No que creio e tento viver.

Entendo que a verdadeira rendenção espiritual não tem entre os seus agraciados aquelas pessoas que posam de santas e moralmente irrepreensíveis, tampouco aquelas que investem a sua vida em defender a doutrina melhor fundamentada em escritos ancestrais... vejo que ela é alcançada pelo pecador arrependido que, por assim se reconhecer e ciente de sua limitação, ousa não mais negociar com Deus o Seu favor mediante seus esforços pessoais mas, em um passo de fé, acredita na bondade intrínseca de seu Ser e nos méritos do Cristo crucificado e ressurreto respondendo à essa fé com uma nova postura, voltada à Deus e ao próximo sem fanatismos, dando assim sabor à sua vida e a dos que estão à seu redor neste mundo. E tudo isso é possível exclusivamente pela Graça de Deus, fruto de Seu amor por nós.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Servir a Deus é isso?



Servir a Deus é sacrificar o seu lazer semanal do domingo para durante uma ou duas horas discutir o sexo dos anjos e outros assuntos afins?

Servir a Deus é imbuir-se de um inflamável espírito de triunfalismo que não admite derrotas e desilusões, como se o viver fosse a própria negação do sofrimento?

Servir a Deus é não questionar nada que vá de encontro às “verdades espirituais” preconizadas pela sua instituição religiosa?

Servir a Deus é estar diuturnamente preocupado em ganhar o mundo para Cristo, esquecendo os cuidados básicos com os seus, em seu próprio lar?

Servir a Deus é construir templos suntuosos e colocar líderes impecavelmente vestidos em seus ornamentados púlpitos “cristãos”, para serem vistos como intocáveis e irrepreensíveis oráculos do reino dos céus?

Servir a Deus é mostrar cada vez mais ostentação e riqueza à medida que a igreja cresce numericamente?

Servir a Deus é ter muita cautela para não estabelecer com o seu Pastor uma relação espontânea de amizade e afeto, para que ele não o reprove nem o censure?

Servir a Deus é se martirizar dia a dia, mascarando a sua própria individualidade, numa tentativa inócua de exteriormente, identificar-se com o seu líder?

Servir a Deus é infundir medo nos corações das pessoas, para que elas se rendam e fiquem passivamente aprisionadas entre as quatro paredes “sagradas” do templo?

Servir a Deus é vender planos pessoais de salvação em prestações suaves e módicas com juros supostamente menores que os de mercado?

Servir a Deus é dizer para a criança que se ela não se comportar decentemente na igreja, Jesus fica triste e o Diabo alegre?

Servir a Deus é trocar a estrutura familiar opressiva por um sistema religioso que desumaniza em vez de humanizar?

Servir a Deus é torcer pela igreja como quem torce por um time de futebol, onde o que mais interessa é a vitória, mesmo com gol roubado pelo juiz da partida?

Servir a Deus é abdicar da liberdade de discordar, a fim de manter uma relação de amizade aparente com o seu líder?

Servir a Deus é nunca tentar fugir dos padrões convencionais do culto evangélico pasteurizado?

Servir a Deus é ter todo o seu tempo dedicado ao cumprimento das obrigações eclesiásticas?

Servir a Deus é se imiscuir no meio de multidões ruidosas em passeatas para Cristo, sem atentar que o que elas mais almejam é demonstrar o “poder político” de suas instituições eclesiásticas?

Servir a Deus é buscar apaixonadamente a hegemonia de sua igreja, mesmo que para atingir este objetivo, tenha que falar mal das outras denominações?

Servir a Deus é um investimento que fazemos com muito suor e sacrifício, no intuito de lá na frente, recebermos uma grandiosa recompensa?

Servir a Deus é fazer amigos com as riquezas adquiridas de maneira suja, para depois de lavá-las, serem trazidas ao altar, com o rótulo falso de “dinheiro purificado?

Servir a Deus é fazer parte de uma engrenagem que para manter a coesão do grupo se faz necessário adiar por tempo indeterminado o amadurecimento pessoal?

Servir a Deus é deixar de desfrutar as delícias que Ele nos deixou aqui na terra, em troca de uma castradora e violenta religiosidade?

Servir a Deus é combater compulsivamente os erros dos outros, e fechar os olhos para os demônios que habitam dentro de nós?


Ao responder com um SIM as perguntas acima, o leitor estará simplesmente concordando que, SERVIR A DEUS é prendê-Lo nos limites estreitos de uma instituição, instituição essa, que à maneira de um asilo, oferece guarida a nossa loucura de pensar que podemos definir o indefinível, de pensar que podemos reduzir ou conceituar o indecifrável, de pensar que podemos mensurar ou fixar conceitos e regras sobre um Deus que é indizível e que está em pleno e puro movimento.

E assim, como doentes mentais que perderam a maravilhosa capacidade de pensar, vamos perecendo pela vida afora. Vamos perecendo, ao permitir que outros pensem por nós, guiando-nos aleatoriamente nas densas trevas da ignorância.

Há um ditado popular que expressa uma cruel realidade, ao afirmar que a Bíblia do protestante cheira a “sovaco” por estar sempre debaixo da axila direita; ao passo que a do católico cheira a “mofo”, por estar sempre posta num oratório, eternamente aberta em um dos capítulos do livro de Salmos.

Uma interessante passagem do livro de Isaias (730 a.C.) reflete com todas as letras o estágio em que nos encontramos hoje, senão vejamos:

“...Dá-se o livro ao que não sabe ler dizendo: Por favor, lê isto; e ele dirá: Não sei ler. Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para Comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina”. - Isaias 29; 12 e 13

Que pena! Depois de decorridos tantos anos, se faz necessário evocar uma frase emblemática dita pelo profeta Oseias (700 AC) cujo eco, ainda hoje, continua a bater forte nas paredes resistentes de muitos corações: “O meu povo padece por falta de conhecimento”.

Por Levi Bronzeado. via Púlpito Cristão

Um comentário:

Levi Bronzeado disse...

Prezado Eliezer

Esta é a hora de ficarmos ao lado dos que são apedrejados


"No tempo de Moisés, os filhos de Israel destinavam um bode, para receber por transferência, todos os pecados por eles cometidos. Será que os 'Caiofóbicos' empedernidos da atualidade não estão querendo que o Reverendo tome o lugar do 'bode expiatório' de que relata a Bíblia, para então assim, se verem livres de suas próprias mazelas e sujeiras escondidas a sete chaves?"

Para continuar lendo o ensaio-comentário que fiz ao texto iretocável de Leo(CAIO FÁBIO: Uma Ovelha em Pele de Lobo), acesse o "Ensaios & Prosas"

Um abraço fraternal,

Levi B. Santos