No que creio e tento viver.

Entendo que a verdadeira rendenção espiritual não tem entre os seus agraciados aquelas pessoas que posam de santas e moralmente irrepreensíveis, tampouco aquelas que investem a sua vida em defender a doutrina melhor fundamentada em escritos ancestrais... vejo que ela é alcançada pelo pecador arrependido que, por assim se reconhecer e ciente de sua limitação, ousa não mais negociar com Deus o Seu favor mediante seus esforços pessoais mas, em um passo de fé, acredita na bondade intrínseca de seu Ser e nos méritos do Cristo crucificado e ressurreto respondendo à essa fé com uma nova postura, voltada à Deus e ao próximo sem fanatismos, dando assim sabor à sua vida e a dos que estão à seu redor neste mundo. E tudo isso é possível exclusivamente pela Graça de Deus, fruto de Seu amor por nós.
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terça-feira, 27 de abril de 2010

A Verdadeira Chama Divina


sobre pregação do Pr. Caio Fábio.
Levítico 10:1-3

O que é válido diante de Deus de nosso culto e nossas ofertas?

Nós esquecemos o que realmente nos faz aceitáveis diante d´Ele. Hoje há uma crença disseminada na igreja que qualquer coisa que apresentemos como produto de nossos esforços “sinceros” e de “coração limpo” à Deus com um recheio de “Jesus”, Ele é obrigado à aceitar por causa de Sua bondade e misericórdia.
A Palavra mostra claramente que não é assim que as coisas funcionam no âmbito espiritual. Tendemos a repetir em nosso relacionamento com Deus os mesmos parâmetros que utilizamos em nossas relações pessoais e com as coisas deste mundo.

Lendo com cuidado o trecho bíblico em evidência, vemos que a história começa antes, no capítulo 9 onde Deus através de Moisés orienta como proceder para que Sua Glória de manifestasse em meio à Israel. Ritos de arrependimento, perdão a ação de graças pela remissão dos pecados pessoais e coletivos.

Na história relatada na bíblia do relacionamento entre Deus e o homem, fica sempre patente a inadequação do segundo em relação ao primeiro em função do pecado. Igualmente o ardente desejo de Deus em aproximar-se de sua criação apesar de sua rebeldia. Entretanto a Santidade do Senhor é fogo consumidor: não há pecador que possa se aproximar d’Ele sem que o juízo de sua Santidade o consuma irremediavelmente.

Na antiga aliança os ritos eram necessários, dado o contexto histórico-relacional dentre o divino e a humanidade. Mas sempre foram lastreados na Graça Divina: a voluntariedade de Deus em escolher um pelo qual Suas orientações pudessem ser passadas para o povo; a concessão de, sobre tão frágeis ritos, Deus manifestar-se em meio ao povo; Sua promessa de prover o sacrifício perfeito no devido tempo; Suas advertências carregadas de amor à Israel em tempos de infidelidade à aliança.

Deus somente aceita de nossa parte, como oferta agradável à Si, aquilo que Ele mesmo nos entrega graciosamente!

Ofertar à Deus nossos esforços teológico-pessoais como oferta agradável à Ele é incorrer no mesmo erro de Nadabe e Abiú. Eles ofertaram FOGO ESTRANHO ao Senhor. Se estes tivessem se atido somente ao que o Senhor através de seu Pai Arão ordenara, a Glória de Deus ali manifesta seria Bem. Mas quando caíram na tentação de fazer algo por si mesmos, ofertando algo além daquilo que o Senhor ordenara, houve o entorpecimento da percepção de ambos e o bem transformou-se em juízo consumidor para eles.

O sacerdócio de Nadabe e Abiú está presente nas igrejas cristãs hoje em dia. Fomos instruídos desde o início de nossa jornada espiritual a apresentar FOGO ESTRANHO diante do Senhor, consignados nas nossas obras de sacrifício pessoal, em nome de “Jesus”. Fomos incentivados a acreditar que nossas bênçãos são fruto daquilo que pensamos ser para Deus a partir de nossas ofertas pessoais, quando a Palavra mostra que somos abençoados por aquilo que Deus representa para nós em nossas consciências.

Esse modelo de vida espiritual desconsidera a Graça, a Misericórdia e o Amor do Pai, substituindo-os pelas nossas presunções e percepções que invariavelmente são afetadas pelo nosso pecado essencial. Quando vamos entender, absorver, internalizar, nos conscientizar que só entramos na presença do Pai só porque Ele fez TODO trabalho!

Foi só porque o sangue de Jesus foi derramado na cruz, e a nossa fé em nos apropriar desse sacrifício perfeito com o Cordeiro ofertado em sacrifício pelo Pai para perdão de nossos pecados, que nos habilita a estar em Cristo assentados em lugares celestiais!

Esse é o FOGO que Deus aceita de nossas vidas como oferta de louvor à Ele!

O fogo do sacrifício do Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Daquele que foi sacrificado fora do templo e teve sua carne e ossos queimados fora do arraial, conforme Hebreus 13, determinando que quem acredita que as obras pessoais prevalecem, não tem parte na nova aliança. Que permite que Deus olhe para a humanidade e veja o espesso sangue de Seu filho cobrindo nossos pecados e nos tornando justificados pela fé nele.

A partir daí o Fogo de Deus não é mais para nossa extinção, mas para validação de nossa fé.

Entretanto hoje somos incitados a extrapolar a simplicidade da mensagem do Evangelho e da Graça divina para fazer prevalecer nossas obras sobre a Verdade. Somos levados pela síndrome da inovação a buscar fora da revelação divina, outras manifestações de espiritualidade. É a hora que entra em ação os mecanismos humanos da intuição, das profetadas e revelamentos, das teologias estapafúrdias.

É a hora em que o FOGO HUMANO/ESTRANHO se confunde com o FOGO DIVINO nas manifestações carismáticas de poder espiritual. Vivemos uma época onde o pentecostes é perseguido como sinal de autenticidade da caminhada espiritual de pessoas e grupos.

Sinais e manifestações de poder sobrenatural só têm validade se antes forem passados pelo Sangue do Cordeiro em nosso relacionamento pessoal com Ele.

O FOGO DE DEUS só chega em nossas vidas como validação, quando passamos pelos “ritos”da Graça: consciência de pecado, arrependimento, reconhecimento da soberania divina, aceitação do perdão, submissão aos designios divinos e alegria pela relação com Deus.

Essa é a mensagem do Evangelho. Essa é a mensagem da Cruz. Tudo isso foi substituído por palestras motivacionais, programação neurolingüística, poder de querer, a força da fé, empreendedorismo, prosperidade, os novos ídolos do cristão. Jesus e sua obra se reduzem a um validador místico do naipe de uma fada-madrinha, gênio da lâmpada ou ainda a um Xamã.

Poder do Espírito Santo, fogo divino por excelência, nesse contexto só para “perseguir e pisar no inimigo”, “ter estratégias ‘sobrenaturais’ para ser próspero” ou para obter a “vitória total”. Não se fala mais no Cordeiro de Deus, oferta pela culpa, do apaziguamento da alma pela Graça de Deus, da vida abundante em Cristo, da festa pela reconciliação, da fé no sangue vertido na cruz por Jesus para perdão dos pecados.

Isso hoje é conto infantil. A moda entre os “crentes” é sair como caçadores em busca de métodos de como acender o FOGO HUMANO/ESTRANHO. Um dia em uma igreja, na semana seguinte em outra para “aprender” como acender o pavio de algo que nem sabe de que origem é, e assim por diante. Não há sossego de alma. Não há tempo de fechar a porta do quarto e entregar-se sinceramente diante do Pai, de onde vem o FOGO DIVINO.

O PENTECOSTES SÓ VEM DEPOIS DO CALVÁRIO!

Só há um fogo (oferta, culto) que o Senhor aceita de nós: aquele que Ele mesmo nos deu por meio de Cristo Jesus. Que é FOGO DIVINO, validador de nossa caminhada em fé e em pacificação de mente e coração em Deus; testemunho vivo em nós de que a Sua Palavra é a Verdade!

PORQUE:
- sangue inocente foi derramado para perdão de nossos pecados;
- estamos cientes de nossa absoluta e humanamente irremediável inadequação diante de Deus;
- somos alvo da total Graça divina em nos tornar justificados perante Sua presença;

Que aprendamos a discernir o fogo que ofertamos ao Senhor em nossas vidas.

Paz.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Qual é o fruto de nossa fé?


Incrivel é sabermos pelos velozes meios de comunicação, que nos dias de hoje ainda possam haver pessoas que -levianamente- acusam crianças de “bruxas” para justificar o fracasso ou a situação de prostração de alguém ante as demandas da vida. Mais incrível ainda é saber que esses tais acusadores se passam por ministros evangélicos, que COBRAM para tirar a suposta “mandinga” que acusam estas crianças de serem portadoras, enriquecendo sobre a vulnerabilidade e a credulidade sincera do povo africano.

Mas não pára por aí: espantoso é saber que um homem, sem vocação religiosa evidente tenha fundado uma ONG para resgatar e acolher essas crianças do abandono de suas famílias e da violência as quais são submetidas cotidianamente, em mais uma manifestação da graça comum que todo dia testemunhamos mas não reparamos, posto que a percepção comum destes dias nos diga para nos impressionarmos somente com os milagres pirotécnicos dos programas religiosos da TV como autênticas manifestações da graça e do amor de Deus.

No entanto, o que realmente impacta é saber e presenciar que aqueles que se dizem filhos da graça, resgatados pelo evangelho de Cristo e embaixadores do Reino dos Céus na terra, pouco ou nada tem feito para socorrer os pequeninos que sofrem junto com suas famílias que por não terem dinheiro para pagar pela “libertação” à esses dublês de pastor, se vêem obrigados a afastar os filhos “enfeitiçados” de seu convívio, submetendo-os a violência física para posteriormente os abandonar à sua própria sorte, como um meio rudimentar de mitigar os efeitos dessa feitiçaria, na expectativa de uma melhoria de vida que nunca chega, ou se chega o faz potencializando a seqüela da culpa pelo abandono de um filho ou filha ao acaso.

Se nós cristãos não nos movimentamos em direção a socorrer o necessitado, senão como resposta pessoal, amorosa e responsável em concordância com tudo aquilo que alegamos acreditar ser o fruto do sacrifício de Cristo, pelo menos o façamos pelo sentimento de solidariedade que dia após dia tem levado os não-religiosos a operar as obras que por privilégio divino nos foram entregues, para que assim o amor de Deus fosse manifesto pela motivação correta de nossos corações em realizar o bem.

Engajei-me nesse propósito e convido você a ser participante ativo desse projeto. Um grupo de voluntários constituídos por profissionais da saúde, ministros do evangelho de Cristo (e não da igreja) e gente disposta que pagou com dinheiro do próprio bolso sua passagem para trabalhar sob sol escaldante e se submeter ao imprevisto e impensável (para bem ou para mal), sem melindres denominacionais e de títulos eclesiais, será enviado no dia primeiro de Janeiro de 2010 para, em missão, prestar socorro a esse povo carente de assistência médica e espiritual não-religiosa, mas encharcado do amor ao próximo que o evangelho nos ensina.

O que chamo de ser “participante ativo”? É tudo aquilo que, movido pelo poder da Palavra que mudou seu interior e suas percepções sobre o mundo que te envolve, possa fazer para o êxito dessa incursão missionária desafiadora. Seja orando, contribuindo com dinheiro na medida de suas possibilidades e liberalidade no Senhor e divulgando esse projeto em sua comunidade espiritual ou mesmo em seu emprego ou escola a fim de reunir gente de bem que possa contribuir para que os custos desse empreendimento missionário possam ser cobertos.

Convido a interar-se sobre esses eventos e projetos acessando o Dossiê Nigéria, onde além do farto material sobre essa questão explicada, encontra-se também informações de como contribuir e link de contato para informações. Incentivo você a fazer sua oferta de amor para a assistência a essas vidinhas que vem sendo roubadas sistematicamente em seu futuro e em suas possibilidades pelas palavras de um outro evangelho que não é o de Jesus.

O Caminho da Graça – Estação ABC, na reunião do dia 13 de dezembro próximo, domingo, levantará uma oferta especial destinada a esse trabalho. Sem promessas de fartura e prosperidade em troca de sua ajuda, mas com uma única certeza que nos conforta: o que for ali levantado motivado pelo espírito e pela causa do evangelho, será bênção para essas crianças.

Eu e as crianças da Nigéria contamos com sua liberalidade no Senhor.

Eliézer
Caminho da Graça
Estação ABC

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Que venha a perseguição

Pr. Ariovaldo Jr.

Bom mesmo é quando a igreja é perseguida a ponto de não poder alugar um prédio. Pra começar não ficamos preocupados durante todo o mês com a arrecadação de dízimos e ofertas. Não haveriam despesas fixas tão asfixiantes. Não seria preciso usar Malaquias fora de contexto para forçar as pessoas a ofertarem por medo do devorador.

Não incomodaríamos nossos vizinhos com os ensaios do louvor. Não teríamos a “dona Maria” reclamando todos os sábados a noite do barulho bem na hora do Jornal Nacional. E o pior é que eles tem razão em reclamar. “Graças a Deus” eu não moro vizinho de minha própria igreja. Deve ser muito bom poder louvar a Deus apenas com sussurros. Não sei se a maioria das pessoas já parou para imaginar que isso é totalmente possível.

Bom mesmo é quando não precisamos investir em decoração e multimídia valores exorbitantes e muitas vezes superiores ao que gastamos com pessoas. É muito bom quando precisamos que cada um traga uma cadeira de casa. É muito bom quando somos poucos e não é necessário ar-condicionado. Basta ligar um ventilador, ou mudar o culto para outro local mais fresco.

Bom mesmo é quando não podemos pagar a ninguém para ficar por conta do “rebanho”. Todos compartilhariam da responsabilidade de cuidar de seus irmãos. E se algum irmão for “separado” para a dedicação exclusiva no ministério, poderíamos compartilhar com ele apenas suas necessidades básicas e na medida de nossas possibilidades. Cada prato de comida teria um sabor especial para quem o recebe. Seria muito diferente de poder comprar sua própria comida. Servir ao ministério seria de fato um ato de renúncia.

Bom é quando não podemos usar microfones e, então, precisamos falar do evangelho no mesmo volume dos ouvintes. Então a pregação se torna viva e participativa. Acabam-se as circunstâncias em que ficamos horas e horas seguidas ouvindo alguém falar de cima de um palco. Se não conseguimos prestar atenção em quem berra num microfone, é por que o assunto deve ser realmente desinteressante. Mas por que será que preferimos culpar as pessoas ou o “espírito de distração” por nossa irrelevância?

Bom é quando nossa casa não pode ser referência de reunião, sob risco de sermos presos. Bom é quando nossa vida não pode se tornar referência de conduta, sob risco de sermos mortos. Fica tão mais fácil discernir quem é ou não discípulo de Jesus. Poucos se arriscariam fingindo ser crente sob o risco constante de ser perseguido. Não seria necessário gastar palavras em pregações combatendo a religiosidade do povo.

Bom mesmo é ser crente em países muçulmanos.

Eu disse que estas coisas todas são boas. Não disse que eram fáceis!

fonte: ariovaldo.com.br, via Bereianos

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Presente e futuro da igreja evangélica no Brasil (final)


Para terminar esta série de artigos sobre o presente e futuro da igreja evangélica brasileira, quero dar a minha “receita” para fazer com que a igreja evangélica se mantenha numericamente ao longo de várias gerações e deixe uma marca positiva na história do país. Primeiro, a recuperação da espiritualidade cristã clássica. Já vemos alguns movimentos incipientes nesse sentido no meio evangélico brasileiro. Aquela espiritualidade clássica de escuta, de humildade, de cultivo do interior. Em segundo lugar, a ética centrada no cultivo do domínio próprio nas três grandes áreas clássicas: dinheiro, sexo e poder. Como evangélicos, somos capazes de perceber um escândalo sexual a uma grande distância, mas incapazes de perceber os maiores escândalos de dinheiro e poder debaixo do nosso próprio nariz. Em terceiro lugar, a visão reformada da fé como transformadora da sociedade, baseada numa cosmovisão bíblica. Em quarto lugar, uma teologia do poder que saiba discernir entre modelos sadios e doentios de liderança. Muitas vezes criamos “ídolos” evangélicos (talvez por não termos santos como os católicos!) e esses ídolos acabam nos desapontando, para dizer o mínimo. O problema é que, de fato, precisamos de exemplos inspiradores. Como diz o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11, “sejam meus imitadores”. Porém a frase não para aí. “Sejam meus imitadores, ‘como eu sou de Cristo’”. A diferença fundamental entre os dois tipos de líderes evangélicos pode ser demonstrada ao se fazer uma analogia com dois tipos de janela. A janela de uma sala é transparente; conseguimos ver o que está do outro lado dela. Já a janela de um banheiro é opaca; deixa passar a luz, mas não permite uma visão do que está do outro lado. Ninguém enxerga o que está além de uma janela opaca. Da mesma forma, existem os líderes evangélicos opacos, e os líderes evangélicos transparentes. Os opacos podem ser fantásticos, mas não enxergamos nada além deles. E quando eles caem, como inevitavelmente acontece, nosso mundo desaba. Por outro lado, existem os líderes transparentes. Na realidade, eles não são uma janela de sala perfeita: sempre tem algumas rachaduras. Embora as rachaduras nas janelas transparentes possam distorcer um pouco a visão da paisagem, elas não nos impedem de vê-la. Fazemos um ajuste mental: “Aqui há um defeito na janela, aquela árvore não é bem assim na realidade”. Os nossos líderes transparentes são sempre rachados, imperfeitos. Mesmo assim, conseguimos ver além deles, em direção a Cristo. Melhor a transparência rachada do que a opacidade intacta. Ironicamente, o nosso meio evangélico sofre de uma doutrina fraca do pecado. Não temos a doutrina protestante clássica, de desconfiança. Todas as pessoas são afetadas pelo pecado, e não devemos confiar demais em ninguém. Pelo contrário, é por isso que sempre deve haver uma prestação mútua de contas. O poder é inevitável nas relações sociais, mas ele é sempre perigoso. É por isso que quando Paulo levanta uma oferta para a igreja de Jerusalém entre as igrejas da Grécia, pede que as igrejas escolham uma pessoa para ir com ele -- para ficar de olho nele! E isso apesar de Paulo ser apóstolo e pai na fé de muitos daqueles cristãos. Ninguém é digno de poder ilimitado e incontrolável.

O quinto e último ponto da minha ‘receita’ é a teologia da distribuição dos dons do Espírito Santo. Não uma teologia dos dons em si, mas da distribuição deles. Essa teologia da distribuição dos dons é (ou deveria ser) a base da igreja, a base da eclesiologia. A base da vida da igreja é a maneira como Deus distribui os dons do Espírito. E o que percebemos lendo Romanos 12 e 1 Coríntios 12 (além da diferença enorme nas duas listas de dons) é a ênfase na doutrina da distribuição. Ou seja, Deus dá dons do Espírito Santo a todos, não a alguns. Ele poderia ter dado dons a alguns poucos e deixado os outros sem nada; mas, se fizesse isso, seria outro deus e criaria outra igreja. Também seria possível que Deus desse todos os dons a cada indivíduo; mas novamente seria outro deus criando outra comunidade cristã (que não seria ‘comunidade’, pois cada pessoa seria espiritualmente autônoma e autossuficiente). Porém, Deus não faz isso; ele dá dons a todos, mas não dá todos os dons a ninguém. Seria possível também que Deus decidisse que certas pessoas fossem mais importantes por causa dos dons que recebem, criando uma hierarquia entre os cristãos. Mas, novamente, Deus não faz isso. Porque a maneira como Deus distribui os dons reflete seu caráter, e isso deveria ser normativo para a vida da igreja. Quando a vida da igreja não reflete essa doutrina da distribuição dos dons, acaba distorcendo o caráter do Deus que apresenta ao mundo.

As implicações disso são radicais. Essa doutrina é radicalmente democrática; não existe nada no mundo antigo que chegue perto disso. A democracia grega era só para homens livres. No entanto, o Novo Testamento explicitamente inclui escravos, mulheres e todas as etnias, superando o classismo, o sexismo e o etnocentrismo. E essa doutrina da distribuição contrasta radicalmente com tantas coisas que acontecem dentro das nossas igrejas, inclusive as igrejas que se dizem pentecostais e procuram cultivar os dons. Contrasta visivelmente com os estilos de liderança que predominam no nosso meio.

Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é doutor em sociologia pela UNICAMP. É autor de, entre outros, Religião e Política, Sim; Igreja e Estado, Não (Editora Ultimato).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

hakuna mungu kama wewe



Minha alma anda "black" nesses dias...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Milagres na Nigéria

Essa série de vídeos (impressionantes e despudorados) demonstra que ainda podemos ver sinais e maravilhas pela simples fé com imposição de mãos, sem necessidade de qualquer espetáculo, pregadores eloqüentes ou cantores famosos.



cura de câncer nos lábios e vagina





cura de câncer no escroto (impressionante)





cura de câncer nas nádegas





cura de câncer no pé





cura de um paralítico (observe os músculos da pernas atrofiados pela falta de uso e a falta de equilíbrio para andar)





cura de mal de parkinson





ressurreição de mortos (poderia ser um ataque de catatonismo?)




Quanto a autenticidade desses milagres, somente posso atestar por gente conhecida que tem ido a Nigéria em missões que Deus tem feito operações extraordinárias no meio do povo. Parece-me que os milagres aqui apresentados são reais e não há manipulações no vídeo pelos sinais físicos de debilidade dos agraciados, por isso os postei aqui.

Presente e futuro da igreja evangélica no Brasil (Parte 3)

Nos dois artigos anteriores, analisei o presente da igreja evangélica e as tendências para as próximas décadas. Quero agora fazer algumas recomendações.

Em primeiro lugar, vivemos uma fase passageira na história da igreja evangélica -- a fase do crescimento rápido. Essa fase começou nos anos 50 e, como vimos anteriormente, provavelmente vai acabar entre 2020 e 2030. Disso devemos aprender a lição da precariedade do crescimento evangélico. Ao contrário da Igreja Católica no passado, o mundo evangélico nunca terá ‘clientela cativa’, porque o caminho que o Brasil trilha não é de país católico para país evangélico, mas de país católico para país religiosamente pluralista. E quando o crescimento evangélico cessar, várias coisas podem acontecer. Talvez aconteça apenas uma estabilização na porcentagem de evangélicos, mas é possível também que haja uma queda. Na Coreia do Sul, por exemplo, a porcentagem de evangélicos está caindo ligeiramente. Não sabemos, então, se essa grande comunidade evangélica que se forma atualmente no Brasil vai durar por muitas gerações nem se conseguirá dar uma contribuição importante para a história do país.

Em segundo lugar, a religião evangélica está virando uma religião de massas no Brasil. E o que sempre acontece com as religiões de massas é que elas passam a se parecer cada vez mais com a sociedade. Em vez de transformar a sociedade, a religião é transformada por ela. Isso é normal numa fase inicial. Muitas ‘aberrações’ que acontecem no meio evangélico não me preocupam porque sociologicamente são fenômenos que tendem a acontecer numa fase incipiente. No entanto, depois disso, devemos fazer o que Jesus fez quando começou a se tornar muito popular. Assediado pelas multidões depois da multiplicação dos pães (Jo 5), ele passou a ensinar as demandas do discipulado (Jo 6), mesmo custando-lhe adesões.

Em terceiro lugar, o nosso grande desafio é o desafio ético. Mesmo que os problemas éticos não tenham surgido recentemente, hoje eles são projetados para a sociedade inteira e suas consequências são mais desastrosas. Não conseguimos cumprir Romanos 12 (não se conformar, mas se transformar) justamente porque a transformação não acontece de maneira automática -- é sempre resultado de ensinamento. Onde não há ensino dificilmente a transformação acontece. O que vinga é a lei sociológica, que é a conformidade com a sociedade-ambiente. Perdemos a ética protestante! Perdemos aquela ética da fé transformadora da sociedade e da cultura. Em vez disso, temos o triunfalismo do crescimento numérico, a crença de que vamos dominar o país e reformá-lo à nossa imagem. Perdemos a ética protestante clássica da diligência no trabalho e frugalidade no viver e adotamos a teologia da prosperidade. Substituímos a cosmovisão protestante clássica por correntes novas e cada vez mais exóticas de ‘guerra espiritual’. (destaque do dono do blog)

Precisamos reexaminar as três tentações de Jesus, que acontecem logo após o seu batismo, quando o seu ministério público está prestes a começar. São tentações ministeriais típicas, que tendem a reaparecer na história da igreja. Representam três maneiras erradas de ser messias e, consequentemente, três maneiras erradas de ser igreja. Há a tentação do triunfalismo encantado com o poder, a tentação do hedonismo, do evangelho que satisfaz os nossos desejos, e a tentação do ‘poder’ em um sentido usado por muitos evangélicos hoje -- a tentação de impressionar e convencer pelo espetáculo.

Perdemos essa ética porque não sabemos discernir a realidade do campo religioso. Há duas pressões muito fortes sobre pastores evangélicos, que dificultam o ensino e a ação éticos. A primeira é a pressão do institucionalismo, isto é, a pressão de colocar a instituição, as demandas organizacionais e o nosso próprio bem-estar dentro da organização acima do reino de Deus. (Não estou falando contra as instituições em si; elas são inevitáveis e necessárias na vida humana, mas sempre trazem determinadas tentações.) Jesus também enfrentou essa situação. À pressão dos profissionais religiosos de sua época, os escribas, ele respondeu: “Não recebo a glória que vem dos homens” (Jo 5.41). Em outras palavras, ele disse: “Não entro no esquema profissional que vocês montaram. Não aceito me enquadrar. Não aceito receber as recompensas que esse esquema oferece, sejam elas financeiras, de “status” ou de poder”. Não estou falando contra o fato de alguém ser profissional da religião. Estou dizendo que é importante que o profissional da religião tenha consciência das tentações típicas de sua profissão e de sua inserção social para saber enfrentá-las.

A segunda é a pressão do mercado religioso. O mercado diz que a igreja tem de estar sempre cheia, e para isso acontecer não é bom ensinar a ética e as demandas do discipulado. Para atrair novas pessoas é melhor repisar as mesmas coisas, e para as pessoas que já estão na igreja há mais tempo e estão um pouco entediadas, em vez de correr o risco de afugentá-las ensinando a ética e o discipulado, é melhor inventar modismos para mantê-las entretidas. Daí a tendência do meio evangélico de ziguezaguear de modismo em modismo, cada um se apresentando como o ‘X’ do mapa do tesouro (“Agora a igreja vai para frente!”). Cinco anos depois, ninguém se lembra mais do que era! Jesus também enfrentou a pressão do mercado religioso. Contra a pressão de ser bem-sucedido numericamente, ele ensinava as demandas do discipulado. Em João 6.60 vemos a consequência disso: “Muitos dos seus discípulos disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” E muitos foram embora. Não foi um ‘bom negócio’ para Jesus falar essas coisas. Porém, parafraseando João 12.24, podemos dizer que “a pessoa que não morre para o institucionalismo e para o mercado religioso, não dá fruto para o reino de Deus”.

Nada é totalmente novo debaixo do sol, e houve na história outros momentos parecidos com o nosso. Um deles foi o quarto século, quando o cristianismo se tornou aceitável e depois foi oficializado no Império Romano, e começou a se tornar uma religião de massas. Então surgiu uma reação contrária: o movimento monástico, que tencionava ser contracultural não só na sociedade, mas também na igreja. Foi uma reação em nível micro. Outro momento foi o século 16, quando existia uma igreja triunfalista, supersticiosa e mercantilista. E surgiu a reação reformadora, ou seja, uma reação em nível macro. As duas reações, micro e macro, são válidas e importantes. (Porém, devemos lembrar que hoje não podemos mais reformar a igreja de nações inteiras, como fizeram os reformadores, porque já não estamos na cristandade.)

Na próxima edição, concluirei essa série de reflexões apresentando minha ‘receita’ para fazer com que a igreja evangélica se mantenha numericamente ao longo de várias gerações e deixe uma marca positiva na história do país.

• Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é doutor em sociologia pela UNICAMP. É professor na Universidade Federal de São Carlos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O que é Conversão ?

CONVERSÃO é não ter absolutamente nenhum outro ponto de vista que não venha do Evangelho;
CONVERSÃO é não ter nenhum outro ponto de partida que não parta do Evangelho;
CONVERSÃO é não ter nenhum outro ponto de chão para caminhar que não seja o do Evangelho;
CONVERSÃO é não almejar nenhum outro ponto de chegada que não seja o do Evangelho, ou seja:
CONVERSÃO é estar impregnado do Evangelho dando razão a Deus todo dia, num processo que pode ter começado um dia, mas que só terminará no dia em que transformados de glória em glória nós nos tornarmos conforme a semelhança de Jesus;
CONVERSÃO é renovar a mente todo dia;
CONVERSÃO é ler este século, esse eon e não nos conformarmos com ele;
CONVERSÃO é ver mundo no mundo, e ver mundo no que se chama de Igreja;
CONVERSÃO é chamar de mundo não necessariamente o ambiente fora das paredes eclesiásticas, e chamar de Igreja o ambiente dentro das paredes eclesiásticas;
CONVERSÃO é saber que mundo é um espírito, um pensamento, ou uma atitude que pode está em qualquer lugar, e está freqüentemente nos concílios de um modo muito mais sofisticado do que está nos congressos políticos explicitamente definidores de políticas no mundo;
CONVERSÃO é manter a mente num estado de arrependimento constante, de metanóia, de mudança de mente, que por vezes, acontece com dor, outras vezes, só pela consciência que vai abraçando o entendimento e vai dando razão a Deus, e vai dando razão a Deus, e vai dando razão a Deus, e vai dizendo Deus tem razão, a palavra tem razão, e se ela tem razão eu quero conformar a minha vida conforme a verdade do Evangelho.

Caio Fábio

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Presente e futuro da igreja evangélica no Brasil (parte 2)

Na edição passada escrevi sobre o presente da igreja evangélica no Brasil, frisando que o crescimento pentecostal (e evangélico em geral) ocorre junto com o crescimento dos ‘sem-religião’. Pretendo agora (e na próxima edição) falar dos desafios previsíveis para as próximas décadas. Não falo de um futuro que seja fruto do meu próprio desejo para a igreja, mas de um futuro que podemos vislumbrar por meio da análise sociológica. A teologia ganha muito quando está enraizada nas ciências sociais. Infelizmente, várias teologias evangélicas erram por não terem um ‘fio terra’, ou seja, não têm embasamento sociológico e acabam sendo irrealistas. Caem na ilusão de achar que tudo depende de nós (se fizermos A, B e C, a igreja vai crescer...). Porém, não definimos totalmente o nosso próprio futuro. Precisamos aprender com o caso da igreja evangélica na Coréia do Sul. Durante as décadas de 60, 70 e 80, o crescimento evangélico foi extremamente rápido por lá, e os líderes coreanos diziam que as suas igrejas cresciam porque faziam várias coisas. No entanto, a partir dos anos 90, as igrejas estagnaram e até começaram a declinar em termos de porcentagem da população, apesar de as igrejas continuarem a fazer as mesmas coisas. Hoje, a igreja que cresce na Coréia do Sul é a católica.

Precisamos, portanto, fazer recomendações a partir de uma visão do futuro ‘com fio terra’. Essa visão pode não ser o que gostaríamos. Quando apresentei essas idéias num congresso teológico recentemente, a reação de várias pessoas foi de que ‘nada disso vai acontecer, porque o Espírito Santo vai agir’. Porém, o Espírito Santo nos deu a capacidade de perceber o que está acontecendo agora e aprender as lições do que aconteceu em outros lugares no passado. O Espírito Santo não deve ser invocado para encobrir nossa preguiça mental ou justificar nossa falta de ação. Não há prêmios para aqueles que se recusam a aprender com a história e a usar os recursos que Deus deu à igreja. Otimismo infundado não deve ser confundido com a verdadeira confiança no Espírito Santo.

Pelas tendências atuais, o futuro previsível da religião no Brasil vai depender de três fatores. Em primeiro lugar, o catolicismo continua a declinar (perde cerca de 1% da população anualmente), mas haverá um limite nesse declínio. Há um núcleo sólido de católicos praticantes, pelo menos 25% da população, que dificilmente vai ser erodido. Além disso, se a Igreja Católica conseguir se organizar melhor e fazer frente à concorrência, é improvável que fique abaixo de 40%. Em segundo lugar, atualmente, de cada duas pessoas que deixam de se considerar católicas, apenas uma passa a ser evangélica. A outra adere a uma outra religião, ou se torna ‘sem religião’. Em terceiro lugar, o resto do campo religioso está muito pulverizado, e não há sinais de uma ‘terceira força’ religiosa.

O resultado de tudo isso é que, “a continuarem as tendências atuais”, nunca haverá uma maioria evangélica no Brasil. O mais provável é que a população evangélica não passe de uns 35%, na melhor das hipóteses. Teríamos, então, o seguinte cenário: 40% de católicos, 35% de evangélicos, e 25% de outras religiões e de pessoas ‘sem religião’.

Outro cenário possível colocaria um teto mais baixo nas aspirações evangélicas. Nesse caso, o teto dependeria não só do desempenho católico, mas também do desgaste da própria imagem evangélica. Ou seja, os escândalos, as lideranças autoritárias, a imagem política negativa e as promessas não-cumpridas causariam uma imagem tão desgastada que o crescimento evangélico se estancaria antes dos 35%. Já que a população evangélica hoje deve estar em torno de 18%, é provável que pare de crescer em algum ponto entre 20 e 35%, o que deverá acontecer nas próximas duas ou três décadas. Ou seja, é provável que a fase de crescimento evangélico rápido, que começou nos anos de 1950, termine nos anos de 2020 ou 2030.

Quero frisar que não desejo que o movimento evangélico pare de crescer. Apenas acho provável que isso aconteça, tendo em vista as tendências da atualidade. Porém, acho também que poucos evangélicos estão totalmente satisfeitos com todos os tipos de crescimento que estão acontecendo. A boa teologia evangélica sempre enfatizou que o reino de Deus (que deve ser a nossa maior preocupação) não se confunde com as instituições eclesiásticas e que a idolatria do sucesso numérico nos leva de volta a muitos erros cometidos pela igreja medieval.

É importante entender que o catolicismo também está sendo transformado nesse processo. Era inevitável que a Igreja Católica no Brasil, acostumada ao monopólio oficial dos tempos coloniais e à hegemonia tranqüila do Império e dos primeiros tempos da República, sofresse perdas assim que a concorrência efetivamente se instalasse. Porém essa é apenas uma fase. Depois, a Igreja aprende certas lições, se organiza, muda de mentalidade e passa a ‘competir’ melhor. O catolicismo que emergir da atual fase de mudanças religiosas no Brasil será menor, porém mais praticante, consciente e organizado. E os evangélicos terão de repensar as suas relações com esse catolicismo revitalizado.

A novidade no Brasil (e em outros países da América Latina) é que o monopólio católico está sendo seriamente erodido pelo protestantismo “de baixo para cima”. Não é uma ‘reforma protestante’ nos moldes do século 16, com apoio do Estado, mas uma transformação instável cuja linha máxima de avanço ainda é desconhecida. O que sabemos é que, quando o crescimento parar, tudo mudará.

Temos de lembrar que, hoje no Brasil, há três vezes mais evangélicos do que há vinte anos. O fim do crescimento rápido mudará a natureza sociológica das igrejas. Haverá menos recém-convertidos e mais membros ‘nascidos na igreja’. Com isso, haverá mais demanda por um ensino mais sólido e abrangente. Também haverá demanda por outros tipos de líder, com mais formação e profundidade pessoal, e não apenas pelo líder carismático que atrai novos adeptos. Haverá maiores expectativas por parte da sociedade e, conseqüentemente, por evangélicos qualificados para atender essas expectativas. E a interação com as outras religiões acontecerá numa base diferente; haverá menos triunfalismo evangélico, embora não menos confiança no evangelho.

Vou deixar a minha ‘receita’ do que precisa ser feito para a próxima edição. Porém, quero terminar com uma nota sobre o futuro das igrejas históricas, ou seja, as denominações não-pentecostais. Há uns dez ou quinze anos, era comum dizer que os protestantes históricos não tinham futuro. Realmente a porcentagem pentecostal do campo protestante tem aumentado, chegando a 68% no censo de 2000. No entanto, isso não significou um declínio absoluto dos históricos. Na verdade, se os pentecostais não existissem, a grande sensação da religião brasileira seria o crescimento expressivo dos históricos! Ademais, a grande maioria das igrejas pentecostais (inclusive as mais recentes) se vê como parte de uma comunidade evangélica mais ampla, que inclui seus irmãos históricos. Em vez de pensar em ‘históricos’ e ‘pentecostais’ como categorias estanques, é melhor pensar num “continuum” histórico-pentecostal, uma linha ininterrupta, com instituições e pessoas distribuídas ao longo do espectro. Além disso, muitas dessas instituições e pessoas estão mudando de posição, algumas se pentecostalizando e outras se historicizando.

Por isso, os protestantes históricos ainda têm pelo menos dois papéis importantes a desempenhar. Em primeiro lugar, constituem um segmento próprio, com instituições relativamente fortes e capazes de atrair tanto não-evangélicos como pentecostais que estão (pelo menos em alguns sentidos) se historicizando. Em segundo lugar, podem contribuir para além de suas próprias instituições, alcançando o mundo evangélico maior, a sociedade, e o mundo global do protestantismo histórico em decadência (sobretudo na Europa).

Em relação mundo evangélico mais amplo, os históricos poderão contribuir porque a crescente visibilidade social -- resultado principalmente do crescimento numérico -- levou à necessidade de falar sobre (e atuar em) áreas da vida nacional que antes eram distantes das preocupações pentecostais. Isso abre espaço para a contribuição dos históricos, na base de sua tradição teológica e às vezes também de seu capital educacional.

Porém, há dois erros que os históricos precisam evitar. O primeiro é querer competir com o pentecostalismo numa corrida numérica. Em vez disso, precisam pensar em outras contribuições -- sem, no entanto, desprezar o crescimento numérico. Em segundo lugar, só será possível contribuir com o mundo evangélico maior se os históricos tiverem uma atitude humilde, o que nem sempre acontece. Com freqüência, líderes e acadêmicos protestantes históricos têm pouca compreensão sociológica do pentecostalismo e se imaginam como uma elite culta trazendo a iluminação para os seus ‘irmãozinhos’ ignorantes. É importante que os históricos adotem uma postura de humildade e sejam capazes tanto de aprender com os pentecostais, quanto de contribuir usando seu próprio acervo de dons e conhecimentos.

• Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é doutor em sociologia pela UNICAMP. É professor na Universidade Federal de São Carlos.

sábado, 11 de abril de 2009

Líderes ou Servos ?

m Nesta semana recebi o convite para um treinamento de liderança, um projeto que pretende levantar um número grande de líderes para um efetivo cumprimento da "Grande Comissão" no mundo todo, com uma estrutura de multiplicação de conhecimento parecido com aquilo que o G12 faz em seu modelo (quem me convidou nem sabe que quero distância da instituição, que o que me interessa é o organismo não a organização igreja).

Em que pese as boas intensões na promoção desse treinamento, acredito que a igreja não precisa de mais gente que se intitule "líder". Já tem muito cacique para pouco índio de verdade. O que hoje existe é muita gente fantasiada de índio que precisa de um cacique para se sentir índio.

Minha percepção é que a igreja precisa de testemunhas do evangelho conforme Atos 1:8, cheios da graça da revelação da Verdade em suas vidas, seguindo o exemplo de liderança de Cristo: amando e servindo ao próximo.

Ser chamado de "líder" é mais atrativo que ser chamado "servo", exceto quando somos chamados de servo por algum "líder". Parece que o chamamento de ser servo conforme o exemplo de Cristo não está mais na moda, especialmente no meio eclesial. Pudera, quem é servo conforme Cristo não recebe reconhecimento dos homens,tampouco projeção no meio de sua comunidade, como ser reconhecido como líder pelos seus pares.

Quem age fora do script eclesial está mais propenso a ser visto como excentrico e rebelde, que alguém com vida cristã própria que não necessita de ser líder para cumprir o IDE de Cristo, ainda que por princípios se submeta à alguém de sua comunidade. Provavelmente nem apoio da igreja local receba, posto que seu modus operandi seja avesso a tudo aquilo que sua comunidade considere desejável no seu ponto-de-vista.

Que tal um treinamento de 10.000 pessoas para serem servos nas ruas, hospitais e presídios ? Ou um projeto 5.000 testemunhas do Evangelho morando e iluminando as favelas de São Paulo ? Ou 100.000 discípulos de Cristo comissionados a servir em amor os povos excluídos ? Quem se habilita ?

Mas via de regra os treinamentos de liderança formam mais gente para servir a igreja, conhecida por eles também como "Corpo de Cristo". Seu propósito é intensificar seu crescimento numérico, discipulando pessoas a discipularem outras com esse propósito, mantendo a qualquer custo uma igreja que hoje se encontra na UTI espiritual pois há séculos perdeu sua atribuição: ser o ajuntamento espontâneo das testemunhas vivas de Cristo na terra, para encorajamento, conforto e ensino mútuos.

Praticamente ninguém se habilita a sair da sua zona de conforto em direção a algo que não traga psicologicamente no mínimo a sensação de estar trabalhando em pról de algo maior, preferencialmente se esse "algo maior" possa ser visto e apalpado. Quem de nós se contentaria em simplesmente ser testemunha viva de Cristo, sem expectativas sobre quantos se converterão pela nossa pregação, ainda que saibamos que não temos argumento próprio algum para convencer ninguém da verdade que pulsa em nosso interior a não ser que o Espírito faça aquilo que não podemos fazer ?

No entanto a cobrança por performance enseja os diversos programas de treinamento de líderes. Quanto mais líderes tivermos humanamente capacitados, menos conversões temos nas igrejas e mais adesões à fé. Agora se voltarmos ao exemplo de Cristo e no relato da igreja primitiva, veremos que quanto mais servos formos, mais conversões genuínas mediante o testemunho vivo teremos, inclusive com a manifestação dos sinais que Jesus prometeu seguiriam os que creêm.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Presente e futuro da igreja evangélica no Brasil (parte 1)

Há quarenta anos os pentecostais eram menos da metade dos evangélicos no Brasil. Estavam crescendo, mas sem a predominância numérica que têm hoje. Aliás, para alguns especialistas da época, parecia que a Umbanda estava crescendo tanto quanto o pentecostalismo. Hoje, ninguém diria isso. Também em 1968 o catolicismo estava se transformando. Foi o ano da famosa reunião dos bispos latino-americanos em Medellín, que introduziu as reformas do Vaticano II na América Latina e consagrou o lema da “opção preferencial pelos pobres”. E logo em seguida surgiu o termo “Teologia da Libertação”. Mas quero colocar as transformações dos últimos 40 anos num contexto maior. Primeiro, no contexto histórico maior, porque estamos falando de transformações que não começaram em 1968, mas vinham de antes (os pentecostais cresciam aceleradamente desde os anos 50). Segundo, no contexto geográfico maior, porque o quadro religioso mudou nestas últimas décadas não só no Brasil, mas na América Latina em geral. E, finalmente, quero abordar as transformações dos últimos 40 anos no contexto do futuro. Vou me arriscar a fazer previsões.

Um especialista da sociologia da religião diz que no Brasil estuda-se basicamente o declínio católico. Evidentemente, um país que nasce como extensão da cristandade européia só poderia experimentar um declínio do catolicismo ao longo dos anos, ainda mais porque a Igreja nunca teve muitos sacerdotes, a prática formal sempre foi baixa e o catolicismo popular, freqüentemente heterodoxo. Mesmo assim, o catolicismo lançou raízes tão profundas que, por muito tempo após a desregulamentação do mercado religioso, poucos abandonaram a Igreja Católica. Mas nestas últimas décadas a Igreja Católica no Brasil e na América Latina passou por uma situação paradoxal. Por um lado, ficou mais importante globalmente. A América Latina tem mais católicos do que qualquer outra região do mundo. Por outro lado, dentro da América Latina o catolicismo está sendo erodido. Hoje, a América do Sul tem mais católicos do que a Europa, mas a Europa tem cinco vezes mais sacerdotes. E na América Latina a proporção de católicos por padre tem piorado.

Hoje, em quase todos os países da América Latina, o pentecostalismo é a “segunda força” religiosa. (Talvez em alguns países a segunda força seja os sem-religião, uma categoria do censo que não significa somente ateus e agnósticos, mas também as pessoas que não querem se declarar adeptas de uma determinada religião institucional.) A maioria das denominações pentecostais foram criadas na América Latina, e o pentecostalismo tem avançado muito entre os povos indígenas. Provavelmente, os evangélicos em geral (históricos e pentecostais) constituam em torno de 12% da população da América Latina. Dois terços desse percentual são pentecostais; o pentecostalismo é o “mainstream” do protestantismo. Porém, alguns estudiosos já falam de uma crise do pentecostalismo. Essa crise seria de estagnação numérica, de falta de prática (um alto índice de pentecostais não-praticantes) e de apostasia (muita gente deixando as igrejas). E a conclusão desses estudiosos é que, num contexto em que mudar de religião se tornou socialmente aceitável, o catolicismo não consegue manter uma alta porcentagem de seguidores não-instruídos, mas o pentecostalismo também não consegue se tornar um verdadeiro fenômeno de massas porque exige muito em termos morais e sociais. Eu acrescentaria outra possível limitação quanto ao crescimento pentecostal: ele perde prestígio devido à sua capacidade limitada de realizar transformações sociais (ao contrário da sua capacidade impressionante de efetuar transformações individuais).

Entretanto, contra a tese de uma crise no crescimento pentecostal, a evidência sugere que na América Latina em geral (e especialmente no Brasil) o pentecostalismo continua crescendo muito. E embora, de fato, haja muitos pentecostais não-praticantes no Chile, no Brasil a situação é outra (86% dos pentecostais afirmam ir semanalmente à igreja). Além disso, a apostasia muitas vezes é uma fase de vida, especialmente para jovens do sexo masculino, que depois voltam para a igreja. Outro dado importante é que diariamente surgem formas social e moralmente menos exigentes de pentecostalismo. Ou seja, o pentecostalismo se adapta cada vez mais e com isso mantém seu crescimento (mas às custas de sua especificidade!).

O Brasil é a capital mundial do pentecostalismo. No censo de 2000, os católicos eram 73% da população (em termos de adesão nominal, pelo menos), os evangélicos eram 15,5% (os pentecostais eram 10,4%) e os sem-religião eram 7%. Dados mais recentes sugerem que os evangélicos hoje estão em torno de 18% da população e que o catolicismo continua perdendo anualmente mais ou menos 1% da população. Os pentecostais estão desproporcionalmente entre as pessoas mais pobres, urbanas, menos instruídas, do sexo feminino e não-brancas. Os católicos são o contrário: desproporcionalmente ricos, rurais, mais instruídos, do sexo masculino e brancos. O pentecostalismo cresce sobretudo nas zonas de mudança populacional, ou seja, nas periferias das grandes cidades e nas fronteiras agrícolas. Por exemplo, nos bairros prósperos de São Paulo os pentecostais não passam de 5%, mas em algumas periferias chegam a 30%.

Em conseqüência dessa face do pentecostalismo, a própria natureza do catolicismo também tem mudado. Antigamente, ser católico era uma identidade cultural (se é brasileiro, é católico). Hoje, ser católico é uma identidade que tem de ser escolhida e assumida (daí os adesivos de carro com os dizeres: “Sou católico, graças a Deus”). Desde o início dos anos 90, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) discute como reagir a essa erosão numérica, propondo inclusive a imitação seletiva de métodos pentecostais. O problema é que a estrutura e a mentalidade católicas não ajudam. É difícil para uma igreja que já foi nacional admitir que concorre com as outras. Depende-se cada vez mais da Renovação Carismática Católica (RCC) para deter o avanço pentecostal, mas isso parece funcionar mais com a classe média. No entanto, em 2006 uma pesquisa mostrou que 30% dos brasileiros urbanos se identificam com a RCC. Este dado é surpreendente; sabia-se que há muita gente nessa ala da igreja, mas não 30% da população! Muitas pessoas se simpatizam com a RCC, talvez por causa do sucesso dos padres-cantores, e então escolhem essa identidade, mas sem se tornarem praticantes.

E a relação entre o pentecostalismo e os sem-religião? Alguns estudiosos acham que o crescimento pentecostal vai dar lugar à secularização, ou seja, a trajetória das pessoas será de catolicismo para pentecostalismo e depois para sem-religião. De fato, os sem-religião vêm crescendo no mesmo ritmo dos pentecostais e justamente nas mesmas periferias e fronteiras, entre pessoas mais jovens e não-brancas. Mas há uma diferença fundamental: os sem-religião são sobretudo homens, e os pentecostais são sobretudo mulheres. Talvez, então, sem-religião seja o substituto do pentecostalismo para rapazes subempregados e ainda sem responsabilidades familiares. Em outras palavras, seria um luxo temporário, a ser substituído na próxima fase de vida pela domesticidade pentecostal. Ainda não podemos ter certeza a respeito disso. Mas a tese do pentecostalismo como um estágio no processo da secularização também não parece ainda bem fundamentada. Aliás, os poucos dados disponíveis sugerem justamente o contrário: há três vezes mais pessoas indo da categoria dos sem-religião para o pentecostalismo do que o contrário.

Na próxima edição, falaremos do futuro da religião no Brasil e as implicações para as igrejas evangélicas.


• Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é doutor em sociologia pela UNICAMP. É professor na Universidade Federal de São Carlos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Prostitutos Cultuais e Mercadores da Fé

Eu estava tentando encontrar um adjetivo para qualificar os atuais cantores e pregadores que cobram elevadas somas em dinheiro para pregar ou cantar nas igrejas e em conferências promovidas por evangélicos, e achei que “mercador da fé” não é um adjetivo apropriado, porque é simples demais para nominar tais pessoas.

Pois bem. Vejo esses exploradores da boa-fé evangélica como prostitutos cultuais – que é a tradução da versão atualizada – para os que se prostituíam junto aos templos pagãos e que depois passaram a se prostituir diante do templo do Senhor em Jerusalém. Porque os prostitutos (as) cultuais mencionados na Bíblia exploravam os que se dirigiam ao templo para adoração oferecendo-lhes um pouco de orgia – orgia sexual revestida de espiritualidade, como alguns desses a que me refiro que falam línguas, profetizam, oram pelos enfermos, são místicos e super espirituais... Mas orgiofantes (como os sacerdotes que prestavam culto a Dionísio).

Os prostitutos e prostitutas cultuais, comuns nos templos pagãos passaram a conviver com os adoradores junto ao templo de Jerusalém, indicativo de uma deformação espiritual da nação de Israel. Não estou afirmando que é comum tais pessoas se prostituir de verdade, em orgias sexuais; estou afirmando, isto sim, que sempre que uma pessoa se afasta de Deus, comete prostituição com outros deuses – fato mencionado pelo próprio Deus em várias passagens do Antigo Testamento. Em Ezequiel 16 ele compara Israel a uma menina, que é cuidada por Deus, adornada e preparada para ser esposa, mas se prostitui com os povos vizinhos.

Deus se antecipou ao que poderia acontecer e recomendou a Moisés: “Das filhas de Israel não haverá quem se prostitua no serviço do templo, nem dos filhos de Israel haverá quem o faça... Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do Senhor, teu Deus (Dt 23.17-18).

O que se vê hoje no Brasil é uma orgia espiritual, uma masturbação coletiva praticada por cantores e cantoras, pregadores e pregadoras, que não conseguiram fazer sucesso no mundo e encontraram na igreja um filão de negócio; o caminho para o enriquecimento à custa da espiritualidade dos irmãos.

Imagine o Lázaro da Bíblia, que Jesus ressuscitou dos mortos gravando seu cd e saindo pelo mundo a pregar nas igrejas, usando os recursos para comprar bens e imóveis em Atenas, Roma e Jerusalém. Imagine Dorcas, relatando sua ressurreição e insinuando aos irmãos por onde pregava que precisava de dinheiro para comprar máquinas de costura a fim de ajudar os pobres com maior eficácia, lucrando com a bênção alcançada. Eles seriam excluídos do rol de membros do céu pelos apóstolos.

Pois sei que esses excrementos espirituais – e não há palavra melhor para descrever tais pessoas – cobram preços exorbitantes para pregar e cantar. Eu estava numa cidade pregando o evangelho e em várias cidades daquele Estado os irmãos se mobilizavam para ouvir o ex (que deve ter fracassado no mundo) cujo preço varia de 20 a 35 mil reais por apresentação. Este cantor que explora a espiritualidade do povo deve ganhar, pelo menos, com a agenda cheia em torno de cem mil reais por semana! Sim, porque fazem sucessos os ex-, sejam ex de quaisquer espécies. Ex que tocou na famosa banda do mundo; ex- que se prostituía com drogas, mas agora se prostitui com dinheiro. Prostituem-se com a fé. Sim, porque quais prostitutos cultuais do AT usam da espiritualidade para fazer orgia com o povo com o fim de levar o povo a se alegrar, enquanto eles ficam ricos.

Uma denominação pentecostal nutriu, alimentou e criou um pregador que cobra o exorbitante preço de quinze mil reais por pregação e nunca tomou uma atitude corretiva e disciplinar quanto a seu enriquecimento e vida pessoal; ao contrário, alimenta o sucesso desse mercador de dons. Balaão se sentiria envergonhado!

Assim, quando viajo pelo Brasil sinto no ar o odor fétido que eles deixam por onde passam; o odor da prostituição espiritual, o cheiro nauseabundo que costumam exalar os espiritualmente mortos. Que se prostituem espiritualmente e que levem pastores, líderes e povo à prostituição com eles é inegável, e não é de se duvidar de que se prostituam literalmente em seus confortáveis quartos de hotel. Pregadores e cantores que fazem exigências incomuns; que não aceitam fazer uma refeição na casa de irmãos; apenas em restaurantes que servem a La Carte. Que não se contentam com os bons hotéis e se não houver os melhores, recusam-se participar de eventos a menos que suas exigências sejam atendidas.

Os culpados são os líderes que atraídos pela ganância financeira esperam obter lucros com os gananciosos. Certamente porque muitos pastores, apóstolos e líderes se prostituíram espiritualmente, empolgados com as riquezas deste mundo, sonhando com mansões no litoral brasileiro e nas famosas cidades dos Estados Unidos.

Que posso dizer? Afirmar que alguns desses pastores que apóiam tais cantores e pregadores, juntamente com estes sejam descendentes de Balaão – que se prostituiu e usou de seus dons para ensinar Balaque a armar ciladas para os filhos de Israel – seria ofender o profeta do Antigo Testamento, que por seu pecado foi morto por Josué.

Quem sabe possuem o DNA de Judas, ou são da mesma linhagem espiritual que vendem o nosso Senhor em troca das benesses de Mamom. Pedro e Judas descreveram tais cantores, pregadores e pastores com adjetivos pouco recomendáveis, afirmando que estes “andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores... Considerando como prazer a sua luxúria carnal em pleno dia, quais nódoas e deformidades, eles se regalam nas suas próprias mistificações, enquanto banqueteiam junto convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos; abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça... Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas”.

Por mistificações o apóstolo está se referindo aos que usam dos dons espirituais para se sobrepor aos demais; eles têm dons, são místicos e falam como se uma nuvem de transcendência divina repousasse sobre eles.

Faz-se necessária uma limpeza na igreja, a Casa de Deus, como fizeram Asa e Josafá. Asa tirou de cena sua própria mãe e “removeu os prostitutos cultuais” que usavam o templo como local de prostituição. Josafá ainda precisou intensificar a reforma, porque, de tempos em tempos os aproveitadores da boa vontade do povo; os exploradores da espiritualidade das pessoas, tais como eram os filhos de Eli aparecem na igreja de Deus (1 Rs 15.12; 22.47).

Uma igreja rameira serve de alcova para os exploradores da espiritualidade do povo. E Deus haverá de limpar sua igreja.

João A. de Souza Filho

Via Pavablog

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

E-mail para o Apóstolo Paulo

Amado apóstolo:
Estou escrevendo para colocá-lo a par da situação do Evangelho que um dia você ajudou a propagar para nós gentios, e que lhe custou a própria vida. As coisas estão muito difíceis por aqui. Quase tudo o que você escreveu foi esquecido ou deturpado.
Você foi bastante claro ao despedir-se dos irmãos em Éfeso, alertando que depois de sua partida lobos vorazes penetrariam em meio à igreja, e não poupariam o rebanho [1]. Palavras de fato inspiradas, pois isso se concretiza a cada dia.
Lembra-se que você escreveu ao jovem Timóteo, que o amor ao dinheiro era a “raiz de todos os males”[2]?
Quero que saiba que suas palavras foram invertidas, e agora se prega que o dinheiro é a “solução” de todos os males.Também é com tristeza que lhe digo que em nossa época ninguém mais quer ser chamado de pastor, missionário ou evangelista, pois isso é por demais humilde: um bom número almeja levar o título de apóstolo. Sei que em seu tempo, os apóstolos eram “fracos... desprezíveis... espetáculo para os homens... loucos... sem morada certa... injuriados... lixo e escória” [3]. Agora é bem diferente. Trata-se de uma honraria muito grande: acercam-se de serviçais que lhes admiram, quando viajam exigem as melhores hospedarias e são recebidos nos palácios dos governantes.
Eles não costumam pregar seus textos, pois você fala muito da “Graça” e da “liberdade que temos em Cristo” [4]. Isso não soa bem hoje, pois a Igreja voltou à “teologia da retribuição” da Antiga Aliança (só recebe quem merece), e liberdade é a última coisa que os pastores querem pregar à suas ovelhas.
Você não é bem visto por aqui, pois sempre foi muito humano, sem jamais esconder suas fraquezas: chegou até reconhecer contradições internas e que não faz o bem que prefere, mas o mal, esse faz [5]. Eles não gostam disso, pois sempre se apresentam inabaláveis e sem espinhos na carne como você. A presença deles é forte, a sua fraca [6], eles são saudáveis, você sofria de alguma coisa nos olhos [7], eles jamais recomendariam a um irmão tomar remédio, como você fez com Timóteo [8], mas aqui eles oram e determinam a cura – coisa que você nunca fez.
Você dizia que por amor a Cristo perdeu “todas as cousas” considerando-as refugo [9]. As coisas mudaram, irmão. Agora cantamos: “Restitui, quero de volta o que é meu!”.
Vivo em uma cidade que recebeu o seu nome, e aqui há um apóstolo que após as pregações distribui lencinhos vermelhos encharcados de suor, e as pessoas levam pra casa, como fizeram em Éfeso, imaginando que afastarão enfermidades [10]. Sim, eu sei que você nunca ordenou isso, nem colocou como doutrina para a igreja nas epístolas, mas sabe como é o povo....
Admiro sua coragem por ter expulsado um “espírito adivinhador” daquela jovem [11], embora isso tenha lhe custado a prisão e açoites. Você não se deixou enganar só porque ela acertava o prognóstico. Hoje há uma profusão de pitonisas e prognosticadores no meio do povo de Deus, todavia esses espíritos não são mais expulsos, ao contrário, nos reunimos ansiosos para ouvir o que eles têm a dizer para nós.
Gostaria de ter conhecido os irmãos bereanos que você elogiou. Infelizmente, quase não existem mais igrejas como as de Beréia, que recebam a palavra com avidez e examinem as Escrituras “todos os dias para ver se as coisas são de fato assim”[12].
Tem hora que a gente desanima e se sente fragilizado como Timóteo, o seu companheiro de lutas. Mas que coisa bonita foi quando você o reanimou insistindo para que reavivasse “o dom de Deus” que havia nele [13]. Estou lhe confessando isso, pois atualmente 90% dos pregadores oferecem uma “nova unção” para quem fraqueja. Amo esta sua exortação, pois você ensina que dentro de nós já existe o poder do Espírito, e não precisamos buscar nada fora ou nada novo!
Nossos cultos não são mais como em sua época, onde a igreja se reunia na casa de um irmão, havia comunhão, orações, e a palavra explanada era o prato principal.... as coisas mudaram: culto agora é chamado de “show”, a fumaça não é mais da nuvem gloriosa da presença de Deus, mas do gelo seco, e a palavra é só para ensinar como conseguir mais coisas do céu.
O Espírito lhe revelou que nos últimos tempos alguns apostatariam da fé “por obedecerem a espíritos enganadores” [14]. Essa profecia já está se cumprindo cabalmente, e creio que de forma irreversível.
Amado apóstolo, sinto ter lhe incomodado em seu merecido descanso eternal, mas eu precisava desabafar. Um dia estaremos todos juntos reunidos com a verdadeira Igreja de Cristo.

Maranata!

Autor: Daniel Rocha, Pastor da Igreja Metodista.

Referências: [1] At 20.23 [2] 1Tm 6.10 [3] 1Co 4.-9-13 [4] Gl 2.4 [5] Rm 7.19 [6] 2Co 10.10 [7] Gl 4.13-15 [8] 1Tm 5.23 [9] Fp 3.8 [10] At 19.12 [11] At 17.18 [12] At 17.11 [13] 2Tm 1.6 [14] 1Tm 4.1

fonte: http://bereianos.blogspot.com/2008/12/e-mail-para-o-apstolo-paulo.html

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Guia (quase) Profético I

"Apóstolo" Rony Chaves

Confira as profecias de Rony Chaves, falta um mês para o término do ano de 2008.
Minhas observações estão em azul.

Deuteronômio 18:18-22

18 Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.

19 E será que qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu o requererei dele.

20 Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá.

21 E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou?

22 Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele
.

Guia Profético para o ano de 2008
Dr.* Apóstolo Rony Chaves
(*) o Dr. é porque ele é médico, Ok. ?

Estamos encerrando um ano extraordinário. O ano de 2007 nos trouxe profecias poderosas do Senhor com um cumprimento cabal e surpreendente. Isto nos prepara para um "fim do ano glorioso", e antecipa um 2008 maravilhoso para o Corpo de Cristo na terra. Este Guia Profético não será a única direção do Espírito para o novo ano que se aproxima, mas sim será um indicativo direcional para que eu e você possa antecipadamente conhecer o caminho por onde o Senhor se moverá, para que fluas com ele até uma vitória plena. Amém

1. O ano de 2008 será chamado do ano de Revelação de Deus.
Como se Deus não tivesse Se revelado ao homem ainda, naquilo que tange ao que seja Sua vontade revelar ao homem. A carta aos Hebreus pelo jeito não deve estar sendo entendida até agora.
a. Seremos levados a um novo nível na iluminação da Palavra e no conhecimento dos planos do Senhor com nossos e as nações.
Em Romanos 12, Paulo ensina que vontade de Deus não se conhece, se experimenta mediante a renovação de nossa mente.
b. Uma invasão de Luz divina virá a Igreja e os altares do Senhor para prover revelação de Seus "projetos soberanos". Prepare-se para entender o que antes não pode compreender da Bíblia.
Todo ano esse tipo de "profecia-padrão" alardeia novos níveis de iluminação, é uma vidência já por demais conhecida no meio místico-evangélico.
c. Criatividade será ativada em muitos filhos de Deus para seus ministérios e empresas, mediante a Palavra Revelada.
O que é a tal “Palavra Revelada” ? A profecia do Rony Chaves ou a Bíblia ? E a criatividade ? Seria fruto de uma iluminação divina ou efeito de um ambiente onde os elementos fomentadores de novos olhares incita à novas formas de abordagem ?

2. O ano de 2008 será chamado o ano de Mestre profético.
Isso está parecendo linguagem de Nova Era !
a. A revelação que o Senhor enviará à Sua casa, será liberada através de "Mestres" do Espírito Santo: eles emergirão como um poderoso sinal apostólico dos tempos do fim.
b. A Palavra do Senhor será trazida ao seu povo pelos seus Mestres com uma grande contundência e poder de transformação. O plano que está reservado será extraordinariamente ungido e libertador. Prepare-se para uma PODEROSA ONDA DE MILAGRES CRIATIVOS através e meio da exposição da Palavra.
Como não comparar tal "revelação" como cópia do plano estratégico da Nova Era, levantando mestres nos mais diversos matizes do conhecimento humano para expandir a ideologia do novo paradigma ? Deus agora copia o diabo para fazer Sua obra ? E, como de costume, utiliza os milagres como sinal autenticador de Deus para a veracidade de sua profecia.

3. O ano de 2008 será chamado do ano a Consolidação do mover apostólico e profético.
Sinto cheirinho de princípios do G/M 12 no ar...
a. Começa os quatro anos anunciados pelo Senhor, para consolidar no mundo O MOVER APOSTÓLICO E PROFÉTICO DO ESPÍRITO SANTO.
b. O Rio Profético(?!) aumentará seu caudal nas nações de maneira impressionante. Jovens serão ativados para profetizar nas nações de maneira surpreendente.
c. Prepare-se para ver emergir com grande poder e influência, profetas jovens, escolas e Companhias de profetas. O profético subirá de nível.
Mais uma vez, promessas de "outro nível" com endereçamento difuso dentro de um segmento suscetível ao poder da sugestão.
d. O Rio apostólico aumentará seu caudal. Apóstolos genuínos jovens surgirão nas nações através de "Pais apostólicos"; eles serão sinal de Avivamento Mundial que se aproxima.
Diz Paulo em I Timóteo 3:1-7 que um bispo não deve ser neófito, deve ter experiência de vida com Deus e saber discernir as ciladas do coração e da vida. Agora como “Apóstolos genuínos jovens” poderão cumprir tais requisitos ?

4.O ano de 2008 será chamado O ANO DE NOVOS COMEÇOS.
a. Coisas novas e inéditas serão feitas pela Igreja e seus ministérios guiados pelo Espírito.
Mais uma profecia que, entra ano, sai ano, é feita a igreja.
b. Grandes projetos, construções e edifícios serão levantados. As finanças estão à caminho para realizá-los. Deus está envolto em cada detalhe. Aleluia.
Parece que Deus abandonou sua promessa de não mais habitar em templos feitos por mãos de homens, para habitar o coração humano. Deus contratou arquitetos e construtores para estabelecer um reino visível na terra e vai “abrir a janela do céu” para que isso aconteça. Agora sim, acredito depois dessa profecia que o catolicismo está certo em suas premissas. Ou será o contrário, as igrejas evangélicas querem se tornar católicas em sua prática ?
c. Veremos ABERTURA DE NOVOS ESCRITÓRIOS MINISTERAIS E DE NOVOS MINISTÉRIOS QUE IMPACTARÃO NOSSAS CIDADES. "Líderes jovens estarão a frente dos mesmos."
Os jovens estão com tudo nessas profecias. Só a inexperiência juvenil sobre a vida, aliada a ingenuidade, ao idealismo e ao destemor que habita a alma do jovem pode encontrar terreno fértil para que essas profecias de almanaque sejam cridas. E os induz, no seu ânimo incontido, a perpetuar o modelo pragmático de ministérios que assistimos hoje, obrigando-os a carregar atrás de si uma estrutura religiosa que nunca foi pedida por Jesus para que se montasse a Seu favor.
d. Será o começo do Evangelismo profético. Jovens brilharão como sol neste mover novo. Música, artes e criatividade, tocarão e sacudirão as fibras de nossa sociedade moderna. É A HORA DA JUVENTUDE.
OS JOVENS DAS NAÇÕES CANTARÃO UMA NOVA CANÇÃO: A CANÇÃO DE LIBERDADE E DE PODER NO ESPÍRITO SANTO.
Evangelismo profético. Seria mais uma variação de “profética” como a dança e o louvor ?

5. O ano 2008 será chamado O ANO DAS NOVAS OPORTUNIDADES.
a. O Senhor estende a mão à todos os que fracassaram no passado e lhes dá uma nova força e unção, para alcançar seus sonhos e seus chamados nesta hora. O passado ficará no passado e no esquecimento; Deus estende "o cetro de autoridade para vencerem 2008 ".
"O passado ficará no passado"... muito boa essa, se não tivesse revelado isso eu não teria sido “iluminado” por esse “mestre do Espírito Santo”. Bem, como ele crê em "maldição hereditária", o passado dele o espreita, bem diferente da libertação que a cruz de Cristo proporciona a quem nEle crê.
b. De fato, este ano de 2008 será ANO DE GRANDES SURPRESAS DO SENHOR.
Mais uma "profecia-padrão" para os evangélicos místicos, que ficam auto-induzidos a procurarem neuroticamente sinais em sua vida que foram alvo do suposto bem dessas profecias.
c. Eu profetizo sobre você, que Deus o surpreenderá cada dia de 2008. Ele se moverá trazendo salvação a sua casa, milagres a sua família e prosperidade incompreensível; à sua vida e ministério. Aleluia!
Disse bem, e essa profecia eu afianço: foi Rony Chaves quem profetizou sobre a vida de quem receber esta palavra, e não Deus, como faziam os profetas do Velho Testamento. Portanto prepare-se: pode ser uma falsa profecia !
d. Este ano de 2008 será O ANO DE CONVERSÕES EXTRAORDINÁRIAS. Personagens do mundo de esporte, política, da arte, do mundo comercial serão alcançados com o "Poder do Evangelho". Aleluia!
Uma promessa lastreada em pressupostos científicos. A probabilidade de conversão de gente e não de personagens, pois personagem é uma máscara social, é grande especialmente em função do esforço da igreja em “evangelizar” celebridades a fim de, através da popularidade destas, obter maior número de conversões a sua pregação.

6. O ano de 2008 será conhecido como o ANO DE RELEVO MINISTERIAL.
a. Muitos "Moisés" do nosso tempo apoiarão como nunca antes a seus "Josués", filhos de seus ministérios; eles fluirão com grande poder.
Uma profecia a favor da perpetuação do modelo eclesial de hoje, uma profecia com endereço certo e mais uma vez os sinais são usados como “fiel de balança” a favor da profecia.
b. Muitos "Elias" do tempo moderno entregarão seus mantos e apoio a seus filhos ministeriais como Elias fez com Elizeu.
Uma vez que se perpetue o “modelo”, é obvio que aqueles que seguirem a cartilha dos lideres, assumam os postos em sucessão, especialmente se não manifestarem desejo de mudança no que está estabelecido !
c. Isto fará do ano 2008 um ANO DE GRANDES RESPONSABILIDADES. Não somente a unção repartida e o manto passado, mas também o peso pela igreja e as nações, e a responsabilidade pela Visão Apostólica e Profética do Senhor.
Peso. Gostei dessa palavra. Define bem o espírito dessas profecias. Mateus 11:30: Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. Se viesse de Deus, apesar das dificuldades a serem enfrentadas, a certeza do apoio divino incondicional e de Sua intervenção viriam de alguma maneira a reboque dessa profecia. Agora o que os espera é peso !

7. O ano de 2008 se caracterizará por ser ANO DE EXPANSÃO E CONQUISTA.
Basta olhar as estatísticas e comprovar: mais gente vai se “converter” devido ao empenho da igreja evangélica em usar os meios de comunicação para divulgar sua doutrina na direção de tomar o lugar do Catolicismo como religião cristã dominante.
a. Uma nova ousadia foi liberada e ativada em 2007 para os ministros do Altíssimo. Isto os fará ser muito agressivos nas Conquistas Espiritual e Territorial, que repercutirá numa EXPANSÃO DE SUAS VISÕES, TERRITÓRIOS E EDIFICAÇÕES.
Sob essa “profecia”, que mais parece uma versão gospel dos gritos de guerra entoados pelas equipes de vendas a cada segunda-feira de manhã, o intitulado povo de Deus seguirá marchando à conquista das metas da liderança da igreja, como se fossem ideais divinamente revelados a esses “ungidos”!
b. Emergirá a GERAÇÃO DOS CONQUISTADORES DE JESUS.
Ou a equipe de vendas de bençãos celestiais na terra (antigamente as chamavam de indulgências na igreja católica porque vendiam benesses dos céus para serem usufruídos após a morte, mas que na versão gospel significa usufrurir de todo bem da terra pelo poder de um Deus-shazam, ou seja a perversão espiritual é pior que na época da Reforma !).

8. O ano 2008 se caracterizará por ser o ANO PARA O FUNDAMENTO DE NOVOS GRANDES EMPREENDIMENTOS.
a. Empresários muito jovens iniciarão em 2008 novas empresas que segundo o PACTO QUE FAZEM COM DEUS, emergirão em poucos anos com grande prosperidade, alcance e projeção.
Novamente os jovens são chamados à arena para dar a cara para bater em um projeto onde eles entram com a ousadia e ingenuidade e os líderes da igreja ficam com o imposto do dízimo e das ofertas de prosperidade, segundo a atual teologia vigente. Sem esquecer que estatisticamente as empresas lideres de mercado daqui a dez ou quinze anos estão nascendo agora – basta estudar administração para checar esta informação !
b. Idéias criativas e inovadoras serão dadas pelo Senhor à jovens obedientes ao Espírito Santo; ao ser postas em prática, os resultados serão surpreendentes.
Assim como um maior número de jovens não obedientes ao Espírito Santo terão idéias muito criativas também, devido a sua abertura de mente à novidade e não ficarem encarcerados no gueto religioso, expandindo seus horizontes profissionais e pessoais. Mais uma promessa lastreada em pressupostos científicos. A criatividade humana é um processo estimulado pelas realizações existentes, em um novo olhar sobre as questões e na melhoria contínua. Isso não é novidade, tampouco profecia, é método científico auferido pela constatação !

9. O ano 2008 se caracterizará por uma reativação de OBRA SOCIAL pela Igreja nas cidades.
Já não era sem tempo ! Precisava Deus supostamente revelar ao Rony Chaves o que se deveria fazer como verdadeira igreja à gente carente ?
a. Uma onda de conscientização virá ao corpo de Cristo para demonstrar o Evangelho através de uma poderosa obra social.
A igreja também precisa adequar-se aos novos tempos, onde as empresas preocupam-se em ser socialmente responsáveis. Precisa a igreja ser alertada por um “profeta” para algo que está na bíblia, na cara da gente há muito tempo e no escopo da missão da igreja, para que saia da inércia e pratique o bem ao ser humano ? Sem dúvida será um grande instrumento de proselitismo religioso
b. Vejo em meu espírito brotar restaurantes para crianças, lares para os anciões, centros de restauração de prostitutas, viciados e alcoólatras. O Senhor moverá Seu Povo a demonstrar com feitos Seu grande Amor. Se fará OBRA SOCIAL.
Espero que assim seja. Torço para isso, irmanado nesse desejo íntimo do Rony Chaves, manifesto nessa visão espiritual, que não afianço ter vindo de Deus, mas sim como um processo interior de intenso desejo da alma. E nada há de errado nisso ! Aguardo que essas entidades beneficentes da igreja não enrolem-se na politicagem e no desvio de verbas.

10. O ano 2008 será um ANO DE RESSURREIÇÃO.
a. O morto será ressuscitado: sonhos, planos, chamados, pessoas, casamentos e famílias.
b. Relações truncadas serão restauradas pelo Senhor entre pais e filhos, entre esposos, famílias e amigos.
Olha novamente aí de novo mais uma "profecia-padrão", que mexe com o mais profundo da alma do ser, onde esse tipo de profecia lançada em um terreno de crença cega e a fragilidade emocional, quando não cumprida, encontram espaço para grandes estragos pessoais e familiares.

11. O ano 2008 será conhecido como o ANO DE TRANSIÇÃO.
a. Igrejas pastorais entrarão no caminho até o apostólico. O processo começa.
b. Ministros não apostólicos entrarão na Senda do Profético e do Apostólico. O processo começa.
c. Empresas serão guiadas pelo Espírito até a "Avenida Empresarial Apostólica"(Essa nem a IURD havia pensado ainda !). O processo começa.
Será que essa "Avenida Empresarial Apostólica" tem uma bolsa de valores que não foi atingida pela crise de crédito global ?
d. Os apóstolos serão guiados até o caminho da Maturidade e da Paternidade Espiritual e Ministerial. O processo apenas começa.
Ora, um apóstolo pode ser imaturo ? Isso vai contra o conselho paulino para habilitar-se ao ministério. Apostólica é a denominação católica-romana. É esse o caminho que a igreja evangélica quer seguir ?

12. O ano 2008 será conhecido por todos "na Igreja"como o ANO DE REGOZIJO DOS PAIS NA CASA DO SENHOR.
a.Grande gozo virá aos "papais ministeriais"por maravilhosas coisas que o Senhor começará fazer através de "seus filhos" ministeriais.
É uma palavra para animar aos "ultrapassados" líderes e reforçar a necessidade de “passar o bastão” a geração mais nova, referida na profecia número 6, prometendo que eles vão se alegrar na fidelidade de seus josués em manter aquilo que consideram a “sã doutrina”, afiançando mais uma vez a profecia aos sinais supostamente autenticadores de sua veracidade.

13. O ano 2008 será um ANO PARA PASSAR A UM NOVO NÍVEL NA GUERRA ESPIRITUAL TERRITORIAL.
a. Este será o ANO DE PODER APOSTÓLICO.
Não encontro respaldo bíblico coerente para tal afirmação. Só encontro Paulo falando de um só poder: o do Evangelho de Cristo.
b. Um ano de batalhas através do poder do decreto. Virão grandes vitórias.
É um jeito míope de explicar porque tanta gente profetizará, decretará e independente de sua patente eclesial, nada acontecerá. Fica mais fácil jogar a culpa na batalha espiritual, e no final quando estes derem com os burros n’água, atribuir a guerra espiritual aguerrida a falta de resultados. Ah, e obviamente, valorizar a percepção da vitória alcançada.
c. Será o ano de juízo do inimigo pelo exercício do decreto, e da legalidade de Deus nos apóstolos e profetas.
Agora Deus precisa para derrotar o inimigo e fazer valer Sua vontade, de um suposto estado de direito espiritual, outorgando aos apóstolos e profetas poderes de juízes/promotores da justiça divina ?
Parece o filme “O Juiz” com Silvester Stallone ! (http://www.filmesdecinema.com.br/filme_o_juiz_2785.html).
d. Grandes derrotas são armadas a Satanás. Maldições e decretos de gerações e territoriais serão quebradas pela Igreja que usará o "Poder do Decreto Apostólico" contra os seus adversários.
Nesse absurdo-irreal-herético contexto de jurisprudência espiritual (!!!!), os “gospel judges” serão os heróis-modelo dessa massa toda que diz-se ser evangélica, por terem mediante “decreto divino aos apóstolos e profetas” ajudado Deus a derrotar o diabo e seus anjos. Já pensou o poder de domínio que um grupo deste obterá junto a essa massa de gente toda ? Ainda que tudo não passe de um estelionato espiritual ?
O grande risco ao andar dessa carruagem é a intensificação da vocação ditatorial dos líderes dentro da igreja, tornado-a pior em sua atuação no mundo que a junção do período obscurantista da igreja católica pré-reforma com o legalismo judaico da época de Jesus. Depois desse absurdo, tem como negar o processo de romanização da igreja evangélica ?

Bem vindos ao MELHOR ANO QUE JAMAIS TENHA VIVIDO!
Diante do ano de 2008 em relação às profecias aqui descritas, há outra definição a dar a este documento que não seja o de versão evangélica das previsões de fim-de-ano do programa Fantástico da Rede Globo ? Com um agravante: claramente emana de seus postulados o caráter totalitarista de seus líderes, onde a prática da liberdade de pensamento e expressão é cerceada em seus domínios e tolerada como um mal democrático a ser suprimido quando não colocado a seu serviço.

Apóstolo Rony Chaves
Servo de Jesus Cristo.

(tradução feita pela Neuza Itioka)

Fonte: http://www.ronychaves.org/srch2/noticia.aspx?id=18

Estou ansioso para ver o que reserva para a "massa de manobra de deus" o Guia Profético para 2009 !