─, era fruto da sua surdez espiritual. Ele não tinha ainda ouvido a voz branda de Cristo dizendo: “vinde a mim Pedreira, e eu tornarei suave o teu jugo, e farei bem leve esse fardo pesado, que te foi imposto pelos teus em teu ambiente”.
Deolinda, tomada de um impulso raro, põe a sua mão direita no ombro de Pedreira e fala sem meias palavras.
─ Sabe de uma coisa meu caro Armando Pedreira? ─ Não me leve a mal, o senhor precisa ser liberto ─ diz Deolinda, querendo encurtar o enredo. O senhor precisa ser liberto da sombra paterna do preconceito, da vingança e do medo com que foi alimentado durante toda a sua infância.
Ela lembrava perfeitamente de uma de suas aulas, como se fosse hoje. Parecia está vendo Pedreira com seu semblante ríspido, no exato momento em que Amadeus afirmava diante de todos os seus colegas, que dialogava com seus pais à mesa, após o jantar, às vezes, discordando deles, em assuntos de religião e política. Lembrou-se de como Pedreira não suportando o relato de Amadeus, retirou-se bruscamente da sala de aula, visivelmente contrariado. Deolinda entendera que aquela reação demonstrada por Pedreira, na verdade, tinha sido fruto de uma vingança executada inconscientemente, em defesa do que ele aprendera do seu pai, o qual, não tolerava o confronto de idéias. Ela não tinha dúvidas de que tinha sido isso mesmo, que fizera com que ele se retirasse da classe. Aquela inesperada fuga da sala de aula tinha sido um ardil, em defesa dos conceitos adquiridos do pai.
─ O que você tanto balbucia aí com os seus botões? ─ pergunta Deolinda, para um Amadeus encolhido e cabisbaixo.
─ É, Dona Deolinda, as coisas de Deus parecem um paradoxo. Há pouco tempo o colega Pedreira pedia para senhora aceitar Jesus. Mas, pelo que estou presenciando atentamente, quem necessita de libertação não é a senhora não, é ele...
Deolinda aproveitando o momento que Pedreira, um tanto nervoso, se dirigira ao banheiro, resolveu sussurrar ao pé do ouvido de Amadeus:
─ É meu caro Amadeus, você é um privilegiado, pois, ao que parece, sobre os seus ombros não foi imposto o “fardo pesado” da subserviência. Contudo, sejamos sóbrios, não vamos tripudiar sobre o seu amigo de púlpito. Antes, devemos aturá-lo com calma, até que ele possa, quem sabe, um dia, chegar ao pleno conhecimento da VERDADE.
Já era tarde da noite quando Deolinda, sem sono, deu asas à imaginação. Pensava de si para si: “Como a promessa de um paraíso após a morte e o medo do castigo eterno atraem as pessoas. Era esse o motivo pelo qual a igreja de Armando Pedreira estava abarrotada de almas penitenciando-se diariamente para escapar do inferno.
É isso mesmo! ─ diz a mestra, terminando o seu pensar: “Os Evangelhos falam de uma salvação que é de graça, mas ninguém acredita. Só se crê naquilo que se consegue através da troca, do toma-lá-dá-cá”.
A velha e cansada professora agora entendia o “porquê” da Igreja de Amadeus ter tão poucos fiéis.
fonte: Ensaios & Prosas
Após as saudações de praxe, os dois se alegraram muito, riram e se abraçaram pela grata coincidência: ambos eram agora pastores de duas igrejas evangélicas. Armando Pedreira estava com sessenta anos de idade, e Amadeus dos Santos já passava dos sessenta e dois.
Armando Pedreira tinha vindo à sua cidadezinha natal para um encontro especial com a velha Deolinda, professora dos dois pastores nos tempos do curso ginasial. Amadeus viera visitar sua única irmã, que se encontrava muito enferma, e resolveu atender o convite do seu companheiro de profissão para irem juntos à casa da antiga mestra de Moral e Cívica.
Diante da varanda da casa de Deolinda, ficaram por algum tempo estáticos e desorientados como duas crianças assustadas, pois não se viam desde o término do curso ginasial. Uma torrente de pensamentos e fatos vividos atordoava as suas mentes. A professora amavelmente convidou-os a entrar, mas eles acharam por bem ficar na varanda ao sabor do vento úmido daquela tarde de outono. Um odor de eucalipto e capim santo exalava por aquele ambiente, é que D. Deolinda tinha ao redor de casa uma horta medicinal, para feitura de seus prediletos chás, que afirmava ser um santo remédio para suas cólicas e enxaquecas freqüentes. Naquele momento, bem acomodada em sua cadeira de balanço, Deolinda imaginou por alguns segundos: “Será que seus ex-alunos continuavam como antes, após todos esses anos decorridos?” Já tinha ouvido por terceiros que eles eram dois ministros protestantes. Continuava a pensar: “Armando Pedreira pregaria um Deus conservador, tradicional?. Amadeus pregaria um Deus mais tolerante, como era a sua maneira de ser, quando estudante?”.
A velhinha estava ansiosa por aquela oportunidade, em que poderia conferir se as suas tão saudosas e barulhentas aulas tinham deixado algo no espírito daqueles dois homens já bem maduros. “O que teria ficado de indelével em suas personalidades, em razão dos velhos ensinamentos e diálogos do tempo de ginásio?” ─ perguntava para si mesmo.
Passado o nervosismo dos primeiros instantes, os dois pregadores conversaram bastante sobre fatos engraçados da época de estudante. Recordaram alguns embates no grêmio literário da escola. Entretanto, na cabeça de Armando Pedreira reverberava algo que o deixava impaciente. Ele pensava: “nesta disputa eu não poderei perder de jeito nenhum”. “Mostrarei a força da minha instituição”. Algo falava em seu ser: “Tente rápido ganhar essa alma para o seu rebanho! Caso contrário a perderá para a igreja de Amadeus”.
Pedreira atribuía essa voz que saia de dentro dele, a alguma coisa vindo da parte de Deus, sem, no entanto, refletir que tudo aquilo que sentia era fruto de um forte e insano desejo de ganhar uma disputa contra seu arqui-rival de estudos escolares, Amadeus. Achara então, que tinha chegado à oportunidade de encerrar aquele entrevero um tanto fútil, e, percebendo o adiantado da hora, dirigiu-se a velha professora, já aparentando impaciência:
─ A senhora permite, neste momento, entregar-lhe algo que Deus está ordenando que eu fale?
─ A palavra é toda sua, caro Pedreira. Sou toda ouvidos ─ responde Deolinda.
Pedreira faz então uma rápida oração. Em seguida abre gulosamente a sua Bíblia e lê o que está escrito em Salmos (9.17): “...Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus”.
Amadeus reflete: “Meu Deus, o Pedreira continua duro como nos tempos de estudante?. Mal começou a conversa e já entra falando de uma maneira constrangedora!”.
Cabisbaixo, Amadeus ouve todo aquele discurso de “ganhadores de almas”, que culmina com o pedido para a professora aceitar Jesus como seu Salvador. O próprio Amadeus foi constrangido por Pedreira, a cantar bem baixinho o hino quinze da Harpa Cristã, enquanto ele reforçava o apelo, tudo feito de uma maneira pré-estabelecida, um verdadeiro “clichê”.
A professora, bem educadamente, olhando nos olhos de Armando Pedreira, fala:
─ Bem senhor Pedreira, eu não ia incluir em nossa conversa o lado religioso, mas vamos debater como fazíamos na sala de aula. Vamos argumentar:
─ Por que o senhor me considera uma ímpia e me convida de modo tão extremado para aceitar Jesus a fim de poder escapar do fogo do inferno?
─ D. Deolinda! ─ responde Pedreira, alvoroçado: Eu lhe conheço bem desde aquele tempo. A senhora sempre teve uma queda para o ateísmo. Lembro-me bem dos seus monólogos, e das suas inserções um tanto perigosas sobre a mensagem cristã.
D. Deolinda pede licença ao Pedreirinha ─ como era chamado pelos seus colegas de classe ─ abre a sua velha bíblia encardida pelo tempo, mas cheia de grifos e lê em João (Cap 8:15): “...vós julgais segundo os padrões humanos, eu a ninguém julgo ( palavras de Jesus)”.
Senhor Pedreira! ─ fala a professora, como se estivesse na sua antiga sala de aula ─ Refresque bem a sua memória e procure lembrar-se daquela palestra que discorríamos sobre o “julgar”, quando eu afirmava que o mesmo é sempre produto de premissas falsas. Esse julgamento não corresponde à verdade, pois é resultado de uma avaliação que se faz pelo que se vê, pelo exterior! Você não está a ver o que há no meu coração. Você parece que esqueceu o que eu dizia em minhas preleções no ginásio: “tenham cuidado ao abordarem uma pessoa, e nunca pensem, de início, que ela é o pior elemento. É preciso muito ouvir, para depois falar”.
─ Mas professora, não sou eu quem diz, é a “palavra”. Não tenho culpa ─ retruca Pedreira, já com a camisa empapada de suor.
Vamos ler juntos, Marcos 7:13: “...invalidais, assim a palavra de Deus pela vossa tradição que vós mesmos transmitistes”. Essa fórmula vazia, esse clichê ou slogan que já é uma tradição no seu meio, anula o Evangelho de Cristo ─ conclui a velha professora.
A esta altura, o Sr. Amadeus dos Santos, agradecia a Deus pelo que estava presenciando. Com os dedos das mãos contraídos, dizia para si mesmo: só falarei na ocasião propícia. Ali mesmo, passavam em sua mente, como um filme, as competições do grêmio literário de quarenta e cinco anos atrás.
─ E o senhor, o que faz atualmente? ─ pergunta a professora, dirigindo-se agora para Amadeus.
─ Dou apoio espiritual a um pequeno número de pessoas em minha igreja, mostrando para elas a graça e a misericórdia infinita de Deus para com todos, sem acepção, ensinando os princípios éticos cristãos, a moderação e tolerância, em suma o amor dirigido também aos que não são do nosso grupo.
Armando Pedreira não se contendo, levanta-se furioso e fala:
─ Está vendo Dona Deolinda! ─ Começamos a pastorear nossos rebanhos na mesma época. A minha igreja conta com seiscentos membros, e a do Sr. Amadeus, segundo me contaram, tem quarenta membros. Se a igreja dele não cresce, algo vai mal. Para Deus não existe coração duro, existe pregador frouxo. Na certa ele não está usando o método correto.
Qual o método que você usa bem, para fazer adeptos? ─ pergunta a professora, voltando-se para Amadeus.
Com aquela voz miudinha e de tonalidade baixa, corpo já envergado pelo peso da idade, e sofrido pela angústia ao ver tantas injustiças e incompreensões por parte daqueles que em nome de Cristo deveriam trazer alívio para as pessoas, mas ao contrário colocavam mais fardos pesados nos ombros delas, Amadeus começa lentamente a falar:
─ Meu rebanho é pequeno, não resta dúvida, porém, acredito que o pouco com Deus é muito. Estamos sempre mostrando por onde passamos, que Deus é perdão e misericórdia; procurando levar a verdadeira paz aos que estão em desarmonia. Sabe Dona Deolinda, eu considero a pregação do evangelho como uma prestação de socorro a uma vítima de afogamento, como exemplo. Não procuro saber quem é a pessoa que está em perigo de morte, e jamais eu posso numa situação como esta, pregar o medo, pois eu irei fazê-la afogar-se mais rápido ainda.
Pedreira não se contendo, pede licença a professora e intervém intempestivamente:
─ Está vendo porque sua igreja não cresce? ─ dispara arrogantemente. ─ Este povo é de dura cerviz. Olha, se não for com a ameaça de castigo, de destruição não se converte ninguém. Fale do fogo do inferno que arde mil vezes mais do que o nosso fogo de lenha, e isto eternamente. Eu quero ver quem resiste! Deus há alguns anos, me confiou uma grande missão: pregar nas cerimônias fúnebres. Deixo de comparecer, por este motivo até as festas de casamento e de aniversário. É lá nos cemitérios, que Deus me usa poderosamente. Ali, as pobres almas estão fragilizadas, e, mesmo que elas não estejam entendendo o que estou pregando, não deixo nunca de bradar no final de minha preleção: “Quem sabe, se não pedirão a tua alma hoje? Se não aceitares Jesus, irás direto para o inferno onde há choro e ranger de dentes!. É quando muitos, com medo da condenação eterna se rendem chorando ajoelhados”.
Dona Deolinda não se agüentando mais, pede a palavra, iniciando assim os seus argumentos:
─ Como você diz que é o medo que traz as suas pobres almas ao rebanho, eu quero ler aqui em I João (4:18): “... no amor não há medo. Antes o perfeito amor lança fora o medo, porque o medo produz tormento. Aquele que teme não é aperfeiçoado no amor”.
A velha professora sabia de suas leituras de pedagogia infantil, que a criança herda da paternidade a submissão rigorosa e a arrogância. Ela entendia perfeitamente que o modo de agir dos pais, como eles se comportam, o que eles dizem, o que eles valorizam, estruturam a personalidade da criança.
Deolinda permaneceu silenciosa por alguns segundos, pensando com os seus botões, o tempo bastante para chegar à conclusão, de que a maneira de agir do seu ex-aluno e agora pregador Armando Pedreira, tinha muito a ver com a educação recebida do seu pai. Ela fez uma rápida retrospectiva dos tempos de criança daqueles seus dois ex-pupilos e, chegou à seguinte racionalização: “a rigidez doutrinária e a insistência paterna em forma de cobranças repetitivas, tinham marcado fortemente a personalidade, do agora adulto, Pedreira. Não é assim que acontece com o bebê, que em seu desenvolvimento absorve e apreende tudo que é insistentemente repetido, quer em gestos, quer em palavras”?
Deolinda pode enfim perceber que a pressão psicológica que Pedreira sofrera de seu pai, influíra decididamente no seu modo de ser e de ver as coisas. Foi nessa hora que veio à sua lembrança, as palavras de Natã a Davi: “...agora portanto a espada jamais se afastará de tua casa”. Esse versículo despertou Deolinda para compreender com mais nitidez o que possivelmente acontecera com o seu ex-aluno: A espada do pai passara para o filho. Era com ela, que ele de maneira doentia, manejava para ganhar almas. Ele estava em nome do pai, carregando um fardo pesado, e o passando a outras pessoas, inconscientemente. Não soube se desligar do pai idealizado, justamente com medo do castigo. Aprendera quando criança, a obedecer através da ameaça de castigo, que num círculo vicioso produzia cada vez mais tensão e medo. Mas a professora entendia que Pedreira jamais poderia incriminar os pais por ele ter herdado àquela maneira de ser, pois com o advento de Cristo, cada um torna-se responsável por si mesmo. Deolinda compreendia que foi para aliviar esse jugo, que Cristo viera ao mundo fazer-se maldição por nós, e, achava que toda aquela resistência e arrogância do Pedrerinha ─ agora pregador do evangelho ─, era fruto da sua surdez espiritual. Ele não tinha ainda ouvido a voz branda de Cristo dizendo: “vinde a mim Pedreira, e eu tornarei suave o teu jugo, e farei bem leve esse fardo pesado, que te foi imposto pelos teus em teu ambiente”.
Deolinda, tomada de um impulso raro, põe a sua mão direita no ombro de Pedreira e fala sem meias palavras.
─ Sabe de uma coisa meu caro Armando Pedreira? ─ Não me leve a mal, o senhor precisa ser liberto ─ diz Deolinda, querendo encurtar o enredo. O senhor precisa ser liberto da sombra paterna do preconceito, da vingança e do medo com que foi alimentado durante toda a sua infância.
Ela lembrava perfeitamente de uma de suas aulas, como se fosse hoje. Parecia está vendo Pedreira com seu semblante ríspido, no exato momento em que Amadeus afirmava diante de todos os seus colegas, que dialogava com seus pais à mesa, após o jantar, às vezes, discordando deles, em assuntos de religião e política. Lembrou-se de como Pedreira não suportando o relato de Amadeus, retirou-se bruscamente da sala de aula, visivelmente contrariado. Deolinda entendera que aquela reação demonstrada por Pedreira, na verdade, tinha sido fruto de uma vingança executada inconscientemente, em defesa do que ele aprendera do seu pai, o qual, não tolerava o confronto de idéias. Ela não tinha dúvidas de que tinha sido isso mesmo, que fizera com que ele se retirasse da classe. Aquela inesperada fuga da sala de aula tinha sido um ardil, em defesa dos conceitos adquiridos do pai.
─ O que você tanto balbucia aí com os seus botões? ─ pergunta Deolinda, para um Amadeus encolhido e cabisbaixo.
─ É, Dona Deolinda, as coisas de Deus parecem um paradoxo. Há pouco tempo o colega Pedreira pedia para senhora aceitar Jesus. Mas, pelo que estou presenciando atentamente, quem necessita de libertação não é a senhora não, é ele...
Deolinda aproveitando o momento que Pedreira, um tanto nervoso, se dirigira ao banheiro, resolveu sussurrar ao pé do ouvido de Amadeus:
─ É meu caro Amadeus, você é um privilegiado, pois, ao que parece, sobre os seus ombros não foi imposto o “fardo pesado” da subserviência. Contudo, sejamos sóbrios, não vamos tripudiar sobre o seu amigo de púlpito. Antes, devemos aturá-lo com calma, até que ele possa, quem sabe, um dia, chegar ao pleno conhecimento da VERDADE.
Já era tarde da noite quando Deolinda, sem sono, deu asas à imaginação. Pensava de si para si: “Como a promessa de um paraíso após a morte e o medo do castigo eterno atraem as pessoas. Era esse o motivo pelo qual a igreja de Armando Pedreira estava abarrotada de almas penitenciando-se diariamente para escapar do inferno.
É isso mesmo! ─ diz a mestra, terminando o seu pensar: “Os Evangelhos falam de uma salvação que é de graça, mas ninguém acredita. Só se crê naquilo que se consegue através da troca, do toma-lá-dá-cá”.
A velha e cansada professora agora entendia o “porquê” da Igreja de Amadeus ter tão poucos fiéis.
fonte: Ensaios & Prosas
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Por quê você crê?
Sim, as pessoas se convertem na maioria das vezes porque se converteriam a qualquer coisa que as cercasse com força e poder, em qualquer lugar ou cultura.
Quase todos os crentes que eu conheço seriam o que fosse mais espetaculoso aqui ou em qualquer lugar ou cultura onde estivessem.
Seriam Budistas, Xintoístas, Taoistas, Zoroastristas, Mulçumanos, ou qualquer outra coisa, de acordo com a cultura ou a prevalência de poderes num choque de força com outra expressão religiosa, contra outra potestade.
A grande maioria se converte à promessa feita, não aos fatos existenciais da promessa.
Sim, convertem-se à promessa feita pelo homem que promete em nome de Deus...
Quem prometer mais e fizer mais demonstrações do prometido, esse é o que leva vantagem...
João Batista, aqui, hoje, seria totalmente não ouvido, nem no deserto e nem na cidade...
Afinal, se diz que João nunca fez nenhum milagre, embora tudo quanto ele tivesse dito acerca de Jesus fosse verdade plena.
Mas quem está interessado em verdade?
A verdade não importa. O que importa é a promessa ou a demonstração de poder, nem que seja o poder miraculoso da sugestão.
Somente um tempo depois é que algumas pessoas começam a se perguntar por que creram...
Em geral isso acontece quando decepcionada com o excesso de promessas ou com o escracho das incoerências, a pessoa vai cansando...
Aí ela conhece alguém que seja gente boa e, ao mesmo tempo, não faça parte do mesmo grupo religioso. Então, depois disso, a pessoa começa a se questionar... Quer saber se está do lado da verdade...
Assim a pessoa começa a se perguntar a razão de ter crido, se a Bíblia é fidedigna, se o Novo Testamento não é um exagero dos discípulos, se o que foi narrado é digno de confiança, ou mesmo se outras histórias de Jesus não foram suprimidas ou outros evangelhos não teriam sido arbitrariamente descartados...
Ora, quando a maioria chega aqui neste ponto já foi em razão de tanta decepção que a tendência da pessoa é privilegiar qualquer outra informação diferente daquela que originalmente a convenceu.
Então a pessoa que esteja nessa situação começa a ficar cínica!
Sim, qualquer coisa se torna importante como contradição às Escrituras, posto que a pessoa agora esteja tendente a descrer.
É nesta hora que vejo o processo recomeçar...
Cansadas de traumas e de mentiras muitas pessoas passam a tender crer naquilo que tem infinitamente menos respaldo histórico, mas que é diferente do que originalmente havia sido ensinado.
Comparando:
É como a pessoa que diz que tem problemas com o Novo Testamento, mas que não tem nenhum problema com o Alcorão, que é, na sua formação, um conta da carochinha quando comprado à gravidade dos Evangelhos.
Ora, quando eu cri em Jesus de fato cri porque cri.
Cri porque me senti tocado...
Cri porque meu pai cria e eu confiava nele...
Cri porque tinha visto sinais poderosos e cria neles...
Cri porque era o que havia de bom para se crer...
Cri porque aquele era o destino espiritual de minha família, de meu pai e minha mãe, eu queria para mim as mesmas coisas eternas...
Logo a seguir fui me maravilhando com a Bíblia. Depois com a sabedoria da Palavra. Depois com as experiências do poder de Deus na expulsão de demônios e na cura dos doentes...
Foi somente depois de um tempo que comecei a me perguntar realmente pela verdade...
Ora, isto aconteceu quando tive minha primeira decepção: ficara doente, e como orava com os doentes e eles ficavam curados, cria que quando ficasse doente eu mesmo ficaria curado.
Adoeci e não fui milagrosamente curado como acontecia com aqueles pelos quais orávamos.
Então comecei a me questionar...
Tinha 20 anos de idade e morava em Manaus.
Foi quando vi que por mais que eu fosse lógico e por mais que me calçasse do que pudesse ser base sólida para a minha crença, na realidade nada servia como base e fundamento, exceto a fé.
Sim, pois eu mesmo não andei com Jesus, não o vi morrer na Cruz, não testemunhei a Sua Ressurreição no domingo de manhã, não comi e bebi com Ele durante dos quarenta dias nos quais se manifestou aos discípulos depois de haver ressuscitado dos mortos, não o vi subir aos céus e nem tampouco vieram línguas de fogo sobre a minha cabeça quando recebi o Espírito Santo.
Na realidade eu vi que tinha que crer no testemunho de homens, de homens como eu, e, assim, teria que crer neles assim como desejo que as pessoas creiam no meu próprio testemunho; e como nunca pude me imaginar vivendo uma mentira tão radical quanto o Evangelho, não poderia imaginar que eles vivessem de outro modo; e, além disso, como cria em um homem como meu pai, que também jamais passaria a ninguém mensagens de Deus que não fossem de Deus — fui descansando em meus conflitos, embora tenha visto que somente seria salvo de meus conflitos pela fé e pela confiança, posto que todas as bases de apologia que me pudessem oferecer não resistiam as minhas mais simples indagações.
No fim a gente aprende que as lógicas da Bíblia somente servem aos que já crêem, e que sem fé nada na Bíblia se impõe por si mesmo, a menos que a pessoa ponha em prática antes.
Sim, toda razoabilidade supostamente bíblica é tolice como argumento que busque convencer quem não queira ser convencido, pois não há evidencias que esmaguem as lógicas humanas preconcebidas.
Na realidade tudo se inverteu...
Comecei pensando que cria por causa da Bíblia. Depois vi que cria apenas por causa de Jesus em mim...
Sim, vi que era o fato existencial de Jesus em mim que dava a mim mesmo a capacidade de crer no testemunho de homens como eu.
Em suma: era porque eu já conhecia Jesus em mim que eu podia crer no testemunho de Pedro, Paulo, Mateus e outros; pois, a partir de mim mesmo eu estava convencido de que eles tinham conhecido Aquele que eu conhecera também; e como não podia me imaginar brincando com tal realidade, não os concebia capazes de nada que não fosse também compromisso com a verdade.
Foi então que entrei de cabeça [entre os meus 20 e trinta anos de idade] em todos os aspectos do meu conflito intelectual em relação às bases de minha fé.
Entrei de cabeça apenas para verificar que eu tinha que ser meu próprio Pedro e meu próprio Paulo na experiência.
Sim, descobri que era a minha seriedade com o Evangelho que dava firmeza à minha fé na avaliação que eu fazia do testemunho dos 1ºs testemunhantes.
Percebi que eles são sérios quando a gente é séria, e que eles suscitam dúvidas em quem é capaz de brincadeiras e manipulações.
Ou seja:
A fé na Bíblia ou no Novo Testamento como texto de testemunho veraz acerca de Deus e de Jesus [...] somente encontra sua base de confiança na boa intenção de quem diz crer em Jesus.
Se sou desconfiado porque não me faço confiar ou porque já tenha sido muito enganado..., a minha tendência á andar sempre com um pé atrás, sem me entregar jamais por completo.
Então, nesse caso, se eu fosse assim, me tornaria um professor de Bíblia, buscando entender os melhores textos, e fazendo todo o possível para jamais ser enganado, e, por isto, tornando-me “aberto” o suficiente para analisar todo texto apócrifo sobre os evangelhos com o mesmo peso de respeito que dou a Marcos ou a Lucas.
Na realidade chega a hora em que pessoa tem que saber que crê porque creu, e que creu porque recebeu um testemunho interior, e que tal testemunho interior é verdadeiro não por causa do texto, mas em razão de que sua verdade é vida.
Desse modo, se o Novo Testamento contém a informação do Evangelho, de outro lado ele não tem nenhum poder interior em mim a menos que eu, crendo, me largue e me entregue à priori, do contrario, serei sempre apenas um catador de verdade ou de piolhos de inverdade na Bíblia.
Assim, meu encontro com Jesus pode não ter começado como o de Pedro ou Paulo, porém, creia, ele somente se mantém se eu me assumir com a mesma consciência e responsabilidade com Deus expressa por gente como Pedro e Paulo.
O Livro [Bíblia], o texto, o testemunho humano, a pregação, etc. — tudo tem seu lugar e importância no inicio de tudo, mas, depois de um tempo, ou você conhece Jesus ou, então, saiba: os argumentos das crenças já não ajudarão você em nada!
Depois de um tempo, no entanto, já não é mais por nada, muito menos pela Bíblia que você crê em Jesus, pois, se Ele está vivo [como disse que estaria e eu testemunho que está], então, a Bíblia serve de catapulta histórica e concreta para a informação fundamental, mas não é ela mesma, a Bíblia, o agente essencial, que é o Espírito ativando a Palavra; e isto é infinitamente maior do que a Bíblia, posto que seja a Presença viva de Jesus em você, tornando cada um de nós gente que um dia conheceu de ouvir e de ler, mas que agora pode dizer: “Os meus olhos Ti vêem”.
Nele, com Quem vivo todos os dias e todas as noites,
Caio
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sexta-feira, 3 de julho de 2009
Frases "zumbificantes"
01. Amém? Está fraco. AMÉM? Amém ou não amém?02. Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão.
03. Existe a lei da semeadura, e o número da conta é...
04. Isso é roubo, meu irmão; você nasceu pra ser cabeça, não cauda!
05. Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha.
06. O Diabo quer lhe destruir.
07. Estou vendo uma obra de bruxaria em sua vida.
08. Vamos quebrar as setas inimigas.
09. Nada vai impedir que você seja um conquistador.
10. Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro.
11. A igreja de Gezuiz ainda vai conquistar o mundo.
12. A partir de hoje (nome de sua cidade / estado) nunca mais será igual.
13. Nós somos um povo que não conhece derrota.
14. Venha para Jesus e pare de sofrer.
15. Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação.
16. Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo.
17. Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo.
18. Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em Boca Raton.
19. Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil.
20. Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos.
21. Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de...
22. Estamos num mover apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos.
23. Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história.
24. Vamos ficar em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas...
25. Quando vejo essa multidão de XXX pessoas (sempre múltipos de milhares), só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês.
26. O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença.
27. Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão.
28. Semana que vem teremos mais uma sessão de cura interior.
29. Enquanto não pedirmos perdão ao Paraguai pela guerra, nunca seremos uma nação próspera.
30. Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente.
Chupei e adaptei do Genizah
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A teologia da prosperidade e a morte
Fiquei nesses dias refletindo sobre esse momento crucial da vida humana: a morte. Em condições normais, que poder ela tem de despertar consciências para a transitoriedade da vida.
Paradoxalmente constato o medo que os cristãos tem da morte. Especialmente os adeptos das correntes que professam a teologia da prosperidade, normalmente de origem carismática.
Confesso que nasci em um lar chamado “cristão”. Não que isso impedisse que minha família vivesse também as mazelas de ser gente e família como todo ser humano. Mas, pelo menos, éramos ensinados desde crianças a acreditar na vida eterna, na transitoriedade da vida, e que a morte antes vista como a recompensa pelo pecado, se transformara em um momento de encontro face a face com Deus.
Recordo-me da época em que quando um crente morria, em não havendo questões sanitárias e médicas envolvidas, o corpo era velado no templo. As famílias se revezavam em apoiar e consolar a família enlutada. O pastor da igreja, e não outro, oficiava o culto solene de ação de graças junto com outros pastores ali presentes, se estivessem. E ao lado da tristeza da perda, um inexplicável ar de esperança se manifestava através da fé consistente daqueles cristãos e dos cânticos que entoavam.
Obvio, nada é perfeito. Basta lembrar que passado esse momento, as disputas e as vaidades voltavam a imperar. Coisa típica de pecador, afinal igreja foi feita para pecador e não para santo. Mas que em nada diminuía a fé nas verdades da Palavra, nem o genuíno sentimento de solidariedade em momentos como esse.
Hoje, no entanto, a morte que evidencia a transitoriedade da vida é escondida do povo. O ensino alienante é o “viver na dureza não é coisa de Deus... ficar doente é coisa do diabo... há poder em minhas palavras... não admito o roubo na minha vida... posso determinar minha vitória... Deus está disposto a me abençoar desde que eu ‘abençõe’ a obra d’Ele... pregue que seu “deus” é mais forte que o deles, será natural que queiram ficar do lado do deus mais forte... morte? Que morte? Eu vou ser arrebatado!!!!”
Daí em cerimônias fúnebres vermos gente que se diz cristã inconformada com a morte... não se conformam que a mãe de 95 anos morreu... querem-na viva a qualquer custo, ainda que esse ser sofra de males que só a morte para aliviar, para não sofrerem, pois sofrer não vem de Deus em sua concepção... uns orando para que haja uma ressurreição antes de fechar o caixão, outros disfarçadamente impondo as mãos sobre o morto determinando que volte à vida e mais alguns questionando porque Deus permitiu a morte... cenas tão ridículas quanto a fé destes.
A morte põe em risco as bases da teologia da prosperidade, por isso ela é varrida para debaixo do tapete... vai que em um momento como esse, as consciências despertem e descubram que não é como se morre que importa, mas sim como se vive, como Jesus mesmo afirmou na passagem do acidente com a torre de Siloé.
Por isso quando um irmão morre, isso é sempre comunicado “de leve”, sem destaque, seguido do pedido de orarmos pela “consolação do Espírito Santo” sobre a família. Poucas vezes vi uma palavra de incentivo de visita aos enlutados. Colocar um caixão com um corpo inerte no templo? Dificilmente. Para oficiar um culto em Ação de Graças mandam aquele que consideram o pastor mais “inexpressivo” do ministério, o cara que encara tudo pelo ministério... exceto se o morto era rico... quem sabe sobra uma doação póstuma dele para a “igreja”?
A exposição clara desse fato da vida é demais para a cabeça dos neo-crentes. Todos no íntimo sabem que esse provavelmente vai ser seu fim. Alguns de súbito e sem dor, outros após curtos ou longos períodos de sofrimento. Momentos onde determinar, barganhar, testemunhar “pela fé” a cura não passam de placebos psicológicos para acobertar a desesperança que tal teologia instala na pessoa.
Esse versículo sintetiza o que penso sobre isso. Enquanto essa teologia do umbigo prevalecer, mais e mais pessoas terão medo da morte e do sofrimento, pois sua vida se resume a atender seu ego e as demandas da sociedade com uma “forcinha de Deus”. Nada de transcendência. Não estão conscientes de que a vida é mais que comida e bebida. Outros acreditam que estarão justificados pelas suas obras no “ministério”, na propagação de tal teologia enganosa, quando na verdade serão demandados por Ele por não se abrirem à verdade da Palavra e não levarem essa mensagem de esperança do evangelho que poderia salvar esse povo todo do medo da morte.
É mais fácil dar falsas esperanças, ainda que se utilize marotamente da bíblia para respaldá-las, que ensinar a cada um como se vive! Melhor ainda se essa falsa esperança puder virar fonte de renda para viver uma vida regalada, para corroborar a mensagem!
Essa pregação tresloucada transforma a todos os seus seguidores nos seres mais miseráveis da terra, pois o seu Cristo é só para consumo imediato e sua visão pós-morte freqüentemente inexiste ou sua esperança nesse quesito é frágil. Os ateus e os seguidores de outras religiões estão mais preparados para lidar com a perda e o sofrimento que estes "cristãos".
Paradoxalmente constato o medo que os cristãos tem da morte. Especialmente os adeptos das correntes que professam a teologia da prosperidade, normalmente de origem carismática.
Confesso que nasci em um lar chamado “cristão”. Não que isso impedisse que minha família vivesse também as mazelas de ser gente e família como todo ser humano. Mas, pelo menos, éramos ensinados desde crianças a acreditar na vida eterna, na transitoriedade da vida, e que a morte antes vista como a recompensa pelo pecado, se transformara em um momento de encontro face a face com Deus.
Recordo-me da época em que quando um crente morria, em não havendo questões sanitárias e médicas envolvidas, o corpo era velado no templo. As famílias se revezavam em apoiar e consolar a família enlutada. O pastor da igreja, e não outro, oficiava o culto solene de ação de graças junto com outros pastores ali presentes, se estivessem. E ao lado da tristeza da perda, um inexplicável ar de esperança se manifestava através da fé consistente daqueles cristãos e dos cânticos que entoavam.
Obvio, nada é perfeito. Basta lembrar que passado esse momento, as disputas e as vaidades voltavam a imperar. Coisa típica de pecador, afinal igreja foi feita para pecador e não para santo. Mas que em nada diminuía a fé nas verdades da Palavra, nem o genuíno sentimento de solidariedade em momentos como esse.
Hoje, no entanto, a morte que evidencia a transitoriedade da vida é escondida do povo. O ensino alienante é o “viver na dureza não é coisa de Deus... ficar doente é coisa do diabo... há poder em minhas palavras... não admito o roubo na minha vida... posso determinar minha vitória... Deus está disposto a me abençoar desde que eu ‘abençõe’ a obra d’Ele... pregue que seu “deus” é mais forte que o deles, será natural que queiram ficar do lado do deus mais forte... morte? Que morte? Eu vou ser arrebatado!!!!”
Daí em cerimônias fúnebres vermos gente que se diz cristã inconformada com a morte... não se conformam que a mãe de 95 anos morreu... querem-na viva a qualquer custo, ainda que esse ser sofra de males que só a morte para aliviar, para não sofrerem, pois sofrer não vem de Deus em sua concepção... uns orando para que haja uma ressurreição antes de fechar o caixão, outros disfarçadamente impondo as mãos sobre o morto determinando que volte à vida e mais alguns questionando porque Deus permitiu a morte... cenas tão ridículas quanto a fé destes.
A morte põe em risco as bases da teologia da prosperidade, por isso ela é varrida para debaixo do tapete... vai que em um momento como esse, as consciências despertem e descubram que não é como se morre que importa, mas sim como se vive, como Jesus mesmo afirmou na passagem do acidente com a torre de Siloé.
Por isso quando um irmão morre, isso é sempre comunicado “de leve”, sem destaque, seguido do pedido de orarmos pela “consolação do Espírito Santo” sobre a família. Poucas vezes vi uma palavra de incentivo de visita aos enlutados. Colocar um caixão com um corpo inerte no templo? Dificilmente. Para oficiar um culto em Ação de Graças mandam aquele que consideram o pastor mais “inexpressivo” do ministério, o cara que encara tudo pelo ministério... exceto se o morto era rico... quem sabe sobra uma doação póstuma dele para a “igreja”?
A exposição clara desse fato da vida é demais para a cabeça dos neo-crentes. Todos no íntimo sabem que esse provavelmente vai ser seu fim. Alguns de súbito e sem dor, outros após curtos ou longos períodos de sofrimento. Momentos onde determinar, barganhar, testemunhar “pela fé” a cura não passam de placebos psicológicos para acobertar a desesperança que tal teologia instala na pessoa.
"Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens."
1 Coríntios 15:19
Esse versículo sintetiza o que penso sobre isso. Enquanto essa teologia do umbigo prevalecer, mais e mais pessoas terão medo da morte e do sofrimento, pois sua vida se resume a atender seu ego e as demandas da sociedade com uma “forcinha de Deus”. Nada de transcendência. Não estão conscientes de que a vida é mais que comida e bebida. Outros acreditam que estarão justificados pelas suas obras no “ministério”, na propagação de tal teologia enganosa, quando na verdade serão demandados por Ele por não se abrirem à verdade da Palavra e não levarem essa mensagem de esperança do evangelho que poderia salvar esse povo todo do medo da morte.
É mais fácil dar falsas esperanças, ainda que se utilize marotamente da bíblia para respaldá-las, que ensinar a cada um como se vive! Melhor ainda se essa falsa esperança puder virar fonte de renda para viver uma vida regalada, para corroborar a mensagem!
Essa pregação tresloucada transforma a todos os seus seguidores nos seres mais miseráveis da terra, pois o seu Cristo é só para consumo imediato e sua visão pós-morte freqüentemente inexiste ou sua esperança nesse quesito é frágil. Os ateus e os seguidores de outras religiões estão mais preparados para lidar com a perda e o sofrimento que estes "cristãos".
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Os Novos Fundamentalistas
Todos os textos que posto aqui sobre Esoterismo, Budismo, Islamismo, Nova Era, ou mesmo sobre as "viagens" deles acerca de fazer Jesus não-histórico, de um lado, na mesma medida em que se servem dos mesmos evangelhos que denunciam como fabricação humana dos cristãos, a fim de reforçar, quando é conveniente, a idéia de Jesus como o Representante da Era que passou e da qual o "Cristianismo" foi a incorporação histórica — recebem [os textos] resposta imediata e dogmática de alguém que se diz representante de tais idéias e que me escreve com "Quero veementemente protestar de modo ABSOLUTO contra o que você escreveu..."
Ou seja: a maioria desses são ex-cristãos, os quais ficaram cansados do Cristianismo e sua burrice humana e espiritual, e, agora, uma vez que pensam que o que de Jesus se poderia conhecer é revelado pelo Cristianismo, e como não é assim..., ficam com o engano de que souberam o que é o Evangelho..., mas, pelo que ficaram sabendo e viram..., perceberam que nada ali era verdade...
Ora, para tais pessoas o “Cristianismo” é o ente que oferece o que Jesus teria a oferecer...; ou seja: nada além do Cristianismo...
Assim, dentro de mais um tempo, nem tanto já aqui no Brasil e no chamado antigo 3º Mundo, mas logo, logo na Europa e nos Estados Unidos, se verá este tipo de embate cada vez mais acentuado.
Eu aprendi a gostar de perseguição, pois, vejo que sempre foi dela que surgiu o susto que acordou os discípulos desde sempre!
Interessante em meio a tudo isto é verificar que o "Código Da Vince" se tornou a "bíblia" deste novo tempo, não como livro de leitura, mas como ficção mais levada a sério do que a Bíblia.
Com a Era Da Vince os "Evangelhos Apócrifos" de Filipe, Maria Madalena e Judas [obras do 3º século e produzidas por gnósticos, fazendo adaptação de Jesus às suas próprias crenças e interesses] — tornaram-se os evangelhos deste tempo, visto que foi a partir deles que Dan Brown, o crente Davinciano e autor do livro templário pós-moderno, o tal "Código Da Vince", erigiu sua tese fabulosa...
O fato é que cada um come o que gosta e no fim é tudo a mesma...
Nós, porém, cada vez com mais ousadia, pregaremos cada vez mais apenas o Evangelho!
Entretanto, não dá mais para ficar sabendo do Evangelho apenas aquilo que as "igrejas" ensinam, pois, agora, o nível de articulação e compreensão tem que ser bem mais profundo; e os crentes não estão preparados para nada disso.
A cabecinha oca dos cristãos..., sem razão da esperança e sem conhecimento de Jesus, não suportará a avalanche de criações e de argumentos que estão sendo montados todos os dias...
A ignorância dos cristãos sobre a Palavra os deixa em estado de total vulnerabilidade; e digo isto pelo nível de conflito que tais coisas geram na mente dos crentes, que me escrevem aturdidos, querendo saber se realmente a história de Jesus se parece com as histórias dos mitos egípcios, gregos, celtas, etc...
E fazem isto com a fraqueza dos que nunca conheceram o Evangelho e com o conflito de quem se deixa persuadir por qualquer argumento; afinal, até o "argumento" cristão os convenceu um dia, o que prova que são convencíveis por qualquer argumento, posto que no "Cristianismo" os argumentos só sejam validos para quem não tenha mesmo o que dizer, posto que o "Cristianismo" só convença "cristãos"...
É hora de voltar a ler a Palavra. É hora de ficar culto no espírito. É hora de saber o que está acontecendo... É hora de estar mais que esperto e com os olhos bem abertos!
A esta altura já deve haver "cristãos" se preparando para a briga... São os Cruzados Modernos... Acham que vão ganhar esta no braço, quando nem sabem que no tempo que tinham poder, na virada do 1º para o 2º milênio, ainda assim "perderam" para Saladino.
Jesus prometeu que a Sua Igreja venceria o Inferno, mas nada disse sobre o "Cristianismo", o qual não carrega nenhuma promessa de Jesus feita a Constantino, o fundador do Cristianismo.
Chegará a hora em que toda brincadeira "gospel" acabará no mundo inteiro, e, nesse tempo, somente quem andar com Jesus mesmo e no Evangelho de verdade, é que suportará a pressão.
O que está acontecendo ainda no Brasil, com todo esse show de paganidade cristã na Televisão, e na mídia em geral, não é o que está acontecendo na Terra.
Portanto, não pense que no mundo as coisas são como são aqui, pois, de fato, já não são, e, possivelmente, jamais voltem a ser...
Aqui, pela religiosidade católica e pela força de massa dos Evangélicos, ainda se terá tanto o circo como a liberdade para praticá-lo por um bom tempo...
Mas, não durará também para sempre...
Ora, quanto antes tudo isto aconteça, antes se verá quem é quem; quem crê mesmo...
Pense nisso e tome posições espirituais sérias!
Nele, que não nos deixou desavisados,
Caio, 18 de junho de 2009, Lago Norte, Brasília, DF
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